A vereadora Aava Santiago (PSB) recebeu 123.311 votos na eleição para deputada federal neste domingo (4), o equivalente a 3,42% dos votos válidos. O resultado colocou a candidata na sétima posição geral em Goiás, mas não garantiu uma das 17 cadeiras destinadas ao estado na Câmara dos Deputados.
Aava teve mais votos do que 11 candidatos eleitos. A diferença fica evidente na comparação com Fábio Sousa (PL), último colocado entre os vencedores, que recebeu 43.643 votos, ou 1,21%. Foram 79.668 votos a mais para a candidata do PSB — uma votação aproximadamente 2,8 vezes superior.
A explicação está no sistema proporcional adotado nas eleições para deputado. Diferentemente das disputas para presidente, governador e senador, as vagas não são entregues simplesmente aos candidatos mais votados do estado. Primeiro, a Justiça Eleitoral calcula quantas cadeiras cada partido ou federação conquistou. Somente depois as vagas são ocupadas pelos candidatos mais votados dentro de cada grupo.
O quociente eleitoral em Goiás ficou em aproximadamente 212.220 votos. O cálculo considera os votos válidos para deputado federal divididos pelas 17 vagas disponíveis. O PSB somou 160.038 votos, dos quais 123.311 foram dados a Aava. Com isso, a candidata concentrou cerca de 77% de toda a votação da legenda.
O desempenho do partido, porém, ficou abaixo do necessário para conquistar uma cadeira diretamente. O PSB também não alcançou os 80% do quociente eleitoral exigidos para participar da primeira distribuição das vagas restantes, as chamadas sobras. O mínimo era de 169.776 votos. Portanto, faltaram 9.738 votos à legenda.
Aava, individualmente, superou com folga a exigência de 20% do quociente, equivalente a 42.444 votos. O obstáculo não foi sua votação pessoal, mas a soma obtida pelo conjunto de candidatos e pelos votos de legenda do PSB.
No caminho inverso, o PL recebeu 642.595 votos e conquistou quatro cadeiras — três pelo quociente partidário e uma pelas sobras. Fábio Sousa ficou na quarta posição dentro da chapa e foi eleito por média. Seus 43.643 votos também superaram, por 1.199, o mínimo individual exigido para essa etapa.
Assim, os votos de Aava contribuíram para a soma do PSB, mas não foram suficientes para que o partido alcançasse uma cadeira. Já Fábio Sousa foi beneficiado pelo desempenho coletivo do PL, que terminou a disputa com quatro eleitos. O caso demonstra que, nas eleições proporcionais, a posição no ranking geral não determina sozinha quem será eleito: o resultado da legenda ou federação é decisivo. As regras do sistema são definidas pelo Código Eleitoral e detalhadas pelo Tribunal Superior Eleitoral.














