Bad Bunny levou a cultura latino-americana ao centro do maior palco esportivo dos Estados Unidos. No intervalo do Super Bowl LX, neste domingo (8), o artista porto-riquenho apresentou um show inteiramente em espanhol e apostou em símbolos, ritmos e narrativas ligadas às suas origens, levantando o público presente no Levi’s Stadium, em Santa Clara, na Califórnia.
Desde o início, a apresentação deixou clara sua proposta. Bad Bunny surgiu em um cenário inspirado no álbum Debí Tirar Más Fotos, vencedor do Grammy de Melhor Álbum em 2025, e abriu o set com “Tití Me Preguntó”. Ao longo da canção, referências visuais à cultura latina ocuparam o gramado, enquanto a encenação de um casamento deu sequência a “Yo Perreo Sola”. Em seguida, o cantor subiu no telhado de uma casa cenográfica, que cedeu de forma coreografada, reforçando o caráter performático do espetáculo.

Participações especiais e simbolismo no palco
Além disso, o show contou com participações pontuais. Lady Gaga apareceu para interpretar “Die With a Smile”, em versão com ritmo de salsa, marcando a única música em inglês da apresentação. Logo depois, Bad Bunny retomou o protagonismo com “BAILE INoLVIDABLE” e “NUEVAYoL”. Na sequência, Ricky Martin entrou em cena para cantar “LO QUE LE PASÓ A HAWAii”, reforçando o elo entre gerações da música latina.
O momento mais simbólico, porém, ficou para o encerramento. Bad Bunny entregou a uma criança o troféu do Grammy recebido dias antes, em uma metáfora direta de retorno às próprias origens. Ao mesmo tempo, figurantes hastearam bandeiras de países das Américas, enquanto o cantor citava diversas nações, incluindo o Brasil. Por fim, Benito encerrou o espetáculo com “DtMF”, seu maior sucesso.
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Reação política e crítica de Donald Trump
A apresentação não repercutiu apenas no campo cultural. Pouco depois do show, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou um longo tweet criticando duramente o intervalo do Super Bowl. Na postagem, Trump classificou o espetáculo como “absolutamente terrível”, afirmou que não representava os valores americanos e atacou tanto a dança quanto a performance, alegando que o conteúdo seria inadequado, inclusive para crianças.
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A crítica se insere em um contexto mais amplo. Episódios pontuais já geraram controvérsia, como a apresentação de Beyoncé em 2016 ou o protesto envolvendo um dançarino no show de Kendrick Lamar, em 2025. Desta vez, porém, o cenário político amplia o impacto da escolha artística.
O Super Bowl ocorre em meio a uma onda de manifestações contra o ICE, após mortes atribuídas à agência de imigração no Minnesota. Durante o anúncio de Bad Bunny como atração, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, chegou a afirmar que o ICE estaria “em todo lugar” durante o evento. Dias depois, a chefe de segurança da NFL, Cathy Lanier, negou qualquer participação da agência na operação do jogo.
Nesse ambiente de tensão, a presença de Bad Bunny ganha outra dimensão. Em um momento em que políticas anti-imigração dominam o debate público, um artista identificado como porta-voz da comunidade latina ocupou o centro do maior evento esportivo do país. Assim, mais do que um show musical, o intervalo do Super Bowl LX expôs as fraturas culturais e políticas que atravessam os Estados Unidos atualmente.















