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“É muito difícil que uma aliança com Vanderlan venha a ocorrer”


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 24/09/2023 - 00:00

Henrique Alves - Vereador e presidente do Diretório Metropolitano do MDB

Presidente do MDB em Goiânia, o vereador Henrique Alves acredita que as discussõessobre a eleição para prefeito de Goiânia devem ocorrer apenas no próximo ano, mas antecipa alguns cenários. Em relação ao deputado Bruno Peixoto, Alves observa que, apesar de estar no União Brasil, Peixoto construiu sua carreira no MDB e tem ligação como partido. Já a retomada da aliança como prefeito Rogério Cruz estaria sujeita à melhora da avaliação da gestão do prefeito. Com o PT não deve haver aliança porque a sigla tem candidatos à chapa majoritária e o histórico de embates entre o MDB e o senador Vanderlan Cardoso dificulta a aliança com o PSD. “O MDB, não sei se como candidato a prefeito ou como vice em outra chapa, vai ter espaço na chapa majoritária”, afirmou.

TRIBUNA DO PLANALTO – Qual será a participação do Diretório Metropolitano na definição de candidatura e construção de alianças para eleição em Goiânia?

HENRIQUE ALVES – Eu estou como presidente do diretório até o final do ano, que é o mandato, mas  claro que mesmo que essas discussões venham a ocorrer apenas no ano que vem, é uma preocupação atual do partido. A própria bancada do MDB na Câmara já está preocupada não só com a eleição majoritária, mas com a formação da chapa de vereadores do MDB, o que é importante, até porque a pretensão do partido é manter  a maior bancada da Câmara. Hoje, somos seis vereadores do MDB e a intenção é  no mínimo manter essa bancada ou até aumentar, porque o partido tem um projeto grande, é o maior partido de Goiânia, e tem todo um espólio eleitoral do nosso saudoso prefeito Iris (Rezende) e do Maguito (Vilela). O MDB, não sei se como candidato a prefeito ou como vice em outra chapa, vai ter espaço na chapa majoritária. Essas conversas ainda não engrenaram, mas já acontecem nos bastidores. Ano que vem eu não sei se continuarei como presidente do diretório metropolitano, mas de qualquer forma atuarei ativamente na tentativa de formar uma boa chapa de vereadores,com o presidente Daniel Vilela também auxiliando nesse trabalho para articular a chapa majoritária. 

Em relação à chapa majoritária, os dois principais nomes do partido, Ana Paula Rezende e Gustavo Mendanha, não devem ser candidatos. O neto do Mauro Miranda, Felipe Cecílio, se lançou pré-candidato, mas tem também a possibilidade da candidatura do deputado  Bruno Peixoto (UB). No momento, o que parecer ser mais viável? 

No ambiente partidário essa discussão ainda não acontece e vai passar a acontecer com mais força no ano que vem. Nos bastidores, há vários nomes até pelo tamanho do MDB. Ana Paula era um grande nome, tem todo o legado do pai dela, infelizmente – temos que respeitar a decisão dela – retirou o nome para uma eventual disputa aqui em Goiânia. Gustavo Medanha seria um excelente candidato. Todos nós torcemos, sabemos que não é fácil, mas torcemos para que a situação tenha uma solução que seja interessante para o partido. O Felipe eu conheço, é uma pessoa que está iniciando a sua vida política agora, e é interessante que pessoas do partido, pessoas capacitadas como ele se coloquem à disposição, mas temos outros também, como o deputado Charles Bento, que foi muito bem votado em Goiânia, e outros deputados que tem base em Goiânia; vereadores como Anselmo Pereira, que tem dez mandatos aqui na capital. Todos poderiam disputar uma candidatura majoritária como candidato a prefeito ou a vice. O presidente da Assembleia, Bruno Peixoto, apesar de estar no União Brasil, foi criado no MDB, fez no MDB toda a sua carreira política e tem uma ligação com o partido. E tem a candidatura do atual prefeito Rogério Cruz (Republicanos), que vai tentar se viabilizar e imagino que  vai tentar conversar com o MDB e até Vanderlan Cardoso (PSD), que está tentando uma reaproximação com a base do governo. A única coisa que eu posso afirmar com toda certeza nesse momento é que o União Brasil e o MDB, (Ronaldo) Caiado e Daniel caminharão juntos na eleição do ano que vem. Isso eu acho que é garantido. Difícil é antecipar essa discussão de candidaturas, tem vários candidatos que são bons, são viáveis e caminharão no mesmo projeto. Disso eu não tenho dúvida. 

A bancada do MDB teve um almoço com Bruno Peixoto,  logo após o parecer do TSE que foi contrário à candidatura de Mendanha. Tratou-se de uma eventual candidatura de Bruno?  

O presidente convidou os vereadores e toda a bancada de deputados estaduais do MDB e foi um almoço institucional, no qual foram tratados vários temas. Bruno em momento algum falou em candidatura, mas é claro que ele está articulando, mas não foi a intenção dele lá no momento. Falou dos problemas de Goiânia, de ideias que ele tem para poder melhorar a área da saúde, a área da economia e uma série de situações que ele expôs nesse almoço institucional, em clima informal de aproximação da bancada do MDB em Goiânia, dos seis vereadores com toda a bancada de deputados estaduais do partido. Foi tratado, por exemplo, a questão da formação da chapa de vereadores, que é uma preocupação da bancada, de formar uma chapa forte, de formar uma chapa que consiga minimamente manter o número de cargos que temos hoje na Câmara Municipal; alguns problemas que temos historicamente na capital; algumas ideias que Bruno tem na área da saúde, da  economia e, claro, da discussão da conjuntura política do estado de Goiás. 

Bruno Peixoto falou do projeto que tem para Goiânia?

Eu não diria um projeto, até porque ele não falou que seria um projeto dele, mas  falou sobre ideias que ele tem para assuntos relacionados a essas pautas, saúde, economia, limpeza urbana e assim sucessivamente. Mas ressaltando que ele não se colocou como candidato, até porque imagino que não seja o momento para isso. Foi um almoço que resultou em uma aproximação dos deputados da bancada do MDB com a bancada do MDB que está na Câmara. 

Henrique Alves - Vereador e presidente do Diretório Metropolitano do MDB
“O presidente da Assembleia, Bruno Peixoto, apesar de estar no União Brasil, foi criado no MDB, fez no MDB toda a sua carreira política e tem uma ligação com o partido.”

Por que não seria o momento para Bruno Peixoto tratar da candidatura, uma vez que as pessoas que têm intenção já estão se colocando como pré-candidatos?

Eu aprendi com o Iris, até pela convivência, que momento de eleição é de eleição. Agora é momento de construir propostas, de construir projetos e, principalmente, fazer gestão.Acho que tem que ser a preocupação do prefeito Rogério, é a preocupação do governador Caiado, até porque uma coisa que é fato e que todos concordam é que sem uma boa gestão não há projeto que se sustente. É necessário ter uma boa gestão, seja na assembleia, que é o caso do Bruno, que está como presidente daquele poder, seja do governo do estado, seja na prefeitura. Vai chegar o momento das discussões sobre candidatura, mas provavelmente vai acontecer na virada do ano.

O senhor citou a possibilidade de apoio à reeleição de Rogério Cruz. Seria a retomada da aliança de 2020, que depois foi rompida. Com todos os desgastes entre o prefeito e o MDB é possível estarem juntos em 2024?

Eu não descarto nenhum cenário. A primeira coisa que precisa acontecer é o prefeito Rogério se viabilizar, melhorar os índices de aprovação da gestão, e eu torço por isso até porque é bom para Goiânia que isso aconteça, que tenhamos uma boa gestão na prefeitura. A partir disso e em uma costura com o governador eu não  descartaria essa possibilidade.Mas o MDB tem candidatos fortes e que possuem viabilidade eleitoral aqui em Goiânia porque é o maior partido de Goiânia. O MDB vai ter espaço na chapa majoritária e uma chapa bem competitiva também na Câmara de Goiânia, e vai ter principalmente projetos para cidade, o que é o mais importante. O MDB já demonstrou que sabe governar, tem experiência e quadros competentes para isso. Eu não descartaria a possibilidade, mas primeiro e o mais relevante é obviamente Rogério e a gestão se viabilizarem eleitoralmente e só vamos ter essa certeza a partir do ano que vem.

Vanderlan Cardoso vem de uma disputa muito acirrada com o MDB na última eleição, que deixou muitas marcas em ambos os lados. Isso também pode ser superado e o MDB fazer uma aliança com o PSD em 2024?

É uma situação que não é tão fácil porque a última campanha foi uma campanha muito acirrada. Claro que na política deve-se pensar muito mais com a razão do que com a emoção. Vanderlan tem que dar uma sinalização. Não sei se ele vai, por exemplo, tirar uma licença do seu mandato para que o suplente, que é do MDB inclusive, o ex-deputado Pedro Chaves, assuma. Parece que Vanderlan tem esse compromisso com ele e seria uma sinalização. Vanderlan tem um um histórico  recente de embates com o MDB e, posteriormente, uma rachadura com o governador Caiado, porque não o apoiou na reeleição. É difícil descartar, mas realmente é uma aliança mais complicada de viabilizar. Vamos ver os próximos capítulos e pelo que estou vendo Vanderlan tem intenção de se reaproximar, e a Reforma Tributária é uma oportunidade para isso, até porque ele preside a Comissão de Assuntos Econômicos no Senado e tem dado apoio aos pleitos que são justos do governador Caiado e do governo do Estado. Se isso vai aproximar União Brasil e MDB do PSD  só vamos poder avaliar mais para frente, mas minha opinião é que é muito difícil que essa aliança venha ocorrer.

A aliança com Ronaldo Caiado inviabiliza definitivamente uma reaproximação com o PT em Goiânia?

Acho que estamos vivendo uma outra realidade. Eu sou da opinião que é necessário acabar um pouco com essa divisão ideológica que vivemos nos últimos anos em nosso país, essa divisão de PT e Bolsonaro.  No caso específico de Goiânia, uma eventual aliança entre MDB, PT e União Brasil não é possível, não em razão da questão ideológica, mas porque o PT já tem candidato. O deputado Mauro Rubem, o ex-reitor da UFG, Edward (Madureira), e a deputada federal Adriana Accorsi, que estão se movimentando e se colocando como candidatos na disputa. Eu acho uma aliança complicada porque obviamente o MDB vai querer ter um espaço na chapa, ser cabeça de chapa ou fazer uma composição com o partido do governador ou uma outra possibilidade. No caso do PT, o partido já tem candidato e já está numa discussão sobre a disputa eleitoral do ano que vem e, em razão disso, acho que é um pouco mais complicado viabilizar pelo menos para agora. No futuro e em outros municípios isso não pode ser descartado.

Em relação à reforma administrativa em curso na Prefeitura de Goiânia, um grupo de vereadores ficou contrariado com as mudanças e se sentiu alijado do processo, inclusive de vereadores do MDB. Qual a opinião do senhor?

Primeiro é importante ressaltar que essa é uma competência do prefeito e cabe ao prefeito definir os seus auxiliares e quem ele vai convidar para fazer parte da gestão. O MDB não foi chamado para essa conversa, pelo menos até o presente momento, e o partido tem muitos quadros qualificados e que podem contribuir com qualquer gestão, até porque já comprovou que fez gestões competentes no município de Goiânia e no estado. É natural que o MDB possa contribuir e cabe ao prefeito esse convite.     

O senhor disse que o prefeito precisa melhorar a avaliação da gestão e a prefeitura deu início a ações, como os mutirões, que eram a marca de Iris Rezende. Como o MDB vê essa movimentação de Rogério Cruz? 

Eu fico feliz que seja uma marca do Iris e algo visto como do MDB. Mas o nome não é patenteado e inclusive o governador fez uso desse nome e fez algumas ações no ano retrasado. Que bom que o prefeito Rogério está utilizando deste expediente e deveria ter começado antes. É importante o prefeito se aproximar das pessoas, mostrar para a população que ele tem trabalhado, que a prefeitura está no local, isso faz a diferença. Não sei se vai dar tempo de o prefeito recuperar sua popularidade, suas avaliações positivas. Mas antes tarde do que nunca. Acho que é um programa que já deveria ter começado e que bom que ele se iniciou. 

O relatório final da CEI da Comurg foi muito criticado porque não avançou na solução dos problemas diagnosticados na companhia. O senhor, que integrava a comissão, tem uma avaliação diferente?

Eu falo por mim, não pelos outros vereadores, pelo relator. Eu tive a oportunidade de fazer os questionamentos que queria, convocar algumas pessoas que eu julgava importante, e o que percebemos, pelo menos não apareceu na CEI, não havia indícios de crime, de ato ilícito dentro da Comurg. Se existe, pelo menos não ficou claro. O que ficou muito claro foi a má gestão. Ficou muito claro que a forma como a  Comurg está sendo conduzida e esses problemas que estamos tendo na cidade: a falta de transparência da companhia em relação aos atos dela; o fato de não haver um limite de comissionados; a questão de colocar fiscais de contratos muito mais pelo relacionamento do que por uma capacitação técnica; a manutenção dos veículos; a dívida da Comurg, que é gigantesca. Inclusive, nem tem isso fechado para se saber o tamanho real da dívida. Mas o relatório, da forma como ficou,  explicita todos esses problemas e sugere. Sugere não porque, de certa forma, responsabiliza o presidente da companhia para que tome providências em determinado prazo. Foi sugerido até um termo de ajustamento com o presidente, acho que nem seria o termo correto porque essa é uma figura de ações civis públicas, de termos de ajustamento de conduta, de multas. O termo seria de compromisso, algo nesse sentido, sob pena de encaminhar para os órgãos de controle. O que ainda precisa ser feito. E conversei com o presidente da Câmara, (Romário Policarpo)  e com o presidente da CEI, vereador Ronilson (Reis), porque é necessário fazer esse documento para que o presidente da Comurg tenha efetivamente esse compromisso, não com a Câmara, mas com a população de Goiânia, de implementar um Portal da Transparência; colocar uma limitação de 10% do total de servidores de comissionados para se ter um teto de comissionados na Comurg; passar a ter um cuidado maior em relação aos fiscais de contrato, uma série de situações que estão item por item relatadas nesse auto. O que está realmente demorando é a formatação deste termo de compromisso com o presidente e isso tem que ser feito. E seria interessante se o prefeito revisse também a diretoria da Comug, ele precisa rever algumas situações dentro da companhia. Não sei se ele está aguardando a assinatura do termo, mas  algumas ações precisam ser tomadas urgente.Se não forem tomadas quem vai sofrer é a população.

O prefeito Rogério Cruz disse à Tribuna do Planalto que pode voltar a terceirizar a coleta de lixo na capital, desde que o relatório sugira. Qual a sua opinião sobre essa possibilidade?

O relatório explicita o problema, principalmente do maquinário da Comurg, da falta de manutenção preventiva dos caminhões e do problema na coleta que estamos tendo. Como sugestão, o relatório traz que a Comurg poderia adquirir novos veículos ou poderia terceirizar a frota ou terceirizar o serviço. Eu acho que não é o mais correto terceirizar 100% da coleta. Primeiro, essa é a finalidade da companhia e ela  teria um problema inclusive com os próprios trabalhadores, que teriam que ser lotados em outros locais e eles ficariam em desvio de função. O que traria um problema trabalhista para a companhia no futuro. A solução seria terceirizar a frota da companhia se a Comurg não tiver condições de dar manutenção, o que  realmente é difícil comprar peças, porque são caminhões que são muito utilizados e que estragam com certa frequência. Economicamente seria mais interessante para o município terceirizar a frota da companhia e cobrar obviamente da empresa que fornecer os veículos. O serviço tem que ficar com a companhia e a terceirização deveria ser somente da frota. 

Qual a sua avaliação sobre o Plano Diretor, o que avançou e o que ficou devendo?

Eu tive a honra de ser secretário de Planejamento na gestão de Iris Rezende e a  oportunidade de coordenar o trabalho do Plano Diretor. O plano aprovado em Goiânia, se não é o ideal, é um bom plano se comparado com outras cidades. Tivemos alguns pontos positivos, como a restrição do potencial construtivo de algumas áreas, retirou-se um pouco o adensamento do Setor Bueno, Jardim Goiás, Alto da Glória e distribuiu em outros locais que têm esse potencial; os empreendedores não vão conseguir construir prédios tão altos quanto eles conseguiam antigamente; melhoramento de todos os estudos e instrumentos do plano, o estudo de impacto de vizinhança foi melhorado, exigindo para empreendimentos residenciais; o mapeamento de toda a mobilidade da cidade, onde são necessárias intervenções e onde não são; a questão do Centro de Goiânia e de Campinas, que foram dadas as isenções para empreendimentos; o mapeamento histórico da capital, dos bens históricos de Goiânia, coisa que não existia e que hoje, no Plano Diretor, consta todos os bens que são tombados e acautelados da cidade. Isso dá segurança jurídica para quem vai investir e proteção para aqueles bens que são importantes para a cidade. A questão ambiental, adequação em relação às leis federais, e uma série de aspectos que foram  positivos. O que poderia ter sido melhor e vai depender da regulamentação do plano é a questão econômica, os incentivos para os polos de desenvolvimento econômico e  industrial, que Goiânia precisa.  O plano criou esse instrumento, mas o município ainda vai ter que regulamentar.

O MDB não foi chamado para conversar sobre a reforma administrativa, pelo menos até o presente momento, e o partido tem muitos quadros qualificados e que podem contribuir com qualquer gestão.”

 

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