Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3) para renovar todas as cadeiras da Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado. A disputa é considerada decisiva para o presidente Donald Trump, que corre o risco de perder o controle do Congresso para o Partido Democrata, de oposição ao governo.
Pesquisas recentes indicam que os democratas podem conquistar a maioria na Câmara e também têm chances de avançar no Senado. Diante desse cenário, surge uma questão: Trump pode enfrentar um novo processo de impeachment?
Durante seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, o republicano passou por dois processos de impeachment aprovados pela Câmara dos Representantes. Nos dois casos, porém, foi absolvido pelo Senado e permaneceu no cargo.
Quais foram os impeachments de Trump?
O primeiro processo ocorreu em dezembro de 2019. Trump foi acusado de abuso de poder e obstrução do Congresso após pedir ao presidente da Ucrânia que investigasse Joe Biden, então pré-candidato à Presidência, e seu filho. O Senado julgou o caso e absolveu o presidente.
O segundo impeachment aconteceu em janeiro de 2021, após a invasão do Capitólio por apoiadores do republicano. Trump foi acusado de incitar a insurreição por causa de seu discurso a milhares de apoiadores antes dos episódios de violência. Mais uma vez, o Senado o absolveu.
Antes de Trump, os presidentes Andrew Johnson e Bill Clinton também foram alvo de processos de impeachment aprovados pela Câmara, mas não foram condenados pelo Senado. Richard Nixon, por sua vez, renunciou em 1974, antes que a Câmara votasse formalmente seu impeachment, em meio ao escândalo Watergate.
Como funciona o impeachment nos Estados Unidos?
O processo começa na Câmara dos Representantes, onde são apresentadas e votadas as acusações contra o presidente, conhecidas como artigos do impeachment.
Se a maioria simples dos deputados aprovar ao menos uma das acusações, o presidente sofre formalmente o impeachment e o caso segue para julgamento no Senado. Diferentemente do que ocorre no Brasil, a aprovação do impeachment pela Câmara não afasta automaticamente o presidente do cargo. Ele permanece na função enquanto aguarda o julgamento dos senadores.
No Senado, as acusações são analisadas em um julgamento parlamentar. Para condenar o presidente e removê-lo do cargo, é necessário o apoio de dois terços dos senadores presentes.
Por isso, mesmo que os democratas conquistem a maioria na Câmara, a abertura de um processo não significa que Trump será afastado. A condenação exige um apoio muito mais amplo no Senado, o que torna o afastamento um cenário difícil.

O que aconteceu com outros presidentes?
Andrew Johnson enfrentou um processo de impeachment em 1868, relacionado, entre outras acusações, à tentativa de afastar o secretário da Guerra Edwin M. Stanton sem o consentimento do Congresso. Após o julgamento, o Senado não alcançou os votos necessários para condená-lo, e Johnson permaneceu no cargo.
Bill Clinton foi acusado de perjúrio e obstrução da Justiça em um caso relacionado ao relacionamento com Monica Lewinsky, então estagiária da Casa Branca. A Câmara aprovou o impeachment em 1998, mas o Senado o absolveu em fevereiro de 1999.
Já Richard Nixon enfrentava possíveis acusações de obstrução da Justiça, abuso de poder e desrespeito ao Congresso no caso Watergate. Ele renunciou à Presidência em 9 de agosto de 1974, antes que a Câmara votasse o impeachment.
Os precedentes mostram que a aprovação do impeachment pela Câmara não garante a retirada do presidente do cargo. No caso de Trump, uma eventual mudança na composição do Congresso poderia abrir espaço para novas investigações e acusações, mas sua condenação dependeria da votação no Senado.













