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Agosto de 2026 empata com julho de 2023 como mês mais quente da história, aponta estudo

Agosto de 2026 empata com julho de 2023 como o mês mais quente da história, com temperatura média de 16,96°C e oceanos em recorde


Fábio Prado Por Fábio Prado em 11/09/2026 - 15:34

Agosto de 2026 empata com julho de 2023 como mês mais quente da história, aponta estudo
Nasa capta imagem do El Niño – fenômeno meteorológico que eleva as temperaturas — Foto: Sentinel-6 Michael Freilich / Nasa

Temperatura média global atingiu 16,96°C, 1,65°C acima do nível pré-industrial. Oceanos também registraram recorde, e Europa Ocidental teve o verão mais quente da história.

O mês de agosto de 2026 empatou com julho de 2023 como o mês mais quente já registrado no planeta. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (10) pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia. A temperatura média global do ar na superfície atingiu 16,96°C, superando em 0,01°C o recorde anterior. Devido à diferença mínima, o observatório considera que os dois meses compartilham o topo da série histórica.

O valor ficou 1,65°C acima da média estimada para o período pré-industrial, de 1850 a 1900. Esta foi a primeira vez desde novembro de 2025 que a barreira de 1,5°C foi superada. O Acordo de Paris estabelece como meta limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais para evitar os piores efeitos das mudanças climáticas.

Oceanos batem recorde histórico

O calor extremo não se limitou à atmosfera. A temperatura média da superfície do mar fora das regiões polares atingiu 21,07°C em agosto. Esse é o maior valor já registrado para um mês de agosto e empata com março de 2024 como a maior média mensal da série. Nos dias 24 e 25 de agosto, a temperatura chegou a 21,11°C, um novo recorde diário.

As águas permaneceram especialmente quentes no Pacífico tropical, onde estão presentes as condições do El Niño. Segundo o Copernicus, o fenômeno deve se fortalecer nos próximos meses e pode se transformar em um dos episódios mais intensos já registrados. Mais de 90% do excesso de calor retido pelas emissões de gases do efeito estufa é absorvido pelos oceanos.

Europa tem verão mais quente da história

A Europa Ocidental enfrentou o verão mais quente de sua história, superando o recorde anterior de 2003. A região registrou uma sucessão de ondas de calor excepcionalmente precoces, persistentes e intensas desde maio. A temperatura média de agosto no continente europeu foi de 20,26°C, cerca de 1,10°C acima da média de 1991 a 2020.

As condições de seca severa atingiram o Reino Unido, a França, a Hungria, a Romênia e a Sérvia. Grandes rios europeus, como o Reno, o Danúbio e o Dnipro, apresentaram níveis excepcionalmente baixos. Deslizamentos de terra e enchentes mataram centenas de pessoas no Nepal e no Tibete. Incêndios florestais se alastraram por países como Indonésia, Grécia e Bélgica.

Degelo nos polos preocupa

O derretimento do gelo marinho apresentou dados preocupantes nos dois polos. A cobertura de gelo no Ártico registrou a 12ª menor extensão da história para o mês de agosto. A Antártida teve o quarto pior índice já monitorado.

“Os seres humanos não vivenciam temperaturas tão altas quanto as de hoje há, possivelmente, pelo menos 100 mil anos”, afirmou Samantha Burgess, líder estratégica de clima do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, órgão que coordena o Copernicus.

O chefe de clima da ONU, Simon Stiell, reagiu aos dados. “As evidências são irrefutáveis. Este é o preço crescente da dependência da humanidade em combustíveis fósseis e da crise climática global que ela alimenta”, afirmou. A ONU alertou que o planeta continuará avançando em direção a níveis nunca observados até que a humanidade abandone os combustíveis fósseis.

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