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Cinema, arte e debates ambientais marcam a abertura do maior Fica já realizado

Festival começou na Cidade de Goiás com homenagem a Dalton Paula, estreia nacional de filme goiano e reflexões sobre água, clima e futuro


Dhayane Marques Por Dhayane Marques em 17/06/2026 - 17:31

Foto: Divulgação

A Cidade de Goiás voltou a respirar cinema, arte e reflexão ambiental nesta terça-feira, 16 de junho, com a abertura da 27ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, o FICA. Em uma cerimônia no Cine Teatro São Joaquim, o festival deu início à que já é considerada sua maior edição, reunindo autoridades, artistas, pesquisadores e o público em torno do tema Água e Clima no Brasil das Nascentes.

A noite de abertura combinou emoção, identidade e uma boa dose de cinema brasileiro. O destaque foi a exibição inédita no país do curta A Curva do Rio, dirigido pelo goiano Kassio Pires. A obra chegou ao Fica depois de estrear internacionalmente em Madagascar e marcou sua primeira sessão em solo brasileiro justamente na cidade onde o festival ganhou fama mundial.

Na tela, o filme acompanha a relação entre Anair e o Rio Paranaíba, numa história que mistura memória, afeto e pertencimento. A narrativa parte do olhar de uma mulher de 60 anos que vive às margens do rio e tem medo de suas profundezas, enquanto o curso da água funciona como metáfora para o reencontro com as origens. O diretor resume a proposta como uma conversa sobre o sentimento de quem sai do interior, mas continua carregando esse lugar dentro de si.

A abertura também reservou um momento especial para a arte goiana. O artista plástico Dalton Paula foi homenageado pela trajetória marcada por pesquisas sobre ancestralidade, representatividade negra e memória cultural. Ele recebeu o troféu do Fica 2026 das mãos da secretária de Estado da Cultura, Yara Nunes, em um gesto que reforçou a conexão entre o festival e a valorização de vozes negras na arte brasileira.

A premiação deste ano traz uma novidade simbólica. Inspirado no pequi, o troféu foi redesenhado em versão contemporânea e produzido com madeiras nobres reaproveitadas, em uma escolha que une sustentabilidade, identidade regional e cuidado com a memória material do festival.

A cerimônia de abertura também serviu como espaço para reflexões sobre o presente e o futuro. Autoridades destacaram a urgência de discutir água, clima e preservação ambiental em um momento em que os impactos da crise climática já fazem parte da rotina de diferentes regiões do país. A programação do festival, que segue até domingo, aposta justamente nessa conversa entre arte e consciência ambiental.

Além das mostras competitivas, o Fica 2026 inclui debates, oficinas, apresentações culturais e shows gratuitos espalhados pela Cidade de Goiás. O evento também marca uma edição histórica para o município, que se aproxima dos 300 anos e volta a ocupar o centro de um encontro que mistura patrimônio, cinema e debate público.

Para a organização, a força do festival está na capacidade de reunir diferentes olhares em torno de um mesmo tema. A água, neste ano, surge não apenas como assunto ambiental, mas como símbolo de vida, memória e responsabilidade coletiva. Com entrada gratuita e programação até domingo, o Fica 2026 segue como um dos grandes encontros culturais do país, reafirmando a Cidade de Goiás como cenário de arte, pensamento e mobilização social.

Serviço
27ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental
De 16 a 21 de junho de 2026
Cidade de Goiás
Programação gratuita
Informações em fica.go.gov.br

Dhayane Marques

Dhayane Marques é jornalista formada pela PUC-GO. Atualmente é Diretora de Programas da TV Pai Eterno e repórter no jornal Tribuna do Planalto e Tribuna de Anápolis, nas editorias de cidades, educação, economia, agro, diversão e arte.

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