O deputado federal Gustavo Gayer (PL) usou as redes sociais dele quarta-feira, 26, para expor uma postagem que o professor Arilson Martino fez nas próprias redes sobre um convite para uma festa realizada em 1996, ano que entrara na faculdade. Na legenda do desenho feito à mão de um símbolo da morte com a frase ‘Morte a Burguesia”, o professor explica que havia encontrado “a arte” do convite, o que lhe trouxe lembranças da época e da “galera proletária”.
O deputado reproduziu as mensagens em suas redes sociais, marcando as escol
as nas quais o professor na aula. Em uma das postagens, Gayer diz que o professor “deseja a morte dos seus próprios alunos e pais de alunos”; nas outras escreve sobre um print do post do professor e marca mais duas escolas. No total, ele marcou três escolas nas quais o professor trabalha, que não serão citadas a pedido do professor.
Segundo ele, Gayer “pegou um post nostálgico, que trazia a foto do convite (feito à mão) da primeira festa da faculdade na minha casa em 1996, e fez o compartilhamento distorcendo o conteúdo”. Ele explica que o título da festa era uma mera brincadeira relacionada com a “rebeldia de adolescentes recém-chegados na UFG”.
Ainda de acordo com Martino, o deputado compartilhou as postagens em suas redes sociais e marcou os colégios nos quais trabalha “no intuito de conseguir a minha demissão”. Ele reclama que está sendo agredido nos comentários dos seguidores de Gayer, recebendo ameaças e diz que, em alguns, até sua família é mencionada.
Martino é bacharel em Química pela UFG e licenciado em Química pela Universidade Católica de Brasília (UnB). Leciona em vários colégios e cursos pré-vestibulares de Goiânia há 27 anos.

Essa não é primeira vez que Gayer usa suas redes sociais para expor professores. Em maio deste ano, uma professora foi demitida de uma escola particular em Aparecida de Goiânia, região metropolitana de Goiânia (GO), por postar uma foto com vestindo uma camiseta com a frase “seja marginal, seja herói”, de autoria do artista Hélio Oiticica. O deputado fez postagens afirmando que a professora estaria incitando os alunos a serem marginais para ser heróis.

No ano passado, ele provocou a demissão de um professor de outra escola particular de Goiânia que trabalhou uma charge na sala de aula. O deputado teria retirado a charge do contexto e dito que o professor estaria incitando os alunos contra a polícia.
A Tribuna do Planalto entrou em contato com a assessoria do deputado Gustavo Gayer, mas até o momento da publicação da matéria não havia recebido resposta.














