Ao longo do bloco, Flávio questionou a capacidade administrativa do governo Lula, criticou a carga tributária, o endividamento das famílias e as dificuldades enfrentadas pelo agronegócio. O presidente, por sua vez, defendeu os investimentos de sua gestão, destacou políticas de valorização do salário mínimo e combate à fome e associou propostas do adversário às políticas econômicas de Javier Milei, presidente da Argentina.
Os dois também fizeram promessas para setores específicos da população. Lula propôs transporte público gratuito aos fins de semana para trabalhadores, medida que recebeu apoio de Flávio. O candidato do PL prometeu reajustar o Bolsa Família, preservar empresas estatais e ampliar investimentos em infraestrutura, enquanto o petista defendeu a continuidade das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
A dinâmica do primeiro bloco permitiu que os candidatos apresentassem perguntas relacionadas aos temas sorteados, com três minutos para pergunta e réplica e outros três para resposta e tréplica. A organização do debate utilizou um mapa do Brasil para apresentar as regiões e os principais corredores de transporte e exportação.
Infraestrutura: Flávio critica obras paradas e Lula defende investimentos de R$ 1,7 trilhão
O primeiro confronto ocorreu em torno dos investimentos em infraestrutura necessários para aumentar as exportações brasileiras e reduzir o chamado custo Brasil. Flávio Bolsonaro abriu a discussão questionando a quantidade de obras paralisadas no país.
Segundo o senador, o governo de Jair Bolsonaro encontrou aproximadamente 14 mil obras inacabadas em 2019 e teria reduzido esse número para pouco mais de 8 mil. Ele afirmou que um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) apontaria mais de 11,5 mil obras paralisadas durante a atual gestão.
“Agora, neste ano, o TCU, o Tribunal de Contas da União, acaba de soltar um relatório que diz que tem mais de 11.500 obras paralisadas no atual governo. Ou seja, o Brasil voltou a ser um grande cemitério de obras”, declarou.
Flávio perguntou como Lula pretendia entregar a infraestrutura necessária ao país se, segundo sua avaliação, não conseguiu concluir obras durante os quatro anos de mandato.
Na resposta, Lula contestou a crítica e apresentou números do Programa de Aceleração do Crescimento. Segundo o presidente, o Novo PAC reúne R$ 1,7 trilhão em investimentos previstos, dos quais quase R$ 800 bilhões já teriam sido executados.
“Nós anunciamos um Programa de Aceleração do Crescimento de um trilhão e setecentos bilhões. Quase oitocentos já foram executados nesse país, criando ferrovia, rodovia, hidrovia, estrada, portos e aeroportos”, afirmou.
O petista também argumentou que grandes empreendimentos exigem vários anos para serem concluídos e prometeu manter os projetos em andamento.
“Qualquer coisa que ele pensar de infraestrutura, nós teremos três ou quatro vezes mais do que o governo dele fez”, disse Lula, acrescentando que continuaria as obras caso fosse reeleito.
Flávio, por sua vez, apresentou propostas para ampliar a malha ferroviária e rodoviária, com destaque para o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste. Entre elas, mencionou uma ligação ferroviária com o Oeste do Paraná e de Santa Catarina, além da continuidade de projetos de integração ferroviária.
“Eu vou fazer o eixo sul da ferrovia Norte-Sul, ligando o Centro-Oeste até o Oeste do Paraná, Oeste de Santa Catarina, que são regiões grandes produtoras de proteínas, e é para lá que têm que chegar esses grãos, de uma forma mais barata, mais rápida e com menos desperdício”, declarou.
O candidato do PL também prometeu ampliar concessões rodoviárias e preservar a isenção de pedágio para motociclistas.
“Todas as concessões rodoviárias que forem feitas no Brasil vão garantir pedágio zero para motociclistas”, afirmou.
Outro compromisso apresentado por Flávio foi considerar a internet parte da infraestrutura nacional. Ele citou iniciativas do governo Bolsonaro de ampliação da conectividade em escolas, unidades de saúde e municípios brasileiros.
“Nós vamos tratar a internet como infraestrutura para levar para as aldeias indígenas a conexão via internet. Esse é o Brasil que eu quero, um Brasil conectado”, disse.
Segundo o senador, a ampliação da cobertura também contribuiria para a agricultura de precisão e o aumento da produtividade no campo.
Lula respondeu apresentando uma relação de obras que, segundo ele, estão em execução ou recebem investimentos federais. Mencionou a Transnordestina, o Contorno de Florianópolis, o túnel Santos-Guarujá, projetos portuários e intervenções de mobilidade urbana em Salvador, São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
“O túnel de Santos, quem está colocando isso para frente somos nós, tanto do orçamento quanto financiamento do BNDES”, afirmou.
O presidente também mencionou a transposição do Rio São Francisco e desafiou o adversário a comparar o volume de investimentos de sua gestão com o de outros governos.
“Eu queria pedir para o Google, para alguém poder publicar se tem algum momento da história recente que algum governo investiu tanto em obras de infraestrutura como nós estamos investindo nesse país”, declarou.
Sudeste: salário mínimo, endividamento e tarifa zero provocam confronto
Na discussão sobre a região Sudeste, o debate se concentrou no poder de compra dos trabalhadores, na política de valorização do salário mínimo e nas condições econômicas das famílias brasileiras.
Lula defendeu os reajustes reais promovidos durante os governos do PT e afirmou que o salário mínimo seria significativamente menor caso não tivesse sido adotada uma política de aumento acima da inflação.
“Se não fosse os governos do PT aumentar o salário mínimo acima da inflação, colocando o PIB no orçamento, o salário mínimo teria apenas 900 reais”, afirmou.
O presidente também associou o modelo econômico defendido pelo adversário às políticas adotadas pelo presidente argentino Javier Milei.
Flávio reagiu afirmando que o salário nominal não representa necessariamente uma melhoria nas condições de vida quando os preços e as dívidas aumentam.
“Vou falar pra senhora que mora na região Sudeste: hoje é dia 23 de outubro, o mês ainda não acabou. O seu salário já acabou?”, questionou.
O senador responsabilizou o governo Lula pela perda do poder de compra e pelo endividamento das famílias.
“O seu poder de compra foi destruído pelo seu governo, porque ele gasta tanto, ele joga a taxa de juros lá em cima e puxa a sua dívida junto. Lula, por que você endividou o povo brasileiro desse jeito?”, declarou.
Em outro momento, Lula apresentou uma proposta de gratuidade no transporte público durante os fins de semana. Segundo o presidente, a medida permitiria que trabalhadores aproveitassem melhor seus períodos de descanso e lazer.
“É justo que a gente possa garantir que eles tenham direito de visitar o parente, visitar um filho, visitar um compadre e comer na casa de alguém, ou seja, sair de casa”, afirmou.
Em seguida, perguntou diretamente ao adversário:
“Você é contra ou a favor da tarifa zero no final de semana para os trabalhadores?”
Flávio respondeu favoravelmente à medida.
“Bom, candidato, eu sou a favor da tarifa zero para os ônibus no final de semana. Sou super a favor disso. Eu acho que o trabalhador, na hora de lazer, merece sim ter o transporte gratuito”, declarou.
Apesar da concordância, o senador aproveitou a resposta para criticar a política tributária do governo federal.
“Não adianta nada você pegar os 1.621 reais, se você dá com uma mão e tira com nove dedos. Você simplesmente invade o bolso do contribuinte”, afirmou, em referência ao valor do salário mínimo.
Flávio também questionou os efeitos da reforma tributária e afirmou que a alíquota do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) poderia chegar a aproximadamente 28%.
“O brasileiro vai pagar o maior imposto do mundo na era Lula”, declarou.
Na sequência, utilizou exemplos de produtos comercializados em embalagens menores para argumentar que os brasileiros estariam pagando mais para consumir menos.
“A barra de chocolate, que antes tinha 120 gramas, agora tem só 80. O rolo de papel higiênico tinha 40 metros, hoje tem 20”, afirmou.
Ele também comparou o poder de compra dos R$ 600 pagos pelo Bolsa Família durante o governo Bolsonaro com o valor atual.
“Quando você consegue comprar, você tá levando menos pra sua casa. Esse é o legado do atual governo”, concluiu.
As declarações econômicas dos dois candidatos, incluindo comparações de poder de compra, estimativas tributárias e valores hipotéticos do salário mínimo, foram apresentadas como argumentos de campanha e exigem verificação específica.
Centro-Oeste: Flávio acusa Lula de prejudicar o agro e presidente rebate com investimentos
A região Centro-Oeste, responsável por uma parcela expressiva da produção agropecuária brasileira, foi cenário de um dos confrontos mais intensos do primeiro bloco. Flávio Bolsonaro acusou o governo federal de prejudicar produtores rurais, dificultar o acesso ao crédito e adotar uma postura hostil ao agronegócio.
“A região Centro-Oeste é a região que mais produz alimentos no nosso Brasil e, infelizmente, o nosso agro, orgulho mundial, está sendo massacrado pelo atual governo”, declarou o senador.
Flávio afirmou que produtores enfrentam dificuldades para financiar suas atividades, especialmente diante dos juros elevados e da burocracia.
“Quem produz está sufocado, está intimidado, não consegue tomar crédito”, afirmou.
Em seguida, dirigiu uma série de perguntas ao presidente.
“Lula, por que você trata o agro com tanta raiva? Por que você humilha tantas pessoas que produzem alimentos no nosso país? Você diz que as pessoas têm que se ajoelhar aos teus pés. Por que tanta arrogância? Por que tanta petulância, Lula?”, questionou.
Lula respondeu rejeitando a acusação de hostilidade ao setor e afirmou que seus governos ampliaram os investimentos tanto no agronegócio quanto na agricultura familiar.
“Eu duvido que em algum momento do governo do pai dele houve investimento no agro como houve no meu governo. Eu duvido que houve a quantidade de investimento na agricultura familiar como no meu governo”, declarou.
O presidente também mencionou incentivos à compra de máquinas agrícolas e o desempenho das exportações brasileiras.
“Nunca se exportou tanto nesse país”, afirmou.
Na área internacional, Lula criticou a proximidade política de Flávio com Donald Trump e defendeu a diversificação dos mercados compradores de produtos brasileiros.
“Se o Trump não quer comprar do Brasil, eu vou vender em outros lugares”, disse.
Segundo o presidente, seu governo abriu 77 novos mercados e ampliou as relações comerciais com diferentes países. Também mencionou um superávit comercial de aproximadamente R$ 85 bilhões, conforme sua declaração no debate.
Flávio respondeu apresentando propostas para facilitar o financiamento da produção rural. O senador afirmou que os recursos anunciados no Plano Safra nem sempre chegam aos produtores e criticou as condições de contratação.
“Na hora de tomar um financiamento para comprar semente para plantar, para poder comprar maquinário, para poder investir no seu negócio, para poder comprar animal, fica simplesmente impossível”, afirmou.
O candidato prometeu ampliar a previsibilidade do seguro rural e impedir o contingenciamento dos recursos destinados ao setor.
“O seguro rural está garantido e mais: vai ter previsibilidade e segurança jurídica”, declarou.
Flávio também anunciou propostas para aposentados rurais, incluindo reajustes acima da inflação e digitalização dos procedimentos para acesso aos benefícios.
“Você não vai precisar mais andar centenas de quilômetros muitas vezes para poder se habilitar a receber a sua aposentadoria. Você não vai precisar ficar mais tanto tempo na fila, porque eu vou garantir isso na palma da sua mão”, afirmou.
Outra promessa foi estabelecer um pacto com os governadores eleitos da região Centro-Oeste para combater o crime organizado, especialmente nas fronteiras utilizadas pelo tráfico de armas e drogas.
Lula voltou a rebater as críticas sobre financiamento agrícola. O presidente afirmou que instituições públicas, como Banco do Brasil e BNDES, oferecem condições subsidiadas aos produtores.
“Não tem um segmento da agricultura brasileira que não tenha obtido muito mais recursos, muito mais financiamento, não apenas do governo, mas do BNDES, do Banco do Brasil”, declarou.
O petista também criticou a insistência do adversário no tema dos impostos, afirmando que Flávio deixava de reconhecer políticas sociais e oportunidades educacionais criadas durante os governos do PT.
“Ele se incomoda com o pobre na universidade, com a pessoa ganhando mais que o salário mínimo, com filha de pedreiro virando engenheira, virando médica”, afirmou.
A discussão terminou com Lula abordando o combate à fome. O presidente disse que o Brasil havia superado esse problema em seus governos anteriores, mas que encontrou milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar ao retornar ao Palácio do Planalto em 2023.
“Ele se importa com isso? Não. Porque onde ele mora as pessoas não passam fome, no condomínio dele as pessoas não passam fome, a família dele não passa fome e ele não sabe o que é fome”, declarou.
Sul: aposentadorias, reajustes e modelo econômico argentino
Na rodada dedicada à região Sul, Lula destacou a proporção de aposentados na população e questionou Flávio sobre a política de reajuste dos benefícios previdenciários.
O presidente também criticou a defesa que o adversário faz de medidas econômicas adotadas por Javier Milei, na Argentina, especialmente a redução de gastos públicos.
“O senhor tem tentado mostrar que vai fazer um tesouraço. Eu até num debate perguntei se você tinha tomado emprestado a motosserra do Milei”, afirmou Lula.
Na sequência, perguntou se Flávio garantiria reajustes acima da inflação para trabalhadores ativos e aposentados.
“A minha pergunta é a seguinte: você vai reajustar o salário acima da inflação para todas as categorias? Para quem tá na ativa e para quem tá aposentado?”, questionou.
Flávio respondeu prometendo manter a valorização real do salário mínimo, mas diferenciou essa política da correção das aposentadorias, para as quais mencionou reajustes pela inflação.
“Com certeza eu vou reajustar sim, salário mínimo acima da inflação, aposentado idem inflação”, afirmou.
O candidato também negou que pretenda privatizar empresas públicas estratégicas.
“Eu não vou privatizar Banco do Brasil, Caixa, Petrobras. São essas as fake news que ele tá contando”, declarou.
Flávio voltou a abordar o custo de vida e afirmou que Lula não conheceria as dificuldades enfrentadas pelos consumidores.
“Ele nem lembra a última vez que ele foi no mercado, porque ele mora num palácio de luxo agora. Então ele não sabe como a comida tá cara”, afirmou.
Ao defender Milei, o senador atribuiu à esquerda argentina a responsabilidade pela crise econômica enfrentada pelo país antes da chegada do atual presidente.
“O Milei começou um governo com 211% de inflação. A taxa de juros chegou a 100%, governo da esquerda. O Milei teve que consertar as coisas ruins que vocês fizeram lá”, declarou.
Flávio também acusou Lula de ampliar excessivamente as despesas públicas para tentar conquistar a reeleição.
“Você gastou mais 400 bilhões de reais pra tentar se reeleger. Você não tem vergonha de deixar um país quebrado desse jeito não?”, questionou.
O senador argumentou que o crescimento das despesas compromete as próximas gerações e afirmou que pretende promover mudanças na condução das contas públicas.
A discussão evidenciou diferenças entre os candidatos quanto ao papel do Estado na economia. Lula defendeu a valorização da renda e os investimentos públicos, enquanto Flávio associou a redução de despesas à necessidade de reorganizar as finanças federais.
Norte: saneamento, Amazônia e pandemia provocam troca de acusações
A região Norte foi tema de outro confronto marcado por críticas pessoais. Flávio Bolsonaro iniciou a rodada abordando a falta de acesso à água potável e ao esgotamento sanitário.
O senador citou o marco legal do saneamento básico, aprovado durante o governo Jair Bolsonaro, e afirmou que a legislação buscou ampliar os investimentos para universalizar os serviços até 2033.
“Saneamento básico é saúde. E nós fizemos um marco legal do saneamento básico, porque hoje aproximadamente 90 milhões de brasileiros não têm esgoto tratado nas suas casas, e aproximadamente 40 milhões de brasileiros não têm água tratada nas suas casas”, afirmou.
Flávio também criticou a posição adotada por parlamentares petistas durante a tramitação da legislação.
“Sabe quem votou contra isso lá no Congresso Nacional? A bancada do PT. Lula, por que vocês são contra levar água e esgoto tratado para os mais pobres?”, questionou.
Lula respondeu acusando o adversário de desconhecer a realidade da região amazônica e mencionou a crise de oxigênio enfrentada por Manaus durante a pandemia de Covid-19.
“Acho que ele só ouviu falar de Manaus e da região Norte quando o pai dele apareceu na televisão imitando uma pessoa morrendo asfixiada porque não tinha oxigênio”, declarou.
O presidente fez referência a um vídeo de Jair Bolsonaro que se tornou alvo de críticas durante a pandemia. A interpretação do episódio foi posteriormente contestada por Flávio na rodada sobre o Nordeste.
Lula também defendeu os investimentos de seus governos em saúde, portos, aeroportos e rodovias na Amazônia.
“Se ele conhecesse o Amazonas e conhecesse tudo o que nós fizemos na Amazônia, ele poderia perguntar para os senadores”, afirmou.
O petista relembrou ainda sua primeira campanha presidencial, em 1989, quando percorreu diferentes regiões brasileiras.
“Eu fiz 91 mil quilômetros de ônibus, de barco, de trem para conhecer o Brasil, para não ficar falando bobagem quando se pergunta sobre o Brasil”, declarou.
Flávio voltou ao saneamento básico e prometeu retomar as metas de atendimento previstas no marco legal. Segundo ele, as mudanças promovidas pelo governo Lula teriam comprometido o cumprimento dos objetivos até 2033.
“Eu vou fazer com que o marco legal do saneamento volte a ter essa meta de entrega de mais de 90% para a população até 2033”, afirmou.
O senador também prometeu investimentos em Belém, no Pará, relatando problemas de esgoto a céu aberto observados durante visitas à capital.
“Eu me comprometo a ajudar Belém a fazer o maior programa de saneamento básico da cidade”, declarou.
Outro ponto abordado foi a situação da Rodovia Transamazônica. Flávio criticou as dificuldades enfrentadas por moradores e transportadores em trechos sem pavimentação e responsabilizou restrições ambientais pela demora na execução de obras.
“Você fica em um lamaçal quando chove, você fica desconectado do país quando chove, os caminhões ficam atolados”, afirmou.
O candidato também prometeu preservar a Zona Franca de Manaus.
“Você que é de Manaus, você que é do Amazonas, melhor dizendo, a Zona Franca é sagrada, tá garantida”, declarou.
Lula respondeu defendendo a política ambiental de seu governo e criticando a atuação do Ministério do Meio Ambiente durante a administração Bolsonaro.
O presidente fez referência à declaração do ex-ministro Ricardo Salles sobre aproveitar a atenção da imprensa à pandemia para promover mudanças nas regras ambientais.
Lula afirmou que a Amazônia pode gerar mais desenvolvimento econômico por meio da preservação ambiental do que com a expansão indiscriminada de atividades que exigem desmatamento.
“Hoje a economia verde pode trazer muito mais dinheiro com a floresta em pé do que com a floresta caída”, declarou.
O petista também destacou a importância do Fundo Amazônia e criticou a paralisação de suas atividades durante o governo anterior.
“Ele não sabe o que o Fundo Amazônia tá significando para o Brasil. Aliás, eles anularam o Fundo Amazônia. Somos nós que usamos e que fazemos o fundo funcionar”, afirmou.
A rodada terminou com Lula cobrando maior conhecimento sobre a região e respeito aos moradores da Amazônia.
“Flávio, cuidado quando você falar com as pessoas, por respeito às pessoas, porque senão você passa a ideia que tá brincando”, declarou.
Nordeste: transposição do São Francisco, Bolsa Família e segurança pública
A última discussão regional do primeiro bloco foi dedicada ao Nordeste, região de origem de Lula e que recebeu atenção dos dois candidatos por sua importância econômica, social e eleitoral.
O presidente iniciou a rodada relembrando as dificuldades enfrentadas pela população nordestina quando assumiu seu primeiro mandato, em 2003.
“Eu, quando assumi a Presidência da República, o Nordeste era a região que tinha mais pobre, mais desnutrido, mais analfabeto, mais evasão escolar, menos universidade, menos doutor, menos mestre”, afirmou.
Lula destacou investimentos realizados ao longo dos governos petistas, incluindo a construção de universidades, institutos federais, ferrovias e projetos de abastecimento de água.
Entre as obras citadas, o presidente deu destaque à transposição do Rio São Francisco e à Ferrovia Transnordestina.
“Levamos desenvolvimento para o Nordeste, a Transnordestina, levamos a transposição do Rio São Francisco”, declarou.
O petista também mencionou a expansão da educação superior, a instalação de equipamentos tecnológicos e a atração de indústrias.
“O Nordeste, no nosso governo, ganhou cidadania, ganhou respeito”, afirmou.
Em seguida, questionou o que Flávio pretendia fazer pela região e insinuou que o adversário não teria interesse pelo desenvolvimento nordestino.
“Eu queria saber o que você vai fazer no Nordeste, já que você não gosta do Nordeste. A impressão que eu tenho é que você não gosta do Nordeste”, declarou.
Flávio rejeitou a acusação e afirmou que pretende priorizar investimentos na região.
“Lula, o Nordeste não é problema, o Nordeste é solução. Eu vou ser o carioca mais nordestino que você já viu na face da Terra”, respondeu.
O senador também contestou a referência feita anteriormente por Lula ao vídeo de Jair Bolsonaro durante a pandemia.
Segundo Flávio, o material teria sido retirado de contexto e não representaria uma atitude de deboche diante das vítimas da crise sanitária.
“Esse vídeo eu peço que a minha equipe coloque agora no meu Instagram, arroba Flávio Bolsonaro, um vídeo real sobre o Bolsonaro”, afirmou.
Flávio disse que o pai criticava orientações sobre o momento adequado para procurar atendimento médico durante a pandemia.
“Se você pegar 10 segundos antes e 10 segundos depois, você vai ver exatamente o contrário”, declarou.
Na sequência, o candidato mudou o foco para a segurança pública, acusando os governos estaduais aliados ao PT de não conseguirem conter o avanço de organizações criminosas.
“Agora, Lula, o que você levou para o Nordeste foi Comando Vermelho, que se proliferou, tomou conta de cidades, está expulsando as pessoas de suas casas”, afirmou.
Flávio relacionou a criminalidade na região às administrações estaduais e questionou a atuação do presidente no combate às facções.
Lula respondeu retomando os investimentos realizados no Nordeste e mencionou a instalação de indústrias automobilísticas em Pernambuco, Bahia e Ceará.
O presidente também destacou a expansão da rede federal de ensino e a instalação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) no Ceará.
“Nós fizemos 14 novos hospitais, levamos o Instituto Tecnológico de Aeronáutica para o Ceará”, afirmou.
Segundo Lula, a escolha do Ceará para receber uma unidade do ITA considerou o desempenho dos estudantes do estado.
O petista também mencionou a criação de institutos federais e universidades e voltou a questionar as realizações dos governos ligados à família Bolsonaro.
“O que vocês fizeram no Nordeste quando vocês governaram? O que vocês fizeram? Me dê um exemplo de uma obra, um exemplo, do que vocês fizeram”, cobrou.
Em um dos momentos mais pessoais da rodada, Lula relembrou sua infância e as dificuldades enfrentadas antes de deixar Pernambuco.
“Eu, como nordestino, carreguei pote de água com seis anos de idade”, afirmou.
Flávio respondeu citando a transposição do São Francisco, obra iniciada durante os governos do PT e que recebeu investimentos e entregas também durante a administração Bolsonaro.
“Você prometeu que ia entregar a transposição do São Francisco até 2009 e não entregou. Depois prometeu que ia entregar até 2014, também não entregou”, declarou.
O senador atribuiu a Jair Bolsonaro a conclusão de etapas do empreendimento e a chegada de água a municípios nordestinos.
“Sabe quem levou? Quem concluiu as obras e fez finalmente chegar água até o Nordeste? Jair Messias Bolsonaro”, afirmou.
Flávio também destacou a ampliação do valor do auxílio pago às famílias de baixa renda durante o governo de seu pai.
“Antigamente, no governo dele, o Bolsa Família era ali 75 reais, 120 reais que você recebia. Em média era 190. O presidente Bolsonaro passou para no mínimo 600 reais”, declarou.
O candidato prometeu reajustar o benefício caso seja eleito e apresentou uma proposta para permitir que beneficiários mantenham o auxílio por um período de transição após conseguirem emprego formal ou abrirem uma empresa.
“Eu vou garantir pra você do Bolsa Família que vai ter um reajuste sim. Eu garanto o reajuste pra você, só que eu quero fazer muito mais”, afirmou.
Flávio explicou que a proposta busca evitar que trabalhadores percam imediatamente o benefício ao ingressarem no mercado formal.
“Se você arrumar um emprego de carteira assinada, ou se você abrir a sua própria empresa, você não vai perder o seu Bolsa Família. Você vai ficar recebendo o seu Bolsa Família por mais um período, até você estabilizar”, prometeu.
O senador também afirmou que pretende garantir o retorno ao programa caso o beneficiário enfrente dificuldades depois de deixar o auxílio.
Por fim, anunciou a intenção de construir uma ligação ferroviária entre capitais nordestinas.
“Eu vou fazer uma grande ferrovia, cortando todas as capitais do Nordeste, desde Salvador até São Luís”, declarou.
Primeiro bloco reúne promessas e divergências sobre o papel do Estado
Ao final das seis rodadas, Lula e Flávio Bolsonaro haviam apresentado propostas e acusações envolvendo infraestrutura, economia, políticas sociais, agronegócio, aposentadorias, meio ambiente e segurança pública.
O presidente concentrou parte de suas intervenções na defesa de investimentos públicos, programas sociais e políticas de desenvolvimento regional. Também procurou associar o adversário às decisões tomadas durante o governo Jair Bolsonaro, especialmente nas áreas ambiental e sanitária.
Flávio, por sua vez, priorizou críticas ao custo de vida, aos impostos, ao endividamento e às dificuldades enfrentadas por produtores rurais. O senador apresentou compromissos de expansão da infraestrutura, preservação de programas sociais e mudanças na gestão econômica.
Apesar das divergências, houve convergência explícita na discussão sobre a gratuidade do transporte público aos fins de semana. Os dois também defenderam a continuidade da valorização do salário mínimo, embora tenham apresentado posições diferentes sobre o reajuste das aposentadorias.
O primeiro bloco terminou com uma série de compromissos que dependeriam, em diferentes graus, de recursos orçamentários, articulação com governadores, aprovação de medidas pelo Congresso Nacional e execução de projetos de longo prazo.
A discussão também expôs a disputa pela autoria de políticas públicas e obras iniciadas, executadas ou concluídas em diferentes administrações, como a transposição do Rio São Francisco e os programas de transferência de renda.
Com a eleição presidencial marcada para domingo (25), os candidatos utilizaram o debate para apresentar suas propostas e questionar os resultados das gestões adversárias diante do eleitorado. O encontro prosseguiu com outros três blocos, incluindo discussões sobre temas nacionais e uma etapa de assunto livre.
Nota editorial: a reportagem foi construída a partir das transcrições dos áudios enviados. As aspas reproduzem trechos inteligíveis, com ajustes pontuais de pontuação. Números, acusações e atribuições de obras são declarações dos candidatos, não fatos independentemente confirmados. Algumas passagens com falhas de transcrição foram parafraseadas em vez de reproduzidas literalmente.













