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Nascido em Goiânia, Alok revela como fracasso em Londres mudou sua carreira e fala sobre depressão

DJ goiano relembra período em que trabalhou limpando bares na capital inglesa, conta como superou uma crise emocional e explica por que a inteligência artificial não pode substituir a criatividade humana


Redação Tribuna do Planalto Por Redação Tribuna do Planalto em 15/07/2026 - 17:22

Nascido em Goiânia, Alok revela como fracasso em Londres mudou sua carreira e fala sobre depressão
(Foto: Divulgação)

Nascido em Goiânia, o DJ Alok revelou que uma das fases mais difíceis de sua vida aconteceu justamente em Londres, cidade para onde se mudou em 2010 com o sonho de construir uma carreira internacional na música eletrônica. Em entrevista à BBC News Brasil, o artista contou que precisou trabalhar como assistente de barman, limpando o chão de casas noturnas e recolhendo bitucas de cigarro nas calçadas enquanto aguardava uma oportunidade como DJ.

Hoje um dos maiores nomes da música eletrônica do mundo, Alok afirmou que voltar à capital britânica para iniciar sua nova turnê, “Rave the World”, despertou lembranças marcantes daquele período. Segundo ele, retornar ao mesmo bairro onde enfrentou dificuldades trouxe uma sensação “agridoce”, ao recordar que muitos brasileiros chegam ao exterior em busca de oportunidades, mas nem sempre conseguem alcançar seus objetivos.

Na entrevista à BBC News Brasil, o artista relembrou que decidiu voltar ao Brasil após quase dois anos tentando se estabelecer em Londres. Na época, chegou a cogitar abandonar a música para retomar o curso de Relações Internacionais. A mudança de rumo, porém, aconteceu após um incentivo inesperado dos próprios pais, Ekanta e Swarup, considerados pioneiros do psytrance no Brasil. Eles o convenceram a insistir na carreira artística.

A decisão acabou transformando sua trajetória. Alok deixou o psytrance, gênero musical ligado ao trabalho dos pais, e passou a investir na house music. Pouco tempo depois, conquistou projeção internacional e, em 2016, lançou “Hear Me Now”, parceria com Zeeba e Bruno Martini que se tornou um dos maiores sucessos da música brasileira nas plataformas de streaming.

O DJ também revelou que enfrentou uma depressão mesmo após alcançar reconhecimento mundial. Em busca de respostas, visitou a aldeia do povo Yawanawá, no Acre, experiência que, segundo ele, mudou sua forma de enxergar a vida e inspirou o projeto “O Futuro É Ancestral”. A iniciativa reuniu gravações com diferentes povos indígenas e ajudou a preservar cantos tradicionais que, em muitos casos, são transmitidos apenas oralmente entre as gerações.

Ainda durante a entrevista, Alok comentou que essa aproximação com os povos indígenas também ampliou seu envolvimento em causas ambientais. O artista defende que a preservação da natureza não deve ser tratada como uma pauta ideológica e afirmou que busca reduzir sua própria pegada de carbono, além de utilizar sua visibilidade para ampliar debates sobre o tema.

Outro assunto abordado foi o avanço da inteligência artificial. Para Alok, a tecnologia representa uma ferramenta importante e já faz parte de seu processo criativo, principalmente para testar vocais antes das gravações definitivas. No entanto, ele ressaltou que a IA não pode substituir o papel do ser humano na arte.

Segundo o DJ, enquanto a tecnologia pode oferecer praticidade, a criação artística precisa continuar sendo um espaço de emoção, reflexão e expressão humana. A defesa dessa ideia, inclusive, faz parte do conceito da turnê “Rave the World”, que mistura tecnologia, dança e música para discutir os desafios das novas gerações em um mundo cada vez mais conectado.

Redação Tribuna do Planalto

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