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Entenda o caso dos cartazes que citando Raquel Lyra e morte do marido em Pernambuco

Peças anônimas espalhadas pelo Recife fazem acusações sem provas sobre tragédia ocorrida durante a eleição de 2022; governadora acionou as polícias Federal e Civil


Por Carlos Nathan Sampaio em 31/08/2026 - 11:18

Entenda o caso dos cartazes que citando Raquel Lyra e morte do marido em Pernambuco
(Fotos: Reprodução/Instagram)

Cartazes anônimos espalhados por ruas do Bairro do Recife provocaram reação política e levaram a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição, a procurar as polícias Federal e Civil. O material utiliza a morte de Fernando Lucena, marido da governadora, para fazer acusações sem provas contra ela.

O episódio mencionado nos cartazes ocorreu em 2 de outubro de 2022, no dia do primeiro turno das eleições estaduais. Fernando Lucena tinha 44 anos quando sofreu um infarto e morreu. Na época, Raquel disputava o governo pernambucano pelo PSDB. Mesmo abalada pela perda, ela avançou ao segundo turno e, posteriormente, derrotou Marília Arraes, tornando-se a primeira mulher eleita governadora de Pernambuco.

Quase quatro anos depois, a tragédia familiar foi utilizada nos materiais encontrados no domingo (30). Um dos cartazes apresentava uma fotografia de Raquel acompanhada da afirmação falsa de que ela teria matado o marido para vencer a eleição. Outra montagem colocava a governadora ao lado de Elize Matsunaga e Flordelis, ambas condenadas pela morte dos respectivos maridos, sob a expressão “Matadoras de maridos”. Uma terceira peça mostrava uma imagem manipulada de Raquel com o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), acompanhada da mensagem “Chapa anti-Lula”.

Raquel afirmou ter tomado conhecimento dos cartazes ao consultar as redes sociais antes de seguir para uma agenda de campanha na Zona da Mata Sul. Em vídeo, emocionada, pediu que a disputa eleitoral não ultrapassasse os limites da política. “Respeite minha família, respeite meus filhos, respeite quem não está mais aqui, respeite minha dor”, declarou.

A governadora registrou boletins de ocorrência na Polícia Federal e na Polícia Civil. A coligação Pernambuco de Coração também informou que acionará o Ministério Público Eleitoral para solicitar a investigação da produção, do financiamento e da distribuição das peças. Até esta segunda-feira (31), nenhum responsável havia sido identificado publicamente.

Principal adversário de Raquel na disputa estadual, João Campos (PSB) repudiou o material, negou qualquer envolvimento de sua campanha e anunciou que também recorreria à Justiça. Campos lembrou que perdeu o pai, Eduardo Campos, durante a campanha presidencial de 2014, e afirmou que tragédias familiares não podem ser usadas como instrumento eleitoral.

O candidato Ivan Moraes (PSOL) também manifestou solidariedade à governadora e pediu uma investigação rigorosa. O senador Humberto Costa (PT), a vice-governadora Priscila Krause e candidatos ao Senado igualmente condenaram as peças. Agora, as autoridades deverão tentar identificar quem produziu, pagou e instalou os cartazes, além de verificar quais crimes eleitorais ou contra a honra podem ter sido cometidos.

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