O Discord levou até 17 dias para responder a pedidos emergenciais de remoção de conteúdo na plataforma. A informação consta em um relatório da Polícia Civil de São Paulo, obtido pela Folha de S.Paulo e reproduzido por outros veículos de imprensa.
O documento foi produzido pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Polícia Civil de São Paulo. O relatório foi encaminhado ao Ministério Público de São Paulo, à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e à Advocacia-Geral da União (AGU).
Os investigadores analisaram 63 comunicações emergenciais enviadas ao Discord entre maio de 2025 e janeiro de 2026. Os alertas envolviam transmissões ao vivo de incitação ao suicídio, tortura de animais, vazamento de fotos íntimas de menores para chantagem, ataques a escolas e planos para atear fogo em moradores de rua.
A média de atendimento das notificações foi de 17 horas. No entanto, houve casos com prazos muito maiores. Em julho de 2025, um pedido para retirar uma sala sobre a matança de gatos demorou 16 dias, 18 horas, 29 minutos e 33 segundos para ser respondido. O caso terminou com a recusa da plataforma.
Em outro episódio, um alerta de emergência sobre maus-tratos transmitidos ao vivo, enviado em 4 de agosto, não havia recebido resposta, segundo o relatório. Em um dos casos, foram 190 horas (quase oito dias) até a resposta e a derrubada de uma sala usada para estupros virtuais e automutilações.
O relatório aponta que o Discord não possui mecanismos adequados para impedir que menores tenham acesso a conteúdos impróprios ou ilícitos. A polícia também aponta fragilidades no cadastro: seria possível entrar na plataforma sem fornecer informações suficientes para uma identificação confiável.
Segundo o documento, o Discord tem enviado apenas endereços de IP, sem a chamada porta lógica de origem. Isso dificulta a identificação de usuários, pois vários deles podem compartilhar o mesmo IP.
O relatório afirma que o atraso mantém a audiência ativa, facilita o compartilhamento dos conteúdos e prolonga a exposição das vítimas. Em um documento de 26 de junho, o Noad afirmou que a empresa Discord tem reiteradamente adotado conduta morosa diante de pedidos de retirada de servidores com práticas criminosas graves.
Procurado, o Discord contestou os casos citados no relatório. A empresa afirmou que o relatório do Noad considerou o encerramento do chamado, e não o momento em que a medida de mitigação foi adotada. O Discord disse ter identificado solicitações duplicadas, uso de canais incorretos, falta de acompanhamento e casos em que medidas já haviam sido adotadas, mas foram reportadas como demoradas.
As transmissões ao vivo do Discord estão suspensas no Brasil desde 12 de agosto. A medida foi adotada após a ANPD identificar o uso recorrente do recurso em episódios de violência, assédio e indução à automutilação e ao suicídio envolvendo crianças e adolescentes.
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Denúncias de crimes ou conteúdos ilegais em plataformas digitais podem ser feitas à Polícia Civil ou ao Ministério Público. Em caso de situações de violência envolvendo crianças e adolescentes, o Disque 100 (Direitos Humanos) recebe denúncias anônimas.










