O prefeito Sandro Mabel (UB) pediu aos vereadores da base que destinem R$ 1 milhão de suas emendas parlamentares à rede própria de saúde de Goiânia. Durante reunião com parlamentares, ele afirmou precisar de R$ 37 milhões adicionais e defendeu que os recursos sejam enviados diretamente às unidades municipais, como postos de saúde, prometendo identificar os autores das destinações com placas nos locais beneficiados.
O apelo ocorre meses após levantamento da Tribuna do Planalto mostrar que apenas cerca de 5% das emendas impositivas previstas para 2026 chegaram diretamente à estrutura pública da Secretaria Municipal de Saúde. Embora a legislação determine que metade das emendas seja aplicada na área, a maior parte dos recursos acabou direcionada a organizações sociais, institutos e entidades privadas conveniadas, responsáveis pela realização de consultas, exames, mutirões e outras ações.
Na audiência pública, Mabel afirmou que pretende reforçar investimentos nas unidades básicas e pediu que cada um dos 37 vereadores reserve R$ 1 milhão para esse fim. “Vocês podem colocar onde vocês quiserem, no posto de saúde que vocês quiserem. Quem manda dinheiro para a saúde ganha uma plaquinha no posto de saúde para saber que mandou aquele equipamento”, afirmou. Segundo o prefeito, a Prefeitura também complementará os investimentos. “Eu preciso de mais R$ 37 milhões”, disse.
Historicamente, a maior parte dos recursos vinculados à saúde foi canalizada para entidades do terceiro setor, enquanto CAIS, UPAs, CAPS e unidades básicas receberam parcela reduzida dos valores. No orçamento de 2026, dos cerca de R$ 185 milhões em emendas impositivas, pouco mais de R$ 9 milhões foram destinados diretamente à rede municipal, conforme levantamento publicado pela Tribuna do Planalto.
Ao pedir que os vereadores indiquem recursos para postos de saúde específicos, Mabel tenta fortalecer a infraestrutura permanente da rede própria, ao mesmo tempo em que oferece visibilidade política aos parlamentares por meio da identificação das obras e equipamentos financiados com suas emendas. O pedido também sinaliza uma tentativa de reverter o padrão de pulverização dos recursos em entidades privadas, predominante nas últimas leis orçamentárias.

Quanto cada vereador destinou à rede própria de saúde para 2026
| Vereador | Valor destinado | Destino da emenda |
|---|---|---|
| Kátia (PT) | R$ 3,35 milhões* | Maior parte destinada diretamente ao setor público, com foco na Prefeitura de Goiânia, saúde, educação, UFG e IFG. |
| Thialu Guiotti (Avante) | R$ 1,5 milhão | Custeio e investimentos gerais da Secretaria Municipal de Saúde. |
| Major Vitor Hugo (PL) | R$ 1,5 milhão | R$ 1,2 milhão para mobiliário, consultas, exames, procedimentos ambulatoriais e de urgência no CAIS Cândida de Morais, além de outros investimentos na rede. |
| Welligton Bessa | R$ 1,35 milhão | Custeio dos serviços da rede municipal de saúde. |
| Rose Cruvinel (UB) | R$ 1,23 milhão | Centro de Atenção Integral à Saúde (CAIS) e manutenção da rede municipal. |
| Professor Edward (PT) | R$ 440 mil | Custeio do Fundo Municipal de Saúde. |
| Sanches da Federal (PP) | R$ 401,6 mil | Custeio e investimentos na rede municipal. |
| Coronel Urzêda (PL) | R$ 400 mil | Aquisição de aparelho de ultrassonografia e aparelhos de ar-condicionado para o CIAMS Novo Horizonte. |
| Bruno Diniz (MDB) | R$ 301,6 mil | Custeio de unidades como CAIS e serviços ambulatoriais. |
| Dr. Gustavo | R$ 200 mil | Custeio, manutenção e compra de equipamentos para três UBSs e projeto de educação em primeiros socorros. |
| Aava Santiago (PSDB) | R$ 200 mil | Aquisição de equipamentos para a rede municipal. |
| Heyler Leão (PP) | R$ 135 mil | Recursos para a rede própria de saúde. |
| Markim Goyá (PRD) | R$ 101,2 mil | Recursos para a rede própria de saúde. |
| Oséias Varão (PL) | R$ 99,6 mil | Recursos para a rede própria de saúde. |
| Cabo Senna (PRD) | R$ 15 mil | Destinação simbólica para a rede municipal de saúde. |
* Dos cerca de R$ 5 milhões em emendas da vereadora Kátia, R$ 3,35 milhões foram destinados ao setor público (saúde, educação, Prefeitura, UFG e IFG), não exclusivamente à saúde municipal.
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