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Fim das Bets: Clubes articulam reação e reunião com governo é adiada

Convite do Ministério do Esporte para reunião com clubes tem pouca adesão, boicote e acontecerá apenas término do primeiro turno das eleições


Danilo Santana Por Danilo Santana em 29/09/2026 - 08:34

Flamengo e Vasco são dois grandes clubes do eixo Rio-SP que adotaram postura de boicote ao convite do Ministério do Esporte.

Clubes de futebol de diferentes divisões do Campeonato Brasileiro articularam uma reação conjunta à medida provisória que o fim das bets (casas de apostas) no Brasil. Depois de uma reunião realizada na sede da Federação Paulista de Futebol (FPF), em São Paulo, dirigentes decidiram não enviar representantes para o encontro que o governo federal havia marcado para esta terça-feira (29), em Brasília. Com a baixa adesão, o Ministério do Esporte adiou a reunião e ainda não definiu uma nova data.

A movimentação ocorre poucos dias depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinar a medida provisória que determina o fim da operação das bets e também impede a publicidade e os patrocínios dessas empresas. Pelo texto, os contratos e demais formas de exposição das marcas precisam ser encerrados até as 23h59 de 5 de outubro.

O prazo coloca os clubes diante de uma mudança imediata em suas receitas comerciais, o que preocupa dirigentes e analistas do mercado da bola.

Clubes discutem alternativas após medida provisória

Na segunda-feira (28), representantes de clubes paulistas das Séries A e B se reuniram na FPF para discutir os efeitos da medida. Participaram das conversas equipes como Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo, Red Bull Bragantino, Mirassol, Novorizontino, São Bernardo, Botafogo de Ribeirão Preto e Ponte Preta. Durante o encontro, os dirigentes trataram de questões comerciais e jurídicas relacionadas aos contratos em vigor. Além disso, discutiram possibilidades para reduzir o impacto provocado pela saída das empresas de apostas do mercado de patrocínio esportivo.

A FPF participou da articulação de um manifesto contrário ao fim dos contratos com as bets e centralizar e representar os clubes nas conversas. Por isso, a reunião serviu também para alinhar informações sobre acordos já firmados, materiais publicitários e alternativas para os espaços que atualmente exibem marcas do setor. Paralelamente, o Governo Federal tentou reunir representantes de clubes e da CBF para discutir os efeitos da medida provisória. O convite partiu do Ministério do Esporte e envolvia os ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento.

Entretanto, alguns dos principais clubes do eixo Rio-SP – São Paulo, Palmeiras, Santos, Flamengo e Vasco – estavam entre os clubes que decidiram adotar uma postura de boicote e não enviar representantes. Outros participantes inicialmente cogitados também desistiram, enquanto Corinthians, Internacional e Botafogo até sinalizaram a disposição para comparecer. Diante do número reduzido de interessados, o governo resolveu ontem, 28, adiar o encontro.

Uma nova data ainda será definida para acontecer após o primeiro turno das eleições.

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As bets dominaram o futebol brasileiro. Goiânia está entre as 10 cidades com mais apostadores no Brasil.

Bets movimentaram R$ 1,14 bilhão entre clubes em 2025

O tamanho da discussão fica mais claro quando se observam os números dos balanços financeiros dos clubes. Em 2025, as casas de apostas destinaram R$ 1,14 bilhão a patrocínios das equipes da Série A. Segundo cálculos divulgados pelo InfoMoney, o montante correspondeu a 7,9% das receitas dos 20 clubes, que somaram R$ 14,9 bilhões no período.

Além disso, 14 dos 20 participantes da Série A de 2026 tinham empresas de apostas como patrocinadoras máster. O setor também aparece em outras propriedades comerciais do futebol, como placas nos estádios, transmissões e naming rights de competições. O Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, por exemplo, têm atualmente a Betano associada aos nomes comerciais das competições.

O impacto, porém, não é igual para todas as equipes. Em 2025, os patrocínios de bets representaram 17,3% da receita do Corinthians e 12,71% da receita do Flamengo. Sport e Juventude também tiveram participação superior a 10% naquele exercício.

Por outro lado, os contratos não se limitam aos valores recebidos diretamente pelos clubes. A presença das empresas de apostas também alcança propriedades comerciais negociadas por competições, federações e empresas responsáveis por direitos de publicidade. Assim, a mudança pode atingir diferentes pontos da cadeia econômica do futebol.

Agora, os clubes precisam avaliar individualmente os contratos que ainda estão em vigor e encontrar alternativas para as propriedades comerciais que deixarão de receber essas marcas. Enquanto isso, o governo sinaliza que pretende ouvir o setor antes de definir eventuais medidas de apoio.

A medida provisória ainda precisa passar pela análise do Congresso Nacional. O prazo para a apreciação é de até 120 dias; caso não seja aprovada dentro desse período, perderá a validade.

Danilo Santana

Jornalista e produtor audiovisual baseado em São Paulo. Escreve sobre cultura e esporte.

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