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Caiado culpa Lula por tarifaço dos EUA e diz que Brasil transformou facções em “multinacionais”


Domingos Ketelbey Por Domingos Ketelbey em 07/06/2026 - 09:05

Caiado durante encontro de Lideranças do PSD, em Santa Catarina (Foto: Reprodução/PSD)

O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, culpou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela nova ameaça de tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. A declaração foi dada durante coletiva em Lages, Santa Catarina, em encontro de lideranças do partido.

Questionado se a visita do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos teria desencadeado a medida, Caiado evitou responsabilizar diretamente o parlamentar e afirmou ser contrário ao aumento de tarifas. “O que eu tenho que dizer é que sou contra o tarifaço. Sempre fui, desde o primeiro ao segundo. A minha posição é contrária”, disse.

Na sequência, o pré-candidato procurou separar os dois momentos de tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos. Segundo ele, o primeiro teria ocorrido por “retaliação”, enquanto o segundo estaria ligado à discussão aberta no âmbito da Seção 301, instrumento da legislação comercial norte-americana usado para apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses dos EUA.

“Agora você tem que analisar o fato de ter sido determinado agora. No primeiro momento, foi em decorrência de uma retaliação. O segundo momento é em relação a uma discussão sobre a Seção 301. Coisas distintas”, afirmou.

Caiado, então, deslocou a crítica para o Palácio do Planalto. Para ele, o Brasil perdeu força nas negociações externas por falta de autoridade política e moral do governo federal.

“Faltou ao Brasil aquilo que se precisa neste momento: ter autoridade moral para governar o país”, declarou.

O ex-governador também associou a pressão internacional ao avanço do crime organizado e à corrupção no país. Sem apresentar dados durante a resposta, Caiado afirmou que o governo federal permitiu que facções criminosas ganhassem dimensão internacional.

“No momento em que você deixa as facções criminosas se transformarem nas maiores multinacionais hoje no mundo e deixa a corrupção se alastrar país afora, você cria condicionantes não só dos Estados Unidos, como a Europa também já avalia restrições comprometendo o nosso mercado de exportação”, disse.

A fala reforça a tentativa de Caiado de disputar espaço na direita com discurso crítico ao governo Lula, mas sem assumir integralmente a linha de defesa da família Bolsonaro no episódio. Ao ser provocado sobre Flávio, o pré-candidato preferiu mirar o presidente.

“A presidência da República joga a credibilidade do Brasil na sarjeta. Isso é o que nós temos de dizer: parte dessa penalização foi em omissão do presidente da República”, afirmou.

 

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