A janela de um prédio no Recife que tinha a bandeira do PT foi atingida por tiros na semana passada, mais um episódio da violência que tem marcado as eleições deste ano. Levantamento feito pelo Observatório da Violência Política e Eleitoral da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro aponta que ao longo da primeira metade de 2022, a violência política deixou 40 mortos no país.
Portanto, não é sem motivos que 9% dos eleitores admitem deixar de votar no dia 2 de outubro por medo de violência e 40% dos entrevistados na última pesquisa do Datafolha temem que haja violência no dia da eleição.
Essa violência reflete a polarização política, que teve início com as manifestações de junho 2013 e foi se acirrando desde o pleito de 2018, com a eleição de Jair Bolsonaro (PL), que tem se posicionado de forma ambígua em relação aos episódios de violência envolvendo seus apoiadores e cujo discurso incentiva o radicalismo político. Saiu das redes sociais e foi para a rua.
O medo da violência mudou o cenário eleitoral no país. Diferentemente das eleições anteriores, não se vê bandeiras e adesivos nos veículos de quem não é bolsonarista e as pessoas que apoiam opositores do presidente, especialmente o candidato petista, são orientadas a não se manifestarem por meio de camisetas e botons para não correrem risco de serem agredidas.
O medo da violência política fragiliza a democracia, pois inibe o cidadão de sua cidadania. É preciso restabelecer a confiança das pessoas nos processo democráticos e na capacidade das instituições brasileiras de conter os arroubos de violência desse grupo que ameaça deslegitimar a eleição.
É urgente colocar fim nesse regime de medo.














