A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou, em 7 de outubro, suas primeiras diretrizes globais para o tratamento da obesidade em crianças e adolescentes. Para crianças menores de 10 anos, a entidade não recomenda canetas emagrecedoras, mas sim intervenções estruturadas que combinem alimentação saudável, atividade física e mudanças de comportamento. A OMS não recomenda o uso de medicamentos para emagrecer, cirurgia bariátrica ou dispositivos de perda de peso nessa faixa etária.
“Na infância, qualquer tratamento deve levar em conta o crescimento e o desenvolvimento da criança. As canetas emagrecedoras jamais devem ser utilizadas por conta própria: seu uso exige avaliação criteriosa e acompanhamento profissional”, afirma o médico nutrólogo e intensivista José Israel Sánchez Robles.
A orientação não exclui medicamentos para todos os jovens. Para adolescentes de 10 a 19 anos com obesidade, remédios aprovados podem ser considerados quando um programa supervisionado, que reúna mudanças na alimentação, atividade física e apoio comportamental, não alcançar os resultados esperados. A cirurgia bariátrica também pode ser avaliada em adolescentes com obesidade grave, desde que sejam atendidas condições rigorosas.
“Isso não significa, contudo, que adolescentes nunca possam receber tratamento medicamentoso. A indicação depende da idade, do quadro clínico e da resposta às demais intervenções. Cabe à equipe de saúde tomar essa decisão de forma individualizada”, explica o nutrólogo.
Cuidado deve considerar saúde mental e ambiente familiar
A OMS afirma que as evidências disponíveis ainda não são suficientes para recomendar tratamentos farmacológicos contra a obesidade em crianças de até 9 anos. A entidade também destaca que o cuidado precisa levar em conta a saúde mental. Ansiedade, depressão, baixa autoestima, bullying e discriminação podem afetar o bem-estar de crianças e adolescentes que vivem com obesidade.
Para José Israel, o acompanhamento não deve se limitar ao peso nem atribuir à criança a responsabilidade por sua condição. “A obesidade exige acompanhamento contínuo e uma abordagem acolhedora. É fundamental envolver a família, preservar a autoestima da criança e evitar qualquer forma de estigmatização”, afirma.
Segundo o médico, as recomendações incluem acompanhamento estruturado para adoção de uma alimentação saudável, prática regular de atividade física e mudanças de comportamento. As medidas, acrescenta, devem ser adaptadas às necessidades e à realidade de cada criança e incorporadas à rotina familiar.
Obesidade quadruplicou entre jovens desde 1990
Em 2024, cerca de 170 milhões de pessoas de 5 a 19 anos viviam com obesidade no mundo, segundo a OMS. A prevalência nessa faixa etária passou de 2%, em 1990, para 8% em 2024. A entidade também defende políticas públicas que facilitem o acesso a alimentos saudáveis e a oportunidades para a prática de atividade física.













