A Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (DENARC), deflagrou, na manhã desta quinta-feira (9), a Operação Cifra Oculta – OPERAÇÃO DESTROYER – FASE 13, com o objetivo de desarticular o braço financeiro de facção criminosa em atuação no Estado de Goiás. Foram cumpridos 15 mandados de prisão temporária e 21 mandados de busca e apreensão, além de ter sido determinado pelo Poder Judiciário o sequestro e bloqueio de bens e valores dos investigados até o montante de R$ 160.000.000,00.
A ação é desdobramento da Operação Reincidentes, deflagrada pela DENARC em novembro do ano passado, que desmantelou uma célula da referida organização criminosa responsável pela comercialização de drogas e armas de fogo na região sul da Capital. Naquela oportunidade, 10 integrantes da facção criminosa foram presos.
Dois alvos da investigação morreram em confronto com as forças de segurança do Estado do Rio de Janeiro, durante a Operação Contenção, deflagrada em outubro do ano passado. As investigações demonstraram, ainda, que o foguetório simultâneo registrado no início de novembro em diversos municípios goianos foi coordenado por integrantes da facção criminosa em homenagem aos criminosos mortos na ação policial ocorrida na cidade do Rio de Janeiro.
Com o aprofundamento das investigações, especialmente a partir da análise do material apreendido durante a Operação Reincidentes, foi identificado um suposto integrante da alta cúpula da organização criminosa, responsável pela coordenação da distribuição de entorpecentes para diversas células da facção no Estado, bem como três supostos operadores financeiros diretamente vinculados a essa liderança, encarregados de receber, movimentar e ocultar os recursos provenientes das atividades criminosas em suas contas bancárias.
A análise do fluxo financeiro desses operadores revelou a existência de uma sofisticada estrutura de lavagem de capitais, composta por ao menos sete empresas de fachada, utilizadas para receber e movimentar recursos ilícitos em suas contas bancárias e de seus representantes legais, com o objetivo de ocultar e dissimular a verdadeira origem criminosa dos valores. Em pouco mais de um ano, o grupo movimentou aproximadamente R$ 320.000.000,00.
As investigações apontam, ainda, para a suposta participação de uma fintech, formalmente vinculada à liderança identificada, que teria sido utilizada para receber e movimentar recursos provenientes das atividades ilícitas da organização criminosa, constituindo importante instrumento do esquema de lavagem de capitais.
Durante as buscas, foram apreendidos veículos, significativa quantidade de droga, computadores, aparelhos celulares e farta documentação para posterior análise acerca dos fatos investigados.
O investigado apontado como integrante do alto escalão da organização criminosa, que possui diversas condenações criminais que, somadas, ultrapassam 106 anos de pena, pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, roubo a banco e homicídio, foi preso na última sexta-feira (3), quando deixava uma conhecida casa noturna localizada no Setor Marista, em Goiânia.
Até o início de junho deste ano, ele cumpria pena em regime semiaberto com monitoramento eletrônico, após ter passado 14 anos no regime fechado em unidades prisionais goianas. Entretanto, após ser alvo de uma operação realizada pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, em apoio à Polícia Civil de Goiás, na cidade de Angra dos Reis, onde foi localizado em uma residência de alto padrão à beira mar na companhia de diversos integrantes da organização criminosa, possivelmente durante uma reunião estratégica da facção, rompeu a tornozeleira eletrônica, passando à condição de foragido, ocasião em que também teve sua prisão decretada pelo Juízo da Execução Penal.
Outro investigado encontra-se preso em Portugal desde fevereiro deste ano, após ser flagrado transportando entorpecentes no Aeroporto de Lisboa. Um terceiro investigado permanece foragido naquele país.
A ação contou com o apoio de diversas unidades da polícia civil goiana, da delegacia de polícia de itapema/sc e do laboratório de evidências digitais da SPTC.
As investigações prosseguem com o objetivo de identificar outros indivíduos eventualmente envolvidos no esquema criminoso, bem como localizar o patrimônio ocultado pelos integrantes da organização criminosa, visando à sua recuperação e à completa descapitalização da facção.
A asfixia financeira das organizações criminosas constitui uma das principais estratégias da Polícia Civil de Goiás para enfraquecer suas estruturas, interromper suas atividades e impedir a reinserção de recursos provenientes do crime no mercado formal.















