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Galhofada transforma ruas de Goiânia em palco para três dias de arte e cultura gratuita

21ª edição da mostra reúne teatro, circo, música, oficinas, cinema, brincadeiras e cortejo no Setor Pedro Ludovico, entre 18 e 20 de setembro


Dhayane Marques Por Dhayane Marques em 14/09/2026 - 13:00

Foto: Davi Mello al

Durante três dias, o Setor Pedro Ludovico deixa de ser apenas caminho de passagem e ganha outra função: vira palco. De 18 a 20 de setembro, Goiânia recebe a 21ª edição da Galhofada – Pequena Mostra de Artes na Rua, evento que leva teatro, circo, música, cinema, oficinas, brincadeiras e cultura popular para as ruas do bairro, com entrada gratuita.

Criada em 2004, a mostra nasceu com uma proposta simples e, ao mesmo tempo, bastante potente: aproximar artistas e moradores e levar a produção cultural para fora dos espaços tradicionais. Mais de duas décadas depois, a Galhofada mantém essa característica e reúne, nesta edição, artistas de Goiás e convidados de Brasília e do Rio de Janeiro.

A programação foi pensada para quem quer assistir, mas também para quem prefere colocar a mão na massa. Oficinas de acrobacia aérea, tecido acrobático, atabaque, pintura, yoga e confecção de bonecas dividem espaço com espetáculos, rodas de conversa, cinema e apresentações musicais.

Cultura que ocupa a cidade

A proposta de ocupar a rua aparece também no cortejo que tradicionalmente marca a programação. No sábado, 19, a partir das 17h40, o desfile percorre as ruas do Setor Pedro Ludovico com a participação do Coró de Pau e Coró de Pau Mulher, sob o comando dos mestres Alemão e Geovana.

Neste ano, o cortejo ganha novos personagens. Estudantes dos cursos de Direção de Arte e Teatro do Instituto de Artes da Cena da Universidade Federal de Goiás (IAC/UFG) participaram da construção de bonecos que serão incorporados ao percurso. A experiência faz parte de uma parceria que aproxima a formação universitária da produção cultural na prática.

Antes do cortejo, o público poderá acompanhar Furdunço no Casamento de Marieta, da Cia. Animalenda, às 16h, e Contos de Sonhar Revoluções, de Flor de Luz Castro, às 17h15. A programação segue noite adentro com espetáculos e a Feirinha da Galhofa, que funciona das 18h às 22h no sábado e no domingo.

Artistas de diferentes gerações

Entre os nomes convidados está o carioca João Artigos, que chega à mostra com o projeto Cabeça de Nego em Gira – 40 anos de Encantos Coletivos. A programação marca quatro décadas de trajetória do artista como ator, palhaço, diretor e pesquisador.

A participação começa antes da abertura oficial, nos dias 16 e 17 de setembro, com a oficina Comicidade Preta – Riso como Fabulação Insurgente. Na sexta-feira, 18, ele participa do Varietê – Oficina de Palhaçaria Preta, às 19h30. No sábado, apresenta Cabeça de Nego, às 18h45.

Outro destaque é o Pé de Cerrado, de Brasília. O grupo escolheu Goiânia como última parada da etapa itinerante de uma circulação nacional que comemora seus 25 anos de trajetória. No sábado, às 19h50, apresenta Os Brincantes, espetáculo que mistura música, teatro, dança, circo e manifestações da cultura popular brasileira.

Na mesma noite, o público também poderá conferir o trabalho do grupo anapolino Cabras de Bigode, que pesquisa referências da música tradicional brasileira e aproxima elementos da cultura nordestina do universo caipira goiano.

Da universidade para a rua

A parceria com o IAC/UFG amplia uma das características da Galhofada: a possibilidade de transformar a produção cultural em espaço de aprendizado.

Além da participação dos estudantes na construção dos bonecos do cortejo, o domingo terá uma sessão do Cine Livre IAC, às 16h, com a exibição de Ava Yvy Vera – A Terra do Povo do Raio, conduzida pelo professor Dalmir Rogério Pereira.

A programação também ultrapassa os limites do Setor Pedro Ludovico. Na sexta-feira, 18, das 8h às 9h30, a Oficina de Acrobacia Aérea será realizada no Acro Circo, no Jardim Novo Mundo. A ação oferece 14 vagas mediante inscrição.

Um fim de semana para assistir e participar

No sábado, além dos espetáculos, o público poderá participar da Roda de Saberes da Rede Muda – Outras Economias e de oficinas de pintura, atabaque e tecido acrobático.

No domingo, a programação começa pela manhã e segue até a noite, com atividades como Girassol, do CAT, brincadeiras infantis em Molecagem, apresentações de circo, música e teatro, além da sessão do Cine Livre IAC e da Feirinha da Galhofa.

A variedade é parte da proposta. Em vez de concentrar a experiência cultural em uma única linguagem, a Galhofada aposta na mistura. É possível chegar para assistir a um espetáculo, parar em uma oficina, acompanhar o cortejo, conhecer a feira e terminar a noite com música. Tudo no mesmo território e sem cobrança de ingresso.

Mais de duas décadas de história

A longevidade da Galhofada também conta uma história sobre a própria produção cultural independente em Goiânia. A primeira edição ocorreu em 2004, inicialmente com espetáculos de teatro de rua durante dois dias. No ano seguinte, a programação cresceu e passou a incorporar um terceiro dia, jogos e oficinas.

Desde então, artistas de diferentes gerações e regiões passaram pelo evento. O crescimento trouxe novas demandas de estrutura, equipamentos e produção, mas a mostra preservou a proposta que acompanha sua trajetória: construir uma programação coletiva, gratuita e acessível, com a rua como espaço de convivência e expressão artística.

A realização também depende de uma rede de artistas, produtores, técnicos, estudantes, parceiros e moradores. Para ajudar a custear despesas da produção, a organização mantém ações como a tradicional rifa da Galhofada e uma vaquinha virtual.

Serviço

21ª Galhofada – Pequena Mostra de Artes na Rua
Quando: 18, 19 e 20 de setembro de 2026, com atividades prévias nos dias 16 e 17
Onde: Setor Pedro Ludovico, em Goiânia, e Acro Circo, no Jardim Novo Mundo
Entrada: gratuita
Informações: @mostragalhofada e @oficinaculturalgeppetto
Realização: Artistas Locais / Oficina Cultural Geppetto
Colaborações: Pix geppettoculturalprojetos@gmail.com

Dhayane Marques

Dhayane Marques é jornalista formada pela PUC-GO. Atualmente é Diretora de Programas da TV Pai Eterno e repórter no jornal Tribuna do Planalto e Tribuna de Anápolis, nas editorias de cidades, educação, economia, agro, diversão e arte.

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