O ex-governador de Goiás José Eliton afirmou que participa de conversas para organizar um movimento nacional de centro e centro-esquerda e citou Eduardo Leite entre as referências políticas dessa articulação. A proposta ainda é embrionária, mas abre uma discussão que vai além do apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva: como dar organização e continuidade a um campo político hoje espalhado por diferentes partidos.
Em entrevista ao jornalista Domingos Ketelbey, titular da Tribuna Política, Eliton defendeu uma agenda baseada em moderação, responsabilidade fiscal e social-democracia. A ideia é começar por um movimento suprapartidário. A possibilidade de uma nova legenda fica para depois, sem definição ou prazo.
“Essa é uma questão embrionária. Discutimos com alguns amigos a formatação de um movimento nacional com lideranças expressivas desse mesmo espectro ideológico. O Eduardo Leite é um dos quadros mais qualificadíssimos da política nacional, um homem de posições claras. Se isso se tornará realidade ou ficará na utopia, só o tempo vai dizer”, afirmou.
A ressalva delimita o alcance do anúncio. Há conversas sobre a construção de um movimento, mas ainda não uma estrutura constituída. Eliton também não apresentou calendário de lançamento nem detalhou quais lideranças já assumiram compromisso com a proposta.
Do apoio a Lula a um projeto próprio
Sem partido, Eliton participou da articulação que reuniu tucanos, ex-tucanos, empresários e representantes do agronegócio no apoio ao presidente Lula e ao vice-presidente Geraldo Alckmin no segundo turno.
Passada a eleição, a discussão é sobre o destino dessa aproximação. O apoio à mesma candidatura reuniu trajetórias distintas, mas não resolve, por si só, as diferenças sobre programa, organização partidária e futuras disputas.
É nesse espaço que Eliton situa a proposta. Na avaliação do ex-governador, a definição de um projeto de país e de estado deve anteceder a escolha de siglas e candidaturas. O movimento, se avançar, terá de transformar a defesa da moderação em uma agenda capaz de disputar o eleitor.
Goiás precisa começar antes da campanha
Em Goiás, Eliton defendeu que a organização para as eleições municipais de 2028 e para a disputa estadual de 2030 comece com antecedência. Sua crítica mira a repetição de candidaturas lançadas sem tempo para construir alianças, amadurecer propostas e alcançar o eleitorado.
“É preciso organizar uma frente de centro-esquerda e progressista em Goiás. Se o nome será da Adriana Accorsi, da Aava Santiago, do Edward Madureira ou de outra liderança, isso será construído. O importante é criar um projeto transparente para o cidadão goiano. Não acredito em nada construído de véspera ou apenas para marcar presença”, disse.
Ao citar diferentes lideranças, Eliton deixou a candidatura em aberto. A prioridade defendida por ele é estabelecer uma agenda de desenvolvimento para o estado e construir uma frente que chegue à eleição com articulação política, em vez de começar a negociar quando o calendário já estiver apertado.
O primeiro teste será dar continuidade às conversas fora do período eleitoral. Para sair da intenção, a frente precisará definir quem participa, quais propostas reúne e como pretende atuar nos municípios goianos.












