Da redação
Goiânia é a cidade brasileira com maior taxa de incidência de dengue no Brasil, com 16.629 casos (1.069 casos/100 mil habitantes), conforme boletim epidemiológico relativo ao período de 2/1/2022 a 12/3/2022. Entre as cinco cidades do ranking ainda temos Aparecida de Goiânia, que aparece como a quinta cidade com maior número de registros de casos prováveis, com 2.538 casos (405, 1 casos por grupo de 100 mil habitantes), o que explica muito o fato da Região Centro-Oeste ser a que apresentou neste período a maior taxa de dengue entre as demais, com 204,2 casos/100 mil habitantes.
O aumento no número de casos na capital foi de 1.544, 5% este ano, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Superintendente de Vigilância em Saúde, Yves Mauro Ternes, da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, e foi favorecido pela redução na capacidade de fiscalização de casas e seus respectivos quintais durante o período da pandemia de Covid-19, um relaxamento da população quanto aos cuidados básicos no combate ao mosquito transmissor da doença e a possível subnotificação dos casos de dengue, além da intensificação do período chuvoso no início do ano e a sua estiagem neste momento.
“Com a pandemia, o controle vetorial foi prejudicado, provocando um aumento no número de focos do mosquito em algumas regiões”. Conforme o Levantamento do Índice Rápido para o Aedes Aegypti (LIRAa), realizado este ano na capital, o índice de infestação está em 4,3%, ou seja, de cada 100 imóveis visitados pelas equipes, é encontrado pelo menos um foco do mosquito transmissor da dengue em 4,3 deles. “Acima de 3%, o Ministério da Saúde preconiza como epidemia. O normal é Lira em 1%”, portanto, Goiânia está em alto risco de epidemia da dengue. Nossa curva de monitoramento mostra que já estamos em um cenário epidêmico”, explica.
Apesar dos casos estarem espalhados por toda a cidade de forma considerada homogênea, Yves Mauro revela um maior número de casos e maior incidência para cada grupo de 100 mil habitantes nas regiões Noroeste, Sudoeste e Leste de Goiânia.
PLANO DE CONTINGÊNCIA
Para combater o avanço dos casos de dengue em Goiânia, a prefeitura, por meio da Secretaria da Saúde, tem reforçado as ações de controle vetorial, com o retorno das visitas domiciliares por agentes de combate a endemias e por agentes comunitários, uma maior capacitação dos profissionais da Saúde para fornecimento de um diagnóstico precoce da dengue e um manejo clínico adequado para reduzir as complicações da doença, além do monitoramento dos casos e da sensibilização da população para os cuidados que podem ser tomados em casa.
Pelo menos uma vez na semana a população deve verificar se não tem água parada em pneus, vasos de plantas, garrafas e outros recipientes que possam permitir a reprodução do mosquito. É importante lembrar de tapar os tonéis d’água, manter as calhas limpas, deixar garrafas e recipientes com a boca para baixo, manter lixeiras bem tampadas, ralos limpos, com aplicação de telas, além de manter lonas para material de construção e piscinas sempre esticadas para não acumular água.
São medidas simples, que não demandam mais do que 15 minutos, que podem ajudar a cidade no combate à dengue. A Prefeitura de Goiânia tem feito ações de limpeza nas margens de córregos, rios e em lotes baldios, praças, ruas e avenidas da cidade.
TIPOS DE VÍRUS
O Superintendente de Atenção em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, Yves Mauro, revela que o vírus tipo 1 predomina na capital, mas que o vírus tipo 2, mais agressivo e “virulento” também está em circulação. Ele explica que quando se tem anos de baixa circulação viral, como ocorreu em 2020 e em 2021, existe a possibilidade de anos epidêmicos acontecerem posteriormente porque aumenta o número de pessoas que não tiveram contato com aquele vírus. “Uma sazonalidade é normal na dengue, só que ela não tem seguido um ciclo de cada dois ou três anos. Então pode ter uma mudança de sorotipo e consequentemente, um risco de epidemia”.
A Prefeitura de Goiânia recebeu dois carros para aplicação de fumacê em regiões onde há maior incidência de casos de dengue. “É preciso lembrar que o fumacê age no combate ao mosquito adulto e ele tem hábitos dentro das residências, portanto, quando o carro passa jogando a fumaça é importante que os moradores abram portas e janelas para que esse combate seja efetivo”.
AÇÕES DO ESTADO
Além de Goiânia, as 18 regionais de saúde receberam 20 bombas ultra baixo volume (UVB) veiculares adquiridas em 2021 para aplicação do fumacê nas cidades goianas. Foi feita também a distribuição de 720 bombas costais motorizadas de uso individual pelo agente de saúde e feita a manutenção em outras 211. A Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO) fez a distribuição de inseticidas às regionais, regularizando o abastecimento em todos os municípios; intensificou as ações voltadas à diminuição dos níveis de infestação do Aedes aegypti e prevenção dos casos de dengue, chikungunya e zika a partir de 2021 e dotou os municípios de insumos, materiais e equipamentos, incentivar os gestores e capacitar os profissionais de saúde para o combate ao mosquito transmissor da doença.
A SES-GO vincula o aumento expressivo da infestação do mosquito e da quantidade de casos das doenças causadas pelo vetor à intensidade das chuvas, que pode ter contribuído para a gravidade da situação, e a baixa adesão da população em fazer a limpeza dos quintais, eliminando qualquer objeto, vasilha ou utensílio que acumule água parada.
SINTOMAS E TRATAMENTO
Existem quatro tipos de vírus de dengue – sorotipos 1, 2, 3 e 4. A febre alta é um dos principais sintomas da doença. Outros são dores musculares intensas, dor ao movimentar os olhos, mal-estar, falta de apetite, dor de cabeça e manchas vermelhas no corpo.
A infecção por dengue também pode não causar sintomas, ser leve ou grave. Nesse último caso, pode até levar à morte. Pessoas mais velhas têm maior risco de desenvolver dengue grave e outras complicações que podem levar à morte. O risco aumenta quando a pessoa tem alguma doença crônica, como diabetes e hipertensão.
Não há tratamento específico para a dengue. De acordo com a avaliação médica, são recomendadas medidas como fazer repouso, ingerir bastante água e não tomar medicamentos por conta própria. Pode ser recomendada também a hidratação com soro nas veias. Em caso de suspeita, é fundamental procurar um profissional de saúde para ter o diagnóstico correto.














