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Notificações de tuberculose crescem 3,5% em Goiás

Especialista do HDT atribui aumento discreto à ampliação do acesso aos exames, que permite identificar mais casos da doença


Arthur Oliveira Por Arthur Oliveira em 04/11/2026 - 12:04

Além da tosse longa, a doença apresenta sinais de alerta que costumam se agravar com o tempo - Reprodução

O número de notificações de tuberculose em Goiás aumentou 3,5% entre janeiro e setembro de 2026, em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 772 registros neste ano, contra 746 em 2025, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO). Em todo 2025 foram 999 casos. Para o infectologista Dr. João Victor Coriolano, do Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT), unidade do Governo de Goiás gerida pelo Instituto Sócrates Guanaes (ISG), a alta discreta pode estar relacionada à ampliação do acesso aos exames e à identificação de mais casos.

“Com a maior disponibilidade de testes e o acesso mais fácil aos exames, conseguimos identificar mais pessoas com tuberculose. Isso não significa necessariamente que houve aumento da transmissão, mas que a rede está conseguindo diagnosticar mais casos”, explica o médico. No HDT, entretanto, houve redução de 2% nos registros: foram 198 entre janeiro e 28 de outubro de 2025 e 194 no mesmo período deste ano.

Atenção aos sintomas

A tosse persistente por mais de três semanas é um dos principais sinais de tuberculose. A doença também pode provocar febre, geralmente no fim do dia, emagrecimento, fraqueza e, em alguns casos, sangue no escarro.

Pessoas com esses sintomas, que tiveram contato com alguém diagnosticado ou não apresentaram melhora após tratamento para pneumonia devem procurar uma unidade básica de saúde. O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento e evitar a transmissão para outras pessoas.

A tuberculose é transmitida pelo ar, por partículas eliminadas por pessoas com a forma pulmonar da doença ao falar, tossir ou cantar. Ambientes fechados e com aglomeração favorecem a transmissão. O contágio não ocorre pelo compartilhamento de objetos, roupas ou pelo contato com superfícies utilizadas pelo paciente.

Tratamento e prevenção

A tuberculose tem cura e o tratamento é gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Na maioria dos casos, dura seis meses, mas pode chegar a um ano quando a doença atinge órgãos como ossos, articulações e sistema nervoso central.

A interrupção do tratamento antes do prazo pode favorecer a resistência da bactéria aos medicamentos, dificultar a cura e provocar sequelas. “Quando o paciente não conclui o tratamento, a bactéria pode desenvolver resistência aos medicamentos. Além de dificultar a cura, a doença pode comprometer a função do órgão atingido”, alerta Coriolano.

A vacina BCG, recomendada ao nascimento, protege principalmente contra as formas graves da tuberculose na infância, como a meningite tuberculosa. Já quem teve contato com uma pessoa diagnosticada deve procurar uma unidade de saúde, mesmo sem sintomas. A avaliação permite identificar uma possível infecção e, quando necessário, iniciar o tratamento preventivo para evitar o desenvolvimento da doença.

Arthur Oliveira

Estagiário sob supervisão de Andréia Bahia

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