O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que deixará o comando da pasta na próxima semana para se dedicar à articulação política e à possível candidatura ao governo de São Paulo nas eleições de 2026. Nos bastidores do governo, a expectativa é que o secretário-executivo Dario Durigan assuma interinamente o Ministério da Fazenda após a saída do ministro.
A decisão ocorre em meio ao avanço das articulações do Partido dos Trabalhadores para a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Haddad vinha demonstrando resistência em deixar o cargo, mas deve atender ao pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que considera estratégica sua presença na eleição estadual contra o atual governador Tarcísio de Freitas.
“Já anunciei há bastante tempo a minha intenção de deixar o governo. Tenho conversado com o presidente sobre São Paulo e ainda vou falar com o vice-presidente Geraldo Alckmin e com a ministra Simone Tebet. Precisamos avaliar como esse grupo pode contribuir para qualificar o debate no estado e também evidenciar as diferenças entre o atual governo paulista e o projeto que defendemos no plano federal”, afirmou o ministro.
Estrutura da campanha
Paralelamente à definição sobre sua saída da Fazenda, Haddad já começou a montar o núcleo da campanha. O publicitário Otávio Antunes será responsável pelo marketing político e atuará ao lado do deputado Jilmar Tatto, que ficará à frente da coordenação de comunicação.
A coordenação geral da campanha será comandada pelo deputado Kiko Celeguim, presidente estadual do PT. Também integram o grupo de coordenação os deputados federais Carlos Zarattini e Arlindo Chinaglia, além do deputado estadual Emídio Souza.
Outro nome que deve integrar a estrutura é Laio Moraes, atual chefe de gabinete de Haddad no Ministério da Fazenda, que deixará o cargo para atuar diretamente na campanha. Já a área financeira ainda não está definida. O partido sondou Chico Macena para assumir a função, mas o dirigente avalia se aceitará o convite, já que teria que deixar o posto de secretário-executivo do Ministério do Trabalho.
Cenário eleitoral
O fortalecimento das articulações ocorre em um momento de disputa eleitoral cada vez mais acirrada no país. Pesquisas recentes indicam um cenário competitivo na corrida presidencial e aumentaram a pressão para que Haddad dispute o governo paulista, considerado estratégico por concentrar o maior eleitorado do Brasil.
Levantamento do instituto Datafolha divulgado pelo jornal Folha de S.Paulo aponta que o governador Tarcísio de Freitas lidera com folga todos os cenários testados para o primeiro turno das eleições de 2026.
Em um dos cenários simulados, Tarcísio aparece com 44% das intenções de voto contra Haddad. Mesmo com a variação de possíveis adversários, o atual governador mantém vantagem sobre os concorrentes.
A pesquisa ouviu 1.608 eleitores com 16 anos ou mais em 71 municípios do estado entre os dias 3 e 5 deste mês. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Leia mais: Matheus Ribeiro rebate Aava Santiago e diz que vereadora está mentindo e age por “oportunismo”















