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Projeto de hospital em Goiânia é cancelado após Oncoclínicas entrar com pedido de recuperação extrajudicial


Redação Tribuna do Planalto Por Redação Tribuna do Planalto em 14/07/2026 - 10:49

Projeto de hospital em Goiânia é cancelado após Oncoclínicas entrar com pedido de recuperação extrajudicial
(Foto: Divulgação)

A cidade de Goiânia foi diretamente impactada pelo processo de recuperação extrajudicial da Oncoclínicas, maior rede privada de tratamento oncológico do Brasil. A empresa informou que rescindiu o contrato de um hospital que estava projetado para ser construído na capital goiana, decisão anunciada junto ao pedido de recuperação extrajudicial apresentado para renegociar aproximadamente R$ 5,1 bilhões em dívidas com credores.

Segundo comunicado divulgado ao mercado, a companhia afirmou que os atendimentos aos pacientes e o funcionamento das unidades seguem normalmente, destacando que o processo de recuperação extrajudicial não afeta clientes nem fornecedores. O plano ainda precisará ser submetido à aprovação dos acionistas e conta, até o momento, com a adesão de 37% dos credores.

Além do cancelamento do projeto em Goiânia, a Oncoclínicas também anunciou a rescisão do aluguel de um imóvel em São Paulo, cuja multa de R$ 76 milhões já foi incluída no plano de reestruturação. No caso do hospital previsto para a capital goiana, a multa contratual ainda será calculada.

Fundada em 2010 pelo oncologista Bruno Ferrari, a Oncoclínicas reúne atualmente 142 unidades distribuídas em 49 cidades brasileiras. A rede conta com mais de 1.700 médicos especializados em oncologia e realizou cerca de 593 mil tratamentos nos 12 meses encerrados no primeiro trimestre deste ano.

A companhia abriu capital na Bolsa de Valores em 2021 e iniciou um processo acelerado de expansão por meio da aquisição de hospitais de alta complexidade. A estratégia aumentou significativamente seu nível de endividamento e foi seguida por uma série de dificuldades financeiras.

Entre os fatores que agravaram a situação estão a liquidação do Banco Master, que havia se tornado um dos principais acionistas da empresa, a revisão de operações pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), perdas relacionadas a aplicações financeiras, além da inadimplência da Unimed-Ferj, responsável por um impacto de R$ 861 milhões nas contas da companhia.

Em abril deste ano, a Oncoclínicas reportou prejuízo consolidado de R$ 3,67 bilhões referente ao exercício de 2025 e uma relação entre dívida líquida e Ebitda de 4,3 vezes, acima do limite previsto em contratos com credores. Após divulgar os resultados, a empresa obteve na Justiça de São Paulo uma medida cautelar suspendendo cobranças e vencimentos antecipados por 60 dias, movimento que antecedeu o pedido de recuperação extrajudicial.

Atualmente, a companhia possui patrimônio líquido de R$ 621 milhões, capital de giro negativo e acumula queda de 79,2% no valor de suas ações nos últimos 12 meses. O cancelamento do hospital em Goiânia passa a integrar as medidas adotadas pela empresa para reduzir custos e reorganizar sua estrutura financeira durante o processo de renegociação das dívidas.

Redação Tribuna do Planalto

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