Não tem milagre, se o caixa do clube não permite altos investimentos em atletas renomados, a alternativa é formar jogadores em sua própria base. Caso contrário, a história vai se repetir sempre, como acontece há muitos anos no futebol goiano. Contratações só de jogadores veteranos, sem vínculos, ou apostas que na maioria das vezes não resolvem. Por isso nosso futebol se estabeleceu na série B. Quando sobe, no caso de Atlético e Goiás, a permanência na elite é curta e previsível. No ano seguinte estão de volta. Não dá para competir com os times da série A, a diferença de faturamento é grande demais.
Os clubes do futebol brasileiro estão partindo para as negociações com SAFs, investidores que adquirem as agremiações, com promessas de quitação de dívidas, investimento em estrutura e formação de times competitivos. Alguns têm dado certo, outros não. O Bahia é um exemplo de SAF que deu certo. O Vasco é o exemplo que deu tudo errado. Portanto, é uma solução que nem sempre resolve. Além do que, em alguns casos, como o Bragantino, a SAF exigiu até a troca das cores tradicionais do clube. Aí não dá…
A fórmula ideal não é nova. O investimento nas categorias de base continua dando resultados que impressionam. Exemplos disso são Palmeiras, Santos e Flamengo, que formam craques, vendidos por valores expressivos antes mesmo de completarem 18 anos. E assim vão formando caixa para o pagamento de dívidas, investimentos em estrutura e contratação de bons jogadores para o elenco principal disputar e vencer as principais competições nacionais e internacionais.
A Base no futebol goiano

Goiás, Atlético e Vila Nova já foram grandes formadores de craques, mesmo em um tempo em que não possuíam estrutura digna para a garotada treinar. O Atlético já formou para o Brasil e para o exterior, craques como Julio Cezar, o Imperador; Baltazar, o cabecinha de ouro; Valdeir, o The Flash; Lindomar, entre outros. Hoje, com uma excelente estrutura, não forma praticamente ninguém. Adson Batista não dá muita atenção para a base. Acha que a base gasta muito e entrega quase nada.
Já o Goiás, sempre foi um celeiro na formação de craques. Com um campo para dividir com todas as categorias, inclusive os profissionais, o Goiás revelou craques como Luvanor, Zé Teodoro, Macalé, Cacau, Tulio Maravilha, Fernandão, Carlos Alberto Santos, Danilo, entre outros. Hoje a base do Goiás ainda revela alguns bons nomes, mas longe da safra acima mencionada. Vale lembrar que, com a venda de Luvanor para o Catânia, da Itália, o Goiás comprou e construiu o CT do Parque Anhanguera, hoje, um dos locais mais valorizados da cidade.

O Goiânia já formou bons jogadores, mas hoje está com suas atividades praticamente paralisadas. O Vila Nova tem o orgulho de ter revelado o volante Fernando, que foi vendido ao futebol europeu, onde fez muito sucesso. Voltou para o Vila Nova, jogou algumas partidas e se transferiu para o Internacional de Porto Alegre. Contundido, rescindiu seu contrato e avalia a possibilidade de encerrar sua carreira. Foi a principal revelação do Vila Nova, mas foi negociado à época por um valor muito abaixo do que valia.
No passado, o Vila Nova revelou grandes jogadores, como Fernandinho, Guilherme, Luciano, Roni, Zé Henrique, mas naquela época, os craques jogavam muito mais e eram vendidos por muito menos. Não existiam as transações milionárias da atualidade. Hoje, qualquer atleta mediano é negociado por verdadeiras fortunas.

O futebol goiano ainda vai permanecer por muito tempo às margens dos principais centros do futebol nacional. A CBF pouco se importa com os times da “prateleira de baixo”. Melhor que fiquem nas séries B, C e D. A maior fatia do bolo continuará nas mãos dos times dos grandes centros. Para os Estados periféricos, só migalhas. Por isso os grandes ficam mais fortes e mais ricos. Quando algum time, como os nossos, se aventuram pela série A, são goleados, humilhados e rebaixados no mesmo ano. Não dá para competir.
O Goiás deve subir. E depois?
Dos três participantes goianos na atual série B, o Goiás é o único com possibilidade de acesso. A torcida vibra, se sente orgulhosa, faz piada dos adversários e depois sofre derrotas humilhantes e volta para a série B cabisbaixo. Tem sido assim, não só com o Goiás, mas com o Atlético também, como foi ano passado. Vale a pena subir? Vale porque entra muito dinheiro, mas insuficiente para formar times capazes de competir com os poderosos. Basta analisar os exemplos de Fortaleza e Atlético Paranaense. Times que, em tese, deixaram a condição de intermediários para se juntarem à turma do andar de cima. Ficaram por lá algum tempo, mas não se sustentaram. Estão voltando endividados para a série B.
Hailé Pinheiro, o maior dirigente da história do Goiás, disse certa feita que ser campeão brasileiro para o time esmeraldino seria uma tragédia. O clube estaria irremediavelmente endividado, sem capacidade de recuperação. Nunca concordei com ele. Será que ele tinha razão?
>>> O técnico da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti, tem um generoso contrato com a CBF. R$ 5 milhões/mês de salários; passagens aéreas Brasil/Europa/Brasil; casa de alto padrão enquanto estiver trabalhando no Brasil. >>> Quando não houver competição, como agora, vai pra casa e fica assistindo à bolada mensal cair em sua conta bancária. Mas fará do Brasil uma seleção campeã novamente? >>> Até o momento demonstrou virtudes. Teve coragem de deixar Neimar fora da última convocação. Fez um bem ao futebol brasileiro. Neimar é apenas uma lenda do passado recente. Ex-ator insistindo em continuar nos grandes palcos. >>> Mas as qualidades de Ancelotti talvez não sejam suficientes para fazer do time brasileiro uma seleção vencedora novamente. O futebol internacional evoluiu, o brasileiro não. >>> Hoje encontramos dificuldades em vencer seleções que antes eram goleadas impiedosamente, como os casos de Venezuela, Equador, entre outras. >>> O futebol mudou. Para pior. Antes, o jogador precisava se destacar no Brasil, ser campeão por aqui, jogar na seleção brasileira e depois ser negociado para o exterior. >>>> Hoje não, o garoto sai com 16 anos, fica milionário e não desenvolve o interesse em defender a seleção nacional. Se é convocado, vem contra sua vontade. Pulou etapas.














