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PF prende mãe de Oruam e investiga controle de internet em comunidades do Rio

Segundo investigadores, grupo ligado ao CV sabotava concorrentes e obrigava moradores a contratar provedores autorizados pela facção


Marília Rodrigues Por Marília Rodrigues em 19/10/2026 - 11:35

PF prende mãe de Oruam e investiga controle de internet em comunidades do Rio
(Foto: Reprodução)

A Polícia Federal prendeu Márcia Gama, mãe do rapper Oruam, nesta segunda-feira (19), durante uma operação no Rio de Janeiro. Lucas Santos Nepomuceno, irmão do artista, também foi preso.

A investigação apura um esquema ligado ao Comando Vermelho suspeito de impor o monopólio da internet nos Complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão. Márcia é esposa de Marcinho VP, apontado como líder da facção.

Até o momento, 19 pessoas foram presas, entre eles o vereador Fabio Silva (Podemos).

Como funcionaria o controle do serviço

Segundo a PF, integrantes armados do grupo cortavam cabos e incendiavam equipamentos de operadoras regulares. Também impediam o conserto das estruturas, restringindo as opções disponíveis nas comunidades. A consequência, de acordo com a investigação, era a imposição de provedores autorizados pelo Comando Vermelho a moradores e comerciantes.

Essas empresas pagariam mensalmente uma tarifa pelo direito de atuar nos territórios. Registros contábeis atribuídos à facção indicam que a cobrança sobre a internet respondeu por mais de 40% da arrecadação do grupo na Penha em um único mês.

Mandados em seis municípios

Os policiais cumprem 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal. Os alvos estão na capital fluminense e em Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé.

A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores, alcançando 40 pessoas físicas e 42 empresas. Também ordenou a suspensão de atividades econômicas das pessoas jurídicas investigadas.

Empresas e imóveis estão na apuração

A PF afirma que o dinheiro chegaria à família de Marcinho VP por intermediários financeiros, empresas arrecadadoras e contas de passagem. Os recursos seriam dissimulados em negócios de eventos e publicidade, imóveis de alto padrão e criptoativos. A corporação informou que comunicará a Anatel para as providências relacionadas às autorizações e aos serviços das empresas.

A apuração envolve suspeitas de domínio social estruturado, extorsão, lavagem de dinheiro e crimes relacionados à prestação e à interrupção de serviços de telecomunicações.

A defesa do vereador disse que vai se pronunciar quando acessar os autos.

*Essa matéria está em atualização.

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