De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o vitiligo afeta mais de 1 milhão de brasileiros e permanece entre as dermatoses com maior impacto psicossocial registrado na literatura médica. Revisão publicada em 2025 na revista científica Archives of Health, com base em estudos entre 2015 e 2024, aponta que a condição eleva os índices de depressão, ansiedade e isolamento social, especialmente entre jovens.
Para a dermatologista cooperada da Unimed Goiânia, Dra. Ludmilla Paiva Queiroz, tratar o vitiligo exige enxergar o paciente inteiro, não apenas a pele. “O vitiligo é uma doença dermatológica crônica, não contagiosa, caracterizada por manchas acrômicas, esbranquiçadas, devido à disfunção dos melanócitos, as células responsáveis por produzir melanina, o pigmento que dá cor à pele, aos cabelos e aos olhos”, define.
As manchas podem aparecer em qualquer região do corpo, mas têm predileção por áreas ao redor dos olhos, boca, dorso das mãos e pés, além de regiões próximas a cicatrizes ou sujeitas a traumas frequentes. “Hoje entendemos o vitiligo principalmente como uma doença autoimune, embora sua origem seja multifatorial. Pessoas com familiares com vitiligo ou com outras doenças autoimunes têm risco aumentado”, explica a dermatologista.
Quando a pele adoece, a mente também sente
A especialista lembra que o vitiligo não compromete funções orgânicas essenciais, mas seu peso sobre a saúde mental é documentado de forma consistente. “Embora o vitiligo não cause risco direto à vida, a questão estética gera danos à qualidade de vida. É uma doença estigmatizante, que está envolvida com a redução da autoestima, ansiedade, isolamento social e sintomas depressivos em alguns pacientes”, ressalta.
Dra. Ludmilla acrescenta que a imprevisibilidade da evolução torna o acompanhamento especializado ainda mais necessário. “A evolução do vitiligo é incerta. Um paciente pode ter apenas uma mancha por longo tempo, enquanto outro apresenta progressão rápida das lesões. O importante é fazer o acompanhamento com dermatologista para analisar cada caso e indicar o melhor tratamento”, orienta.
“Vitiligo emocional”: mito ou realidade?
A expressão “vitiligo emocional” não corresponde a uma classificação médica formal, mas a relação entre estado emocional e manifestação da doença tem base científica. Estudos publicados no SciELO registram que até 7,2% dos pacientes relatam que as primeiras manchas surgiram após um episódio de estresse emocional, e que mais de 75% desenvolvem autoimagem depreciativa em relação à condição.
A SBD reconhece que alterações emocionais e traumas figuram entre os fatores que podem desencadear ou agravar a doença. O mecanismo é indireto, a pele e o sistema nervoso compartilham estruturas comuns, o que explica a influência mútua entre estresse e manifestações cutâneas.
A relação, porém, não é de causa, mas de gatilho, distinção que a dermatologista sustenta a partir do que vê no consultório. “Há, sim, uma associação com o estado emocional do paciente. Vendo na prática, percebo piora das manchas em épocas em que o paciente está passando por estresse emocional intenso”, observa.














