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Filiação e candidatura de José Eliton pelo PT são conversas apenas da presidência, diz Mauro Rubem

Deputado revela que tratativas, embora já feitas com figuras nacionais do partido, não chegaram a filiados de Goiás, que, juntos a outras legendas, constroem a Frente Progressista


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 18/10/2025 - 12:01

Filiação e candidatura de José Eliton pelo PT são conversas apenas da presidência, diz Mauro Rubem
Olavo Noleto, José Eliton e Adriana Accorsi: encontro foi realizado na casa do ex-governador. (Foto: Reprodução)

A possibilidade de o ex-governador José Eliton (sem partido) se filiar ao PT e ser o candidato da legenda ao governo estadual nas eleições de 2026 não foi discutida com os filiados com ou sem mandato, embora já tenha sido debatida pela direção goiana com o próprio e com correligionários nacionais. O deputado estadual Mauro Rubem (PT), por exemplo, revela não ter participado de reunião sobre o assunto. “Não tive nenhum contato. Isso [conversas] tem sido ainda na esfera da presidenta Adriana Accorsi. Tem informações que não chegaram”, diz ele, que afirma não acreditar na escolha de Eliton. “Não o vejo com uma candidatura já tão precoce no PT para cumprir esses desafios que o momento e a polarização política, que já extrapola as fronteiras brasileiras, exigem. Então, eu entendo que ele não cumpriria esse papel.”

No início deste mês, José Eliton voltou às articulações políticas após anos afastado para se dedicar à advocacia. Ele tem mantido conversas com a deputada federal e presidente do PT em Goiás, Adriana Accorsi, para compor uma “frente progressista” no estado e em apoio à reeleição do presidente Lula (PT). Os dois já conversaram também com o secretário executivo da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Olavo Noleto. Adriana, que aparece nas pesquisas em terceiro ou quarto lugar das intenções de voto no estado, é outro nome cotado para a disputa ao governo de Goiás, pelo seu partido, mas admitiu a possibilidade de o ex-governador ser o escolhido, dependendo da estratégia do grupo formado pelo PT e aliados.

O encontro do trio chegou a ser divulgado pelo ex-governador em suas redes sociais, com sinais de positividade quanto aos possíveis novos colegas de partido e com projeto para Goiás em vista. “Fiquei feliz em ver nos dois a vontade de fazer o Brasil avançar e Goiás reencontrar o caminho da Justiça”, escreveu Eliton.

Sobre a possibilidade de se filiar um novato como José Eliton para já disputar mandato de governador, o deputado se ancora no histórico do partido para defender um nome mais ambientado. “Entendo que a decisão de ele vir para o PT, caso isso se consolide, é uma evolução política. Porque eu acredito muito no que o PT faz. Mas acho que precisamos, e é nisso que estou advogando, é de ter um nome que realmente tenha uma identidade forte com o que é o PT, com o que é o projeto que o PT expressa hoje. Estamos recebendo ele como uma pessoa que tem uma experiência importante, que vai militar conosco, e tem muitas funções importantes que ele possa cumprir. Porém, a tarefa de um candidato a governador, eu entendo pessoalmente, teria que ser para alguém com vínculo maior.” 

Há ainda, nas discussões, em nome do grupo, conforme disse a presidente Adriana Accorsi, “a depender da estratégia”, o lançamento de um nome de outro partido, que no caso poderia ser o de José Eliton. Em 2022, o ex-governador fez ensaio semelhante ao atual e chegou a se filiar ao PSB. Seu nome foi cogitado para a disputa ao governo, assim como agora. Ele apoiou as candidaturas de Lula e Geraldo Alckmin à Presidência, e trabalhou junto com o grupo esquerdista do estado.

Mauro Rubem, no entanto, argumenta que se faz necessária uma candidatura própria do PT para o partido ter “a oportunidade de defender o legado de Lula e mostrar os investimentos que o governo federal trouxe para Goiás”. Ele cita ainda o acirramento ideológico, que praticamente chegou ao ápice e também extrapolou as fronteiras do país como outro motivo. “Defendo que o PT tenha um nome próprio, compondo com os demais partidos para as outras vagas, a de vice e as duas de senador. Porque temos que ter uma cara com alguém daqueles que têm realmente domínio sobre o que defendemos.”

Nos governos em que José Eliton foi vice e governador, o PT foi oposição, e nacionalmente polarizava com o PSDB. “Ele fez autocrítica e viu que o que desenvolve o país é um governo de esquerda progressista. Acho que isso é correto, salutar, para cumprir um projeto junto das forças políticas progressistas e que entende que a sociedade precisa se desenvolver nas bases que a esquerda tem apresentado”, observa Mauro Rubem.

Os entusiastas da Frente Progressista trabalham para que ela seja composta também pelo PC do B, PV, PSOL, Unidade Popular e PCB. “Existe uma reconfiguração no Brasil como um todo, os partidos estão também se movimentando, pode ser que outras siglas se interessem a compor uma frente progressista e democrática. Então, podemos aí ter, provavelmente, outros partidos que possam adiante participar”, diz Mauro Rubem. 

Um desses partidos, segundo ele, é o PSB. “Tem sido boas as conversas. Ele compõe aí um grupo de apoio ao governo do estado. Mas, na minha leitura, ele deve, com certeza, compor o projeto de reeleição do presidente Lula, isso é fato, provavelmente com o próprio Alckmin sendo o vice-presidente. Porém, aqui em Goiás, também vejo com muita expectativa de que o PSB componha uma chapa forte, baseada nesse projeto estrutural que muda o Brasil, para a gente também ter aqui um palanque forte de reeleição do Lula.”

A Frente Progressista pré-definiu dezembro como data para apresentar os nomes para a chapa majoritária e evitar que, como em eleições anteriores, tenha-se pouco tempo para trabalhá-los junto ao eleitorado. Para as de deputados estaduais e federais, Mauro Rubem diz que o objetivo é eleger três federais, um a mais que os atuais, e de cinco a seis estaduais. “Já estamos, é óbvio, trabalhando, e a gente sempre trabalha até o último dia.

Thiago Queiroz

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