A Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) chega ao ciclo eleitoral de 2026 com uma marca que ajuda a explicar parte da movimentação nos bastidores políticos: a média de idade dos deputados estaduais é de 51,8 anos. O dado abriu espaço para que pelo menos seis nomes apresentem pré-candidaturas com o discurso de rejuvenescer o Parlamento, atualizar pautas e dialogar com um eleitorado que já nasceu ou cresceu em outro ambiente tecnológico, econômico e social.
Entre os nomes que tentam ocupar esse campo em busca de uma cadeira na Alego estão os vereadores por Goiânia Romário Policarpo (Cidadania), de 39 anos, e Lucas Kitão (Mobiliza), de 36; o empresário Felipe Mabel (Podemos), de 41; o delegado Yasser Yassine (PT), de 41; e o vereador por Aparecida de Goiânia Dieyme Vasconcelos (PL), de 35. No PP, a ex-prefeita de Bela Vista, Nárcia Kelly, com 38 anos também busca uma cadeira.
O movimento se soma a um quadro interno ainda restrito na Alego. Hoje, apenas cinco deputados estaduais têm menos de 40 anos. Desses, três devem disputar a reeleição para a Alego: Wagner Neto (PRD), de 35 anos; Cristiano Galindo (Solidariedade), de 35; e Gustavo Sebba (PSDB), de 39. Lucas do Vale (PSD), de 37, e Lucas Calil (PRD), de 38, miram uma vaga em Brasília e não devem tentar novo mandato estadual.
A discussão não é apenas estética. O argumento usado por esses pré-candidatos é que a mudança geracional pode levar à Assembleia temas menos presentes no cotidiano do Legislativo, como novas tecnologias, empreendedorismo, economia digital, comunicação, saúde pública contemporânea e formas mais recentes de participação política.
Romário Policarpo tenta levar para a disputa estadual a base construída na Câmara de Goiânia. Presidente do Legislativo municipal, tem atuação ligada à Guarda Civil Municipal, ao esporte e à interlocução com clubes de futebol. No cálculo político, aposta na visibilidade obtida na capital e em uma rede de vereadores para disputar espaço numa chapa proporcional.
Lucas Kitão entra no debate com uma pauta mais específica. O vereador se especializou em Políticas Públicas de Saúde com enfoque em cannabis medicinal pela Universidade Federal de Goiás e tenta transformar o tema em marca política. Também busca associar seu mandato a agendas de atualização tecnológica, como 5G, modernização dos serviços públicos e meios de pagamento digitais já incorporados à rotina da população.
Felipe Mabel mira um eleitorado ligado ao setor produtivo. Empresário, busca se apresentar como representante de novas indústrias, empreendedorismo e categorias que reivindicam mais espaço político, como os educadores físicos. Sua pré-candidatura também carrega o peso do sobrenome, hoje ainda mais visível em Goiânia pela gestão do prefeito Sandro Mabel.
À esquerda, Yasser Yassine tenta ocupar a pauta da segurança pública por outro caminho. Delegado e filiado ao PT, busca associar a experiência policial a uma leitura mais progressista da área, num campo em que o debate costuma ser dominado por discursos de direita.
Na outra ponta, Dieyme Vasconcelos tenta se consolidar como voz da direita conservadora de Aparecida de Goiânia. Filiado ao PL, ele aposta na comunicação direta com o eleitorado bolsonarista e na experiência acumulada na Câmara Municipal para disputar espaço na Assembleia.
O pano de fundo é o tamanho do eleitorado jovem e adulto em Goiás. Segundo os dados usados por lideranças que defendem a renovação, há mais de 2 milhões de eleitores entre 18 e 40 anos no Estado. O grupo representa cerca de 41% dos 5.083.957 eleitores registrados para votar em 2026.
Quando entram na conta os eleitores de 15, 16 e 17 anos registrados para participar das eleições, o percentual chega a 42%. É um contingente que votará para deputado estadual, deputado federal, dois senadores, governador e presidente da República, mas que ainda tem baixa correspondência geracional dentro da Assembleia.














