Líder nas pesquisas de intenção de votos para prefeito de Goiânia e peça fundamental na eleição de Aparecida, Gustavo Mendanha se articula para conseguir uma brecha na regra que o impede de disputar a eleição para prefeito agora em 2024. No campo político também tem feito muitas movimentações para se firmar como uma liderança política, mesmo sem mandato ou cargo: está retornando ao MDB,se uniu ao governador Ronaldo Caiado e se reaproximou do prefeito Vilmar Mariano. Seus projetossão claros: em 2024 sercandidato a prefeito de Goiânia ou, em 2026, buscar a vaga de vice-governador ou uma cadeira no Senado.
Tribuna do Planalto – O senhor fez uma consulta ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a possibilidade de disputar a eleição para prefeito de Goiânia e vai, inclusive, pedir o apoio do presidente do MDB, Baleia Rossi. Qual a sua expectativa, considerando que o TSE já decidiu no sentido de tornar inelegível para o cargo de prefeito quem já exerceu dois mandatos consecutivos, mesmo em município diferente?
Gustavo Mendanha – Primeiro, não há uma legislação sobre isso, o que existe é uma resolução, um entendimento desde 2012, que precisa ser mudado. De dois em dois anos, a Câmara muda e essa nova composição pode mudar tudo. Como foi, por exemplo, no caso do delegado Waldir (Soares). A princípio, não havia a possibilidade de mais de um candidato a senador apoiando um governador. Na eleição passada para o governo de Goiás, três ou quatro candidatos a senador apoiaram o governador Caiado. O entendimento mudou porque mudou o colegiado. Isso é possível. Prever o resultado é impossível, porque o que eu estou buscando? Eu não quero mudar a regra, a regra do prefeito itinerante é boa. Mas meu caso é totalmente diferente. Eu renunciei à prefeitura em 2022 para disputar o cargo de governador, ou seja, não saí da prefeitura pensando em ser candidato; eu acreditava que poderia ser governador de Goiás, tinha 25% das intenções de votos. O que me levou a acreditar na possibilidade de ser candidato (a prefeito de Goiânia) foram as pesquisas, foi vir para Goiânia e as pessoas pedirem para que eu colocasse meu nome – porque as pessoas não entendiam que existia uma regra que não permitia. Diante disso, comecei a consultar advogados que me fizeram entender que isso poderia ocorrer. Não a partir da mudança da regra, mas da exceção à regra em razão da renúncia, de ser de uma cidade menor para uma maior, enfim, alguns argumentos que eu poderia colocar aqui. Acredito que isso pode ser mudado dentro do tribunal, acredito que seria algo que não prejudicaria aqueles que teriam a coragem de disputar mandatos e, mais do que isso, eu estou fora da prefeitura há mais de um ano e, até as eleições, serão dois anos e meio fora da Prefeitura de Aparecida. De que forma eu poderia usar a estrutura da Prefeitura de Aparecida para me beneficiar em outra cidade? Ademais, Aparecida é um terço da cidade de Goiânia.Que influência teria? Nenhuma. Por isso que eu vou ao tribunal defender essa tese e vou falar com o presidente Baleia Rossi para ver a possibilidade do presidente e do MDB, partido a qual vou me filiar, de fazer a consulta.
Sobre a filiação ao MDB, por que decidiu retornar ao partido?
Meu histórico com o partido. Foi o único partido ao qual eu havia me filiado até então, me filiei com 17 anos; único partido ao qual meu pai (Léo Mendanha) foi filiado em toda a sua história; tive a oportunidade de disputar quatro mandatos pelo MDB, dois de vereador e dois de prefeito; Daniel (Vilela) é meu amigo, e eu nunca escondi isso; Muita gente não foi pega de surpresa por causa da relação que eu tive, inclusive na campanha. Se olhar minhas entrevistas, eu nunca disparei contra o Daniel, sempre tive com o Daniel uma relação de amizade e ele foi importante na minha carreira. Quem não conhece a minha história pode achar que, em razão do meu pai, eu fui escolhido rapidamente para ser candidato a prefeito. Não, foi uma luta; e foi até mais difícil ser escolhido candidato em 2017 do que ganhar as eleições, porque havia bons quadros e bons nomes que também queriam. Daniel foi de suma importância para eu ser candidato e depois eu tive a oportunidade de mostrar meu trabalho. Naquele momento, em 2021, tivemos divergência de pensamento e até para não prejudicá-lo, porque eu entendia que poderia se eu mantivesse a minha candidatura dentro do partido, decidi sair do partido e buscar meu caminho. Mas na minha saída eu disse que estava saindo, mas deixando as portas abertas. Quando o Daniel me procurou, eu fiz uma série de avaliações, conversei com amigos, conversei com líderes e vi que esse era um caminho interessante, esse retorno ao partido, para podermos trabalhar juntos, para reoxigenar o partido. E mais do que a situação partidária, ajudar o Daniel, porque acho que ele tem uma condição real de ser o candidato do grupo atual, ele é vice-governador e com a com essa pretensa candidatura do governador Ronaldo Caiado a presidente da República – que eu acredito que vá dar certo – Daniel vai ser governador de Goiás. E eu não me sentiria confortável, independentemente de partido, em disputar uma eleição com Daniel. Facilitou esse retorno na nossa relação e, nesse momento agora, esse retorno ao MDB.
O senhor vem de uma disputa com Ronaldo Caiado para o governo de Goiás, e em campanha, ocorrem as críticas de uma parte e de outra. Como está sendo essa aproximação com o governador?
De ambas as partes – talvez isso até facilitou para encontrar com ele, conversar e ter essa boa relação – essa eleição foi uma eleição tranquila do ponto de vista pessoal. Não houve ataque meu ao Caiado, à história, à família. Eu fiz críticas à gestão, e algumas críticas eu não só sustentaria, como quero ajudar a sanar. Nós fizemos uma campanha de alto nível. Eu acho que muitos até esperariam – talvez pelo fato de eu ser jovem – que eu fizesse uma campanha agressiva, ostensiva, mas não. Fiz uma campanha muito tranquila e isso até facilitou, não só da minha parte, mas da parte de quem saiu vitorioso, que foi o governador, querer estar junto. Não houve ataques pessoais, foram críticas que, de alguma forma, o governador já avançou em alguns pontos. Não existiu em nenhum momento um embate pessoal, aquilo que o governador sofreu ao longo da sua história em campanhas, de falar da história da família. Não houve em nenhum momento críticas que não fossem do ponto de vista administrativo da gestão. Eu nunca entrei na seara familiar, nunca entrei na história da família do governador, porque tudo é passado. Tem que se pensar no futuro e eu sou um político diferente, sou uma pessoa realmente propositiva, penso em praticar a boa política, e acho que facilitou muito. Eu quero o bem de Goiás e posso somar para isso. Eu não estou participando do governo e isso me dá até uma certa comodidade para poder dialogar, para poder fazer críticas. Não que o governador tenha me convidado. Quando eu me aproximei do Daniel e falei que poderíamos estar juntos, muitos perguntaram qual seria a secretaria que poderia assumir. Eu não pratico esse tipo de política, então estou muito à vontade. Tive boas conversas com o governador, posso dizer que, no primeiro encontro, eu fiquei um pouco assim, mas o governador foi muito receptivo; tomei café na casa dele, no Palácio (das Esmeraldas), eu nunca havia ido lá, e ele foi um gentleman; depois tive um encontro em uma festa organizada pela Gracinha (Caiado), primeira-dama, fui muito bem recebido e me senti realmente como se estivesse com amigos. Muita gente diz que eu tinha que ser candidato a governador e eu poderia até ser, poderia estar na oposição, mas não me senti à vontade em construir uma candidatura contra o Daniel. Posso dizer que estou tranquilo, estou feliz e a minha relação com o governador é uma relação muito boa.
Muita gente diz que eu tinha que ser candidato a governador e eu poderia até ser, poderia estar na oposição, mas não me senti à vontade em construir uma candidatura contra o Daniel.”
O governador comentou, recentemente, que não tem oposição, que integrou todos a sua base. Você acha isso positivo?
Eu acho que ele tem oposição, o PT é oposição e, com o governador se posicionando como um pretenso candidato a presidente da República, o PT deve aumentar o nível de crítica. Tem o ex-governador Marconi Perillo, que tem dito inclusive que poderá ser candidato a governador. Então, ele tem uma oposição. Dos quadros que disputaram eleição com ele, tanto eu como o Major Vitor Hugo, meu caso é diferente da situação do Vitor Hugo, que envolve a relação com (Jair) Bolsonaro, com o PL e com Wilder (Morais), presidente estadual do PL e que tem uma boa relação com o governador, e há interesse em manter essa posição. Minha questão é diferente, mas eu diria que o governador tem uma certa hegemonia política pela sua liderança e, mais do que isso, pelo seu trabalho. Eu tenho visto pesquisas uma em cima da outra que falam sobre os cenários e a aprovação dele melhorou inclusive depois das eleições. Eu acho que tem que ver também com esse momento dele, de maturidade, tem experiência, eu acho que está com uma visão diferente, está fazendo uma política mais construtiva. Até porque nós conhecemos o Caiado e o acompanho ao longo de quase toda a sua carreira política como legislativo e o legislador é diferente. No primeiro mandato, talvez no começo, ele teve um pouco de dificuldade, até porque ele sempre foi deputado federal, senador, muito combativo, o que não deixou de ser. Mas ele passou a ter também essa visão de executivo, de gestão, e para fazer gestão tem que realmente unir forças. Eu acho que nisso ele tem sido craque e espero que isso possa trazer benefício para o povo goiano. Seja com ideias que nós apresentamos, minha principalmente, na candidatura, ou outras que aparecerem, que ele possa replicar. Eu acho que o governador tem humildade de reconhecer, inclusive em vários momentos, antes de eu ser candidato, ele me elogiou. Antes do Daniel ter me procurado, eu fui à inauguração de uma empresa e lá ele teceu elogios a mim. Eu acho que isso facilita para podermos estar juntos, mas mais do que isso, para talvez pensar, planejar, buscar realmente coisas que sejam boas para o estado de Goiás.
Se por acaso o senhor não tiver êxito em seu questionamento junto ao TSE, qual o seu projeto: candidatura a vereador em 2024, a deputado ou senador em 2026?
A de vereador não passa essa possibilidade na minha cabeça; a de deputado federal, senador, vice-governador, deputado estadual, serão os cargos que poderei disputar. Cabe ao partido ver onde que eu posso encaixar, onde que eu posso ajudar mais. Eu gosto muito do Executivo, mas sendo Daniel o candidato a governador eu não vou ser candidato a governador. Eu vou ver dentro desse cenário qual seria o cargo que eu poderia ajudar para disputar pelo partido.
O senhor já bateu o martelo sobre o apoio à reeleição de Vilmar Mariano?
Estou com o Vilmar. Nos últimos dias até me aproximei mais para que, pela experiência que eu tenho, possa contribuir para que existam menos falhas, que possa ser um governo mais exitoso e, principalmente, que os projetos iniciados na gestão do Maguito (Vilela) que eu dei continuidade, e que Vilmar, por algum motivo, não estava atento, que ele possa ficar atento. Vou estar mais próximo, não só do ponto de vista político, porque as pessoas reconhecem a minha liderança, mas do ponto de vista administrativo, porque Vilmar tem me procurado, pedindo que eu o ajude.
A aproximação foi a causa do rompimento de Vilmar Mariano com o Professor Alcides do PL, aliado de todo mandato?
O Professor Alcides é uma figura respeitada, um educador, como deputado federal eu pessoalmente não posso reclamar em nada, um grande deputado federal, contribui e colabora muito com a cidade. O professor disputou duas ou três eleições municipais, tem o sonho de ser prefeito, e com quase 70 anos talvez veja essa como uma última oportunidade para poder ocupar esse espaço. Ele está bem nas pesquisas e isso o incentiva a ser candidato.Todo mundo já notava os movimentos e via as ações, mas Vilmar acreditava que o professor poderia caminhar com ele. De alguns dias para cá o professor começou em suas entrevistas a ser mais efusivo em suas críticas e eu acho que talvez até, de alguma forma, esperando que Vilmar fizesse o que o Vilmar fez, o que é natural. Se eu pudesse, trabalharia para que estivessem juntos, até porque nós construímos isso nas últimas eleições, mas não foi possível. Que cada um vá para o seu lado, o Professor na oposição e o Vilmar como situação. Dificilmente, o professor não será candidato, ele tem trabalhado, conversado com partidos, com lideranças, com candidatos a vereador. Já está mais claro quem é candidato de situação e quem é candidato de oposição e, pelo pelo histórico do professor e pelo seu conhecimento, isso tende a polarizar. Vai ter outras candidaturas? Certamente, mas para o Executivo as eleições são polarizadas e a polarização já está aí, cabe ao Vilmar entender, trabalhar, construir, fazer gestão, pensar política, e eu vou estar do lado dele, para auxiliá-lo no que for possível.
A pré-candidatura do vereador André Fortaleza, do MDB, como que fica?
O André é um amigo, é uma pessoa por quem eu tenho carinho, gratidão, porque sempre esteve ao meu lado. É notório que ele e Vilmar tiveram um desentendimento e, desde então, André tem se posicionado como pré-candidato. É um dos que pode vir a ser candidato, independentemente dessa questão do professor Alcides, mas vai ter que buscar outra sigla porque, o Vilmar indo para o MDB e por ter um mandato, dificilmente não seria candidato. Se o André insistir em ser candidato provavelmente terá que deixar a sigla. Não vai deixar agora porque poderiam requerer o mandato dele, deve esperar a janela, que acontece no final do mandato. É uma figura que pode disputar a eleição, mas a partir dessa polarização dificilmente uma terceira candidatura teria condição de ter crescimento. Eu acho que ele tem que fazer essa avaliação, não só ele, como outras figuras que queiram ser candidatos.
Na eleição para governo houve uma disputa muito grande pelo apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ela deve se repetir agora em Aparecida de Goiânia?
A eleição municipal normalmente é discutida a nível municipal. Claro que o ex-presidente Bolsonaro tem a sua força, é inegável, mesmo depois dos direitos políticos cassados ele esteve em Goiânia e foi um alvoroço. É inegável a força do ex-presidente. Mas na hora de votar para prefeito as pessoas querem saber quem que vai conseguir resolver o problema. Se o prefeito pode ser candidato à reeleição, as pessoas querem saber se a situação atual está confortável, se as pessoas estão felizes para votar para dar continuidade ou, se não estiverem satisfeitas, votar na oposição. A política municipal é isso. O presidente Bolsonaro tem poder de transferência? Tem, mas acho que a nível municipal fica muito nisso: se as pessoas querem que o modelo continue ou não. Não menosprezando o tamanho, a força, tudo aquilo que sabemos que o ex-presidente Bolsonaro tem.
Em relação à candidatura da Ana Paula, qual a sua avaliação da candidatura? Ela herdará o legado político do pai, Iris Rezende?
A Ana Paula tem todos os predicados de uma figura que pode disputar a eleição e pode dar trabalho. Temos que ver se ela vai conseguir criar uma polarização. Se Iris estivesse vivo para fazer essa transferência de votos seria mais fácil, mas infelizmente, para todos nós, eu que sou um líder que admiro e sigo os exemplos do Iris, ele partiu. Dona Iris também partiu. Não será uma tarefa fácil. É claro que o governador poderia defender, não posso falar em nome do governador, mas acho que esse é o desejo dele. Caso eu não possa ser candidato e nosso grupo entender que o nome da Ana Paula é o melhor nome, nós teríamos uma situação para construir. Acho que Ana Paula tem que começar a conversar, dar sinalizações. Pode ser que nos próximos dias eu possa tomar café com a Ana Paula e a gente começar a conversar e pensar, porque o que nós não podemos é ficar esperando. Ana Paula é um nome extraordinário, mas não pode deixar para começar no ano que vem. A única figura que podia definir no último segundo e ganhava a eleição era Iris. Não existe outro Íris, por mais que ela seja filha ela tem que fazer um trabalho, porque ela é desconhecida. No meio político todo mundo sabe quem ela é, sabe que ela tem muito das características do Iris, mas o povão não sabe. Temos que fazer isso antes e até por isso eu quero rapidamente ter ciência se eu posso ou não colocar meu nome à disposição do partido para também começar a trabalhar nisso.
O senhor lidera as pesquisas de intenção de votos em Goiânia e é peça fundamental na eleição de Aparecida de Goiânia. Como avalia essa sua presença eleitoral?
Mesmo com a derrota eleitoral eu tive uma grande vitória política. Deixei de ser um político municipal para ser um político estadual. Eu lidero as pesquisas espontâneas nos dois maiores municípios do estado. Fruto do trabalho, fruto daquilo que aconteceu em Aparecida, que não se deve só a mim, mas ao Maguito, à equipe, ao empresário, ao servidor público. Eu tenho a convicção, independentemente de poder ser ou não candidato, de que vou participar efetivamente da campanha em Goiânia, Aparecida e outros municípios. Isso vai me cacifar para, em 2026, disputar uma vaga no Senado, a vice-governadoria, e isso vai depender muito do meu trabalho, vai depender muito de como eu vou estar posicionado. E vou trabalhar para isso e vou ter humildade também. Se não for possível, eu estou pronto para sair a deputado federal, estadual, onde o partido achar que eu posso colaborar.
Ana Paula é um nome extraordinário, mas não pode deixar para o ano que vem. A única figura que podia definir no último segundo e ganhava a eleição era Iris. Não existe outro Íris, por mais que ela seja filha, é desconhecida.”













