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Futebol do interior mostra fragilidade no início do Goianão

Com duas rodadas concluídas, não dá para destacar nenhum time interiorano com favoritismo para chegar a uma final de campeonato


Herivelto Nunes Por Herivelto Nunes em 17/01/2026 - 14:14

Goiatuba, decepção no campeonato goiano (Divulgação)

Um abismo técnico e financeiro separa os clubes da capital e as equipes interioranas neste campeonato goiano. As primeiras rodadas registraram uma superioridade inquestionável, que passa pelo nível das contratações realizadas e pela capacidade financeira limitada dos nove clubes que representam o interior na competição estadual. Com duas rodadas concluídas, não dá para destacar nenhum time interiorano com favoritismo para chegar a uma final de campeonato.

Nem os tradicionais Crac de Catalão, Anápolis, Goiatuba e Aparecidense mostraram qualidades até o momento para fazer frente aos clubes da Capital, favoritos disparados para conquistar o título mais uma vez. Tradicionalmente mantidos pelas prefeituras municipais, as agremiações do interior encontram a cada ano maiores restrições de apoio, considerando que as prefeituras vivem em acentuada penúria financeira. É o caso da Aparecidense, que para esta temporada está se virando sem verba pública municipal, por dificuldades anunciadas pelo prefeito Leandro Vilela ainda no ano passado.

A inexistência de um calendário anual também dificulta muito a montagem de um elenco competitivo na maioria dos clubes do interior. É o caso do Centro Oeste, caçula do Goianão, Inhumas, Jataiense e Anapolina. Goiatuba, Anápolis e Aparecidense, que têm participações garantidas em competições nacionais durante todo o ano, também enfrentam sérios problemas financeiros, pois além das restrições financeiras do poder público municipal, ainda encontram resistência no empresariado de seus municípios em termos de patrocínio para ajudar a manter o clube em atividade durante toda a temporada.

Mesmo os clubes da capital, que possuem fontes de receita muito superiores aos clubes interioranos, apresentaram até o momento equipes limitadas tecnicamente. Vila Nova e Atlético venceram os dois primeiros jogos, mas sem mostrar um futebol capaz de convencer seus torcedores. O Goiás começou deixando a impressão que seria a principal força do campeonato, ao golear o Goiatuba por 4 a 0 na Serrinha, mas não mostrou o mesmo desempenho em Catalão contra o Crac, jogando um futebol apático, desanimador para o torcedor que compareceu à Arena Rifertil. O campeonato está só no começo, mas o título estadual dificilmente sairá da capital. O interior não mostrou força suficiente para conquistar o troféu. 

Rodízio de jogadores na Série B

Anselmo Ramon e Gegê não reforçam o Goiás

O nível de contratação de Goiás, Vila Nova e Atlético é desanimador. As três equipes vão disputar mais uma vez a série B do campeonato brasileiro e os atletas que estão sendo adquiridos são rodados em outras equipes da mesma competição. Muitos deles já passaram pelos clubes de Goiânia e não deixaram boas lembranças. É o caso de Marquinhos Gabriel, 35 anos, que chegou como a grande contratação do Vila Nova, mas passou pelo Goiás sem nenhum brilho. No mesmo Vila Nova, Janderson chegou para ser ídolo, mas na última passagem pelo Atlético não deixou boas recordações e, no ano passado, foi reserva no Clube do Remo.

O Goiás escolheu o pobre futebol alagoano como seu principal fornecedor de “reforços” para as temporadas de 2025 e 2026. Ano passado brigou com o time de Maceió para ter Anselmo Ramon como seu homem gol. O jogador foi contratado, mas aos 37 anos, não tem dado conta do recado. Não satisfeito, trouxe Gegê, meio de campo que ficou na reserva do limitado CRB, eterno participante da Série B do campeonato brasileiro. Ainda em Alagoas, o Goiás buscou o meia Bryan, que disputou a série C do brasileirão pelo CSA. O jogador atua na posição mais carente do clube esmeraldino, mas não consegue ser titular.

No Atlético a situação se repete. Adson Batista trouxe Igor Henrique, ex-Vila Nova, Kevin Ramírez, do fraco Amazonas e Geovane, que também já jogou nos dois adversários goianos da série B. Sem dinheiro para contratar jogadores de expressão nacional, clubes goianos ficam na mesmice, às vezes contratam jogadores desconhecidos na esperança de revelar algum jogador e fazer um bom dinheiro em futuras negociações. Foi o caso de Wellington Rato, vendido ao São Paulo e por último, o zagueiro Alix, o volante Baralhas e o goleiro Ronaldo, todos negociados pelo Atlético. 

Não existe mais ousadia no futebol goiano. Mas já existiu. Nas décadas de 70 e 80, nossos clubes contrataram jogadores que foram titulares em times considerados grandes nos principais centros do futebol brasileiro, Foi o caso de Danival, Modesto e Herivelto, no Vila Nova, Formiga, que era titular no Santos e foi comprado pelo Goiás, além de Baltazar, Dario, Dodô, Fabão, Iarley e muitos outros. Com as dificuldades financeiras e as mudanças que acontecem no cenário esportivo nacional e internacional, resta aos clubes goianos se adaptarem aos novos tempos, negociarem com empresas sólidas e confiáveis e passarem o comando das agremiações para as Sociedades Anônimas do Futebol, com poder de investimento capaz de devolver o futebol goiano o protagonismo que já teve no futebol nacional.

Mas é preciso desapego. Por aqui, todos falam em SAF, mas ninguém quer entregar os clubes para uma administração profissional, fora de seus “currais”. O Atlético Goianiense concluiu o processo de transição, estando habilitado para se transformar em SAF. O clube agora espera atrair capital para aumentar o investimento no futebol e também no patrimônio. Ocorre que o presidente da SAF é o próprio Adson Batista, atual presidente executivo. Valdivino José de Oliveira passa a ocupar a presidência da Associação Atlético-Go. Será que alguém vai investir no Atlético para Adson e Valdivino administrarem o dinheiro a ser investido? Eis a questão.

 

CURTAS

Michael a caminho do Santos
Michael a caminho do Santos

>>> O técnico Felipe Luis, do Flamengo, resolveu liberar jogadores considerados medalhões, além de Wallace Yan, Carbone e Iago, que sairão para adquirir experiência. Dos atletas com altos salários, serão negociados Michael e De La Cruz.

 

>>> Hayner, lateral que joga na direita e na esquerda, atuou no ataque vilanovense contra a Anapolina. O jogador polivalente, afirmou que joga onde o treinador o colocar. “O importante é estar no grupo e ajudar a equipe”, disse Hayner.

 

>>> O artilheiro Marcão, de 40 anos, é o camisa 9 da Aparecidense no campeonato goiano. Com todo o respeito à história do jogador, que marcou muitos gols defendendo o Atlético Goianiense, Marcão dificilmente vai alcançar o mesmo nível dos demais jogadores na competição.

 

>>> O lateral Nícolas, contratado pelo Goiás, até o presente não mostrou ser melhor do que Moraes e Lucas Lovat. Os meias Lourenço e Gegê, além do atacante Bruno Sávio também não mostraram nada além do que os jogadores que estavam no ataque esmeraldino no ano que passou.

 

>>> Com base no que apresentaram no meio da última semana, o Atlético leva um pequeno favoritismo para vencer o clássico contra o Goiás no domingo. Venceu o Anápolis e a Aparecidense sem jogar um grande futebol, mas o Goiás foi pior no empate contra o Crac.

 

>>> Umberto Louzer e Daniel Paulista precisam melhorar o desempenho de Vila e Goiás no campeonato goiano, caso contrário, as cobranças começarão a incomodá-los.

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Herivelto Nunes

Herivelto Nunes é Jornalista, com Pós Graduação em Gestão de Pessoas, Liderança e Coaching

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