O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado (25) que o Brasil reagirá a qualquer tentativa de interferência estrangeira nas eleições de outubro. A declaração foi feita um dia depois de o governo brasileiro negar vistos a dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos escalados para questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas.
“Quem quiser de fora vir se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo: vão apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino desse país são 157 milhões de eleitores”, declarou Lula.
A fala ocorreu em Campinas, durante a convenção da federação formada por PT, PCdoB e PV que oficializou Fernando Haddad como candidato ao governo de São Paulo. O evento também confirmou Márcio França como vice na chapa.
Lula vinculou o episódio à defesa da soberania nacional e afirmou que as relações diplomáticas do Brasil não significam tolerância a interferências no processo político interno.
“O aviso está dado. O Brasil é soberano, o Brasil quer manter relações com todos os países do mundo. O Brasil não quer guerra, o Brasil quer paz. O Brasil não quer ódio, o Brasil quer amor. O Brasil não quer fazer futrica, o Brasil quer trabalhar”, afirmou.
Brasil barrou emissários
Na sexta-feira (24), o Itamaraty negou os pedidos de visto de Riley Barnes, secretário-assistente para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Samuel Samson, secretário-assistente adjunto do Departamento de Estado norte-americano.
Os dois pretendiam viajar a Brasília para manter reuniões sobre o processo eleitoral. Segundo o The Washington Post, a missão tinha como objetivo colocar em dúvida a integridade do sistema eletrônico de votação brasileiro antes da eleição presidencial.
O governo brasileiro avaliou que a visita poderia ser instrumentalizada para dar respaldo externo à campanha de suspeitas contra as urnas eletrônicas. A preocupação aumentou após políticos brasileiros apresentarem a diplomatas estrangeiros alegações falsas sobre os equipamentos utilizados no país.
A negativa dos vistos e a reação de Lula elevam o confronto diplomático com o governo de Donald Trump. O episódio acrescenta a disputa sobre o sistema eleitoral à lista de atritos entre Brasília e Washington, que já inclui tarifas comerciais e críticas norte-americanas a decisões das instituições brasileiras.













