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Feminicídios e crimes de ódio crescem em Goiás, apesar da queda histórica da violência letal

Apesar da melhora nos principais indicadores de violência e nos crimes patrimoniais, Goiás registrou aumento de feminicídios, golpes eletrônicos, racismo e ocorrências motivadas por homofobia ou transfobia


Lucas de Godoi Por Lucas de Godoi em 23/07/2026 - 13:09

Mapa da Segurança Pública destaca Goiás pela ausência de roubos a instituições financeiras desde 2021 roubo banco bancos

Goiás encerrou 2025 com o menor número de mortes violentas intencionais desde o início da série histórica do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2012. Foram registradas 1.222 vítimas, contra 1.386 em 2024, uma redução de 12,7%, desempenho superior à média nacional, que caiu 8,2%.

Apesar do avanço nos indicadores gerais de segurança, o levantamento revela um cenário preocupante em relação à violência de gênero e aos crimes motivados por discriminação. Os feminicídios aumentaram, assim como os registros de racismo e de crimes relacionados à homofobia e transfobia.

Feminicídios crescem e passam a representar maioria dos assassinatos de mulheres

Embora o número total de mulheres assassinadas em Goiás tenha diminuído 16,6% em relação ao ano anterior, os feminicídios seguiram na direção oposta. O estado registrou 59 vítimas em 2025, contra 56 em 2024, alta de 4,3%.

Com esse crescimento, os feminicídios passaram a representar 57,8% de todos os homicídios de mulheres registrados em Goiás. No ano anterior, esse percentual era de 46,3%.

Os dados indicam que, mesmo com a redução da violência letal em geral, os assassinatos motivados pela condição de gênero ganharam maior peso entre as mortes de mulheres, refletindo a persistência da violência doméstica, familiar e da discriminação contra mulheres.

Casos de racismo e crimes de ódio aumentam

O Anuário também aponta crescimento expressivo nos registros de crimes de ódio no estado.

As ocorrências de racismo passaram de 770 para 940 casos, aumento de 20,9%. A taxa subiu de 10,5 para 12,7 registros por 100 mil habitantes.

Já os casos de injúria racial cresceram de 642 para 671, alta de 3,5%.

Também houve avanço significativo nos registros de racismo por homofobia ou transfobia, que saltaram de 133 para 172 ocorrências, aumento de 29,3%.

Por outro lado, as lesões corporais dolosas contra pessoas LGBTQIAPN+ diminuíram de 39 para 28 casos, redução de 28,2%. O levantamento não registrou homicídios dolosos de pessoas LGBTQIAPN+ em Goiás em 2024 e 2025.

Estado registra menor número de mortes violentas desde 2012

Mesmo com o aumento dos feminicídios e dos crimes de ódio, Goiás apresentou o melhor resultado da série histórica em relação às mortes violentas intencionais.

Foram 1.222 vítimas em 2025, número inferior às 1.386 registradas em 2024 e menos da metade das 2.588 mortes contabilizadas em 2012. O pico da violência ocorreu em 2015, quando o estado registrou 3.054 vítimas.

A taxa caiu para 16,5 mortes por 100 mil habitantes, abaixo da média nacional, que ficou em 19,1.

A redução foi impulsionada principalmente pelos homicídios dolosos, que passaram de 959 para 813 vítimas, queda de 15,2%. Também diminuíram as mortes por lesão corporal seguida de morte, enquanto os latrocínios permaneceram estáveis, com 19 registros.

Roubos e crimes patrimoniais seguem em queda

Os indicadores de crimes contra o patrimônio também apresentaram melhora.

Os roubos de celulares recuaram 29,8%, passando de 6.057 para 4.295 ocorrências. Os furtos de aparelhos caíram 15,2%, embora ainda permaneçam quase três vezes mais frequentes que os roubos.

Também houve redução de 30,9% nos roubos a estabelecimentos comerciais, queda de 20,6% nos roubos a residências e diminuição de 48,3% nos roubos de carga.

Segundo o levantamento, Goiás não registrou roubos a instituições financeiras em 2024 nem em 2025.

Golpes eletrônicos continuam em alta

Na contramão da redução dos crimes patrimoniais tradicionais, os golpes praticados por meios eletrônicos seguem crescendo.

Os registros passaram de 4.733 para 5.691 casos em um ano, alta de 19,1%, enquanto o número total de estelionatos permaneceu praticamente estável.

Mortes em intervenções policiais diminuem pouco

As mortes decorrentes de intervenções policiais caíram de 373 para 362 casos, redução de aproximadamente 3%.

Apesar da queda, elas passaram a representar 29,6% de todas as mortes violentas intencionais registradas em Goiás, percentual significativamente superior à média nacional, de 16,2%.

A maior parte das ocorrências envolveu policiais militares em serviço.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública é elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública com base em dados enviados pelas secretarias estaduais de Segurança Pública, polícias e outros órgãos oficiais. As informações de 2025 consideram os registros disponíveis até 1º de julho de 2026.

Lucas de Godoi

Jornalista formado pela PUC Goiás. Na Tribuna do Planalto, cobre administração pública e os principais desdobramentos do cenário político em Goiás.

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