A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES/GO) confirmou o primeiro caso de febre Oropouche no estado, identificado no município de Anápolis. De acordo com o órgão, trata-se de um caso autóctone, ou seja, com transmissão local, sem histórico de viagem para áreas com registros da doença.
O paciente, um homem adulto, procurou atendimento em uma unidade de saúde no dia 24 de março, inicialmente com suspeita de dengue. Ele apresentava sintomas como febre, exantema e tontura. Após a realização de exames e acompanhamento clínico, o diagnóstico de febre Oropouche foi confirmado. Segundo a SES/GO, o quadro foi considerado leve e o paciente evoluiu para cura.
A confirmação laboratorial foi feita pelo Laboratório Estadual de Saúde Pública Dr. Giovanni Cysneiros, que já realiza monitoramento de arboviroses como dengue, zika, chikungunya e a própria febre Oropouche. Somente neste ano, mais de 6 mil amostras foram analisadas para a doença, com uma confirmação registrada até o momento.
A investigação epidemiológica apontou ainda a presença do inseto transmissor no município, o Culicoides paraensis, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora. A transmissão ocorre quando o inseto pica uma pessoa ou animal infectado e, posteriormente, transmite o vírus a outro hospedeiro. Equipes de vigilância seguem monitorando a circulação do vetor e possíveis novos casos.
Os sintomas da febre Oropouche são semelhantes aos da dengue e incluem dor de cabeça intensa, febre, dores musculares, náuseas e diarreia. Um dos diferenciais da doença é a possibilidade de recidiva dos sintomas, que pode ocorrer em até 60% dos pacientes, geralmente entre uma e duas semanas após a melhora inicial.
De acordo com a subsecretária de Vigilância em Saúde, Flúvia Amorim, não há motivo para alarme, mas é fundamental que a população adote medidas preventivas e esteja atenta aos sintomas. “O monitoramento da febre Oropouche já é realizado e a população deve colaborar com a eliminação de criadouros e cuidados para evitar o contato com o mosquito”, destacou.
O diretor de Vigilância em Saúde de Anápolis, Daniel Soares, informou que as equipes atuam de forma integrada, envolvendo vigilância epidemiológica, sanitária e de zoonoses, com ações voltadas ao controle do vetor e monitoramento de áreas de risco.
Entre as principais recomendações estão o uso de repelentes, roupas compridas, instalação de telas finas e eliminação de possíveis criadouros, como acúmulo de matéria orgânica. Embora não haja tratamento específico para a doença, o atendimento médico é essencial para o manejo adequado dos sintomas e acompanhamento dos casos.














