A prevenção da malária é a melhor forma de evitar a doença. É importante que a população esteja ciente dos cuidados necessários para se proteger da infecção pelo mosquito Anopheles, que é o transmissor.
Em Goiás, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO) emitiu um alerta para caso recente de malária em uma paciente de Anápolis. O caso é classificado como autóctone, pois a mulher não viajou para fora do estado. O único deslocamento realizado por ela foi a uma chácara em Aparecida de Goiânia, perto de onde já havia sido confirmado outro caso, em fevereiro último.
O biomédico e técnico da coordenação de zoonoses SES, Hélio Filho, explicou que o Estado sempre teve notificações de casos da doenças, “todos os anos, nós temos vários casos [de malária], entre 150 e 180” notificações. Em 2023 já são 67 casos notificados em Goiás – 34 confirmados e 33 descartados. Com exceção dos dois últimos casos, todos foram “importados” de outros estados ou países.
“Os casos que a gente notifica e que mais tem encontrado são principalmente da forma viva Plasmodium vivax, também estamos investigando dois casos de Plasmodium falciparum. Mas, geralmente, a gente encontra maior incidência nos com Plasmodium vivax”, esclareceu o biomédico.
A conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce da malária também é fundamental. “O sintomas são semelhantes a todos os sintomas de início da maioria das doenças. Que são: febre, mal-estar, dor no corpo, indisposição e falta de apetite. Esses sintomas são muito parecidos com todas as doenças”, completou Hélio. De acordo com o biomédico, é muito importante ao fazer diagnóstico, que a pessoa informe ao profissional da saúde se esteve em alguma região de fora ou do país que tenha histórico endêmico da doença.
“Com todos esses sintomas associados a uma uma viagem a um outro estado que seja apontado como endêmico, como a região amazônica, ou estados outros que tem algum foco de malária ou de outros países, é bom que a pessoa relatar isso, onde esteve nos últimos quinze, vinte dias, porque isso já adianta na hora de fazer o diagnóstico, que costuma ser feito de forma rápida e gratuita”, destacou.
Segundo levantamento do Ministério da Saúde, no Brasil, 98% dos casos de malária ocorrem na região da Amazônia – Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima –, além das regiões a oeste do Maranhão, noroeste do Tocantins e ao norte do Mato Grosso.
Existem mais de cem tipos de plasmódio, mas, dentre os que infectam o homem, quatro são os mais importantes: Plasmodium vivax, Plasmodium falciparum, Plasmodium malariae e Plasmodium ovale.
Transmissão
A malária é uma doença infecciosa febril aguda, causada por protozoários do tipo Plasmodium, transmitidos pela fêmea infectada do mosquito Anopheles, também conhecido como “mosquito prego”. O período de incubação da malária varia de acordo com a espécie de plasmódio. A malária não pode ser transmitida pela água.
Os sintomas são febre, calafrios, cefaleia, sudorese, mialgia, náusea e vômitos. O quadro clínico pode ser leve, moderado ou grave. Na fase inicial, a malária se confunde com outras doenças infecciosas e não pode ser diagnosticada pela sintomatologia. Apenas o diagnóstico laboratorial confirma ou descarta a doença.
O médico sanitarista da Fiocruz de Brasília, mestre em medicina preventiva, Claudio Maierovitch Pessanha Henriques, explica que é importante que a população esteja atenta aos sintomas da malária e procure um serviço de saúde imediatamente em caso de suspeita.
“É importante diagnosticar rapidamente porque essas novas essas pessoas que passam a ser novos casos , podem passar a transmitir a malária”, destacou. A malária é uma doença que afeta principalmente populações vulneráveis, como crianças, gestantes e pessoas com sistema imunológico comprometido.

Foto: Arquivo pessoal
Vacinas
Em 2021, em uma decisão histórica, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou o uso de uma vacina contra a malária, que age contra o parasita Plasmodium falciparum, para crianças em regiões com alta ocorrência da doença, como a África Subsaariana. Foram mais de 50 anos de estudos em busca de uma forma de imunização contra a enfermidade que mata, anualmente, 410 mil pessoas, das quais 260 mil crianças com menos de 5 anos. Quase 95% dos óbitos ocorrem na África.
Apesar dessa vacina, Claudio Maierovitch informou que ela não é eficaz para a maioria dos casos detectados no Brasil. Ainda de acordo com o médico sanitarista, uma pessoa “pode pegar muitas vezes [ malária]. Em geral, a primeira vez da infecção, tende apresentar o quadro um pouco mais grave”.
Autoridades de saúde também reforçam sobre o uso incorreto ou incompleto de medicamentos antimaláricos pode levar ao surgimento de cepas resistentes do parasita, o que dificulta o tratamento da doença.
Como se transmite?
O protozoário é transmitido ao homem pelo sangue, geralmente através da picada da fêmea do mosquito Anopheles, infectada por Plasmodium ou, mais raramente, por outro tipo de meio que coloque o sangue de uma pessoa infectada em contato com o de outra sadia, como o compartilhamento de seringas (consumidores de drogas), transfusão de sangue ou até mesmo de mãe para feto, na gravidez.
“Mas em geral nos lugares onde não tem casos de malária humana, esses mosquitos não se contaminam, não adquiriram o parasita. Ele precisa ter contato com alguém com malária, para então poder transportar o parasita para outra pessoa”, explicou Claudio Maierovitch.
RECOMENDAÇÕES
Para a população as recomendações mais importantes são:
- usar repelentes (não aplicar em crianças menores de 2 anos de idade sem orientação médica)
- proteger áreas do corpo que o mosquito possa picar
- usar cortinados e mosquiteiros sobre a cama ou a rede
- evitar locais próximos a criadouros naturais de mosquitos, como beira de rio ou áreas alagadas.












