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Dólar abaixo de R$ 5 e ações em alta: mercado reage às urnas

Ativos brasileiros dispararam no exterior depois que Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Lula


Marília Rodrigues Por Marília Rodrigues em 05/10/2026 - 10:07

Dólar abaixo de R$ 5 e ações em alta: mercado reage às urnas

O resultado do primeiro turno das eleições mexeu com o mercado financeiro nesta segunda-feira (5). O dólar abriu em queda superior a 4% e voltou a ser negociado abaixo de R$ 5, enquanto ações de grandes empresas brasileiras dispararam nos Estados Unidos.

Logo no início dos negócios, a moeda norte-americana era vendida por aproximadamente R$ 4,99. Por volta das 9h09, o dólar à vista recuava 4,44%, cotado a R$ 4,985. O valor é parcial e poderá mudar durante o dia.

A reação ocorreu após Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno da eleição presidencial na liderança, com 47,03% dos votos válidos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 45,16%.

Os dois candidatos voltarão a se enfrentar no segundo turno, marcado para 25 de outubro. O resultado da primeira votação surpreendeu parte do mercado porque contrariou a maioria das pesquisas divulgadas na reta final da campanha.

Ações brasileiras disparam no exterior

Antes de a Bolsa brasileira abrir, os investidores já negociavam os papéis de empresas do país com forte valorização no exterior. O EWZ, fundo que reúne ações de algumas das principais companhias brasileiras, subia aproximadamente 12,7% em Nova York na manhã desta segunda. Na noite de domingo (4), os contratos futuros do fundo chegaram a avançar quase 10%.

As ações da Petrobras negociadas nos Estados Unidos tiveram alta próxima de 10% no pré-mercado. Os papéis da Vale também avançaram.

Na prática, a alta desses ativos indica que investidores estrangeiros aumentaram a procura por investimentos ligados ao Brasil depois do resultado eleitoral.

Por que o mercado reagiu assim?

Analistas avaliam que o desempenho de Flávio Bolsonaro e o avanço de partidos de direita no Congresso reduziram, neste primeiro momento, a percepção de risco dos investidores.  Parte do mercado espera que uma eventual vitória da oposição seja acompanhada por maior controle dos gastos públicos, reformas econômicas e medidas de ajuste fiscal. Essa leitura, no entanto, reflete expectativas e poderá mudar conforme a campanha de segundo turno avance.

A Eleven Financial Research afirmou que o resultado poderá beneficiar o Ibovespa, especialmente as ações de empresas menores ou mais endividadas. A instituição também prevê um desempenho positivo para o real e uma possível redução das taxas futuras de juros. “O desempenho do candidato da oposição e a mudança na composição do Congresso justificam uma redução inicial do prêmio de risco brasileiro, o que favorece Bolsa, real e redução das taxas futuras de juros”, explicou o estrategista-chefe da Krivo Capital, Marco Saravalle.

O mercado também já vinha antecipando parte desse movimento. Na sessão anterior, o Ibovespa terminou com alta de 2,63%, aos 192.114 pontos.

As cotações desta segunda-feira continuam oscilando e os percentuais registrados durante a abertura não representam o resultado final do dia.

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