As hepatites virais podem permanecer anos sem provocar qualquer sintoma, enquanto causam danos progressivos ao fígado. Esse comportamento silencioso faz com que muitas pessoas descubram a doença apenas quando já existem complicações como cirrose ou câncer hepático. Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 2000 e 2024, o Brasil registrou 826.292 casos confirmados de hepatites virais, sendo as hepatites B e C responsáveis por quase 80% das notificações.
Durante o Julho Amarelo, campanha nacional de conscientização sobre as hepatites virais, especialistas reforçam a importância da testagem, principalmente porque o diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento antes que ocorram lesões irreversíveis no fígado.
Segundo a médica infectologista Sheila Paiva, do Hospital Mater Dei Goiânia, a ausência de sintomas é um dos principais obstáculos para o controle da doença.
“As hepatites virais, especialmente as hepatites B e C, podem permanecer assintomáticas por muitos anos. Isso acontece porque o fígado tem uma grande capacidade de compensação e continua funcionando normalmente mesmo diante de uma inflamação crônica. Muitas pessoas só descobrem a infecção em exames de rotina ou quando já existe comprometimento hepático.”
Diagnóstico precoce faz diferença
Quando surgem, os sintomas costumam incluir cansaço persistente, náuseas, perda de apetite, dor no lado direito do abdome, urina escura, fezes claras e pele amarelada. No entanto, a especialista explica que o diagnóstico não deve depender do aparecimento desses sinais.
“Hoje recomendamos que toda pessoa adulta faça pelo menos uma vez na vida os testes para hepatites B e C. É um exame simples e que permite iniciar o tratamento antes que ocorram lesões irreversíveis.”
Segundo a médica, atualmente a hepatite C pode ser curada em mais de 95% dos casos com medicamentos orais, enquanto a hepatite B pode ser controlada com terapias que reduzem a replicação do vírus e diminuem o risco de cirrose e câncer hepático.
Vacinação e prevenção
As hepatites A e E são transmitidas principalmente por água e alimentos contaminados. Já as hepatites B, C e D estão relacionadas ao contato com sangue e outros fluidos corporais, podendo ocorrer em relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de objetos perfurocortantes e procedimentos realizados sem esterilização adequada. A vacinação contra as hepatites A e B, o uso de preservativos e a realização de procedimentos apenas em locais seguros estão entre as principais medidas de prevenção.
“O diagnóstico precoce continua sendo a principal ferramenta para evitar complicações graves. Quanto antes iniciamos o acompanhamento e o tratamento, maiores são as chances de preservar a saúde do fígado e impedir a evolução da doença.”















