O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que os estados fracassaram no enfrentamento à criminalidade e defendeu ampliar a atuação do governo federal na segurança pública. A declaração foi feita neste domingo (18), durante o debate da Band com o senador Flávio Bolsonaro (PL), a uma semana do segundo turno.
“Acontece que os Estados fracassaram. Nenhum Estado conseguiu resolver o problema da segurança pública”, declarou. Lula vinculou a avaliação à divisão de responsabilidades estabelecida pela Constituição de 1988 e cobrou apoio à proposta de emenda constitucional encaminhada pelo governo ao Congresso.
A segurança foi o primeiro tema do confronto. Flávio abriu sua participação prometendo declarar guerra ao narcoterrorismo caso seja eleito. Na resposta, Lula afirmou que o adversário deveria apoiar a PEC da Segurança para dar à União mais condições de atuar no combate ao crime organizado.
Coordenação federal
O presidente defendeu a criação do Ministério da Segurança Pública e uma atuação coordenada com governos estaduais e prefeituras. Durante o debate, associou a implantação desse modelo à aprovação da PEC pelo Senado.
A cobrança ocorreu três dias depois de o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), retirar a proposta da pauta do plenário. A votação foi adiada em meio à disputa entre governo e oposição sobre a redução da maioridade penal.
O impasse envolve o alcance da mudança. Enquanto o PL defende uma redução mais abrangente, o PT sustenta uma aplicação restrita aos adolescentes que cometerem crimes hediondos. A divergência passou a integrar a disputa eleitoral em torno da proposta.
Flávio aposta em penas maiores
O candidato do PL defendeu classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas. Também prometeu ampliar o tempo de prisão de líderes de organizações criminosas e criar mais de 500 mil vagas no sistema penitenciário.
Ao longo do confronto, Flávio voltou a defender a redução da maioridade penal e penas mais altas para crimes como roubo de celular. O senador acusou Lula de não dar a atenção necessária à segurança. O presidente, por sua vez, insistiu na aprovação da PEC como instrumento para ampliar a participação federal no enfrentamento à violência.













