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Quarenta anos escrevendo a história de Goiás


Por Luciano Cardoso em 10/07/2026 - 11:44

Tribuna do Planalto celebra 40 anos com nova identidade visual e site completamente renovado - TP
Comemorando 40 anos, Tribuna do Planalto ganhou redesign no seu site e redes sociais

Há jornais que apenas registram os acontecimentos. Há outros que ajudam a modificar a própria história que narram. O Tribuna do Planalto pertence a essa segunda categoria.

Ao completar quarenta anos de existência, o jornal celebra muito mais do que uma longevidade empresarial. Celebra a permanência de um projeto editorial que nasceu da percepção de uma oportunidade, consolidou-se pela qualidade de seu conteúdo e atravessou profundas transformações tecnológicas sem abdicar de seus princípios.

Poucos veículos de comunicação podem afirmar que mudaram a rotina do jornalismo em seu Estado. O então Jornal da Segunda fez exatamente isso.

Em julho de 1986, quando os principais jornais goianos não circulavam às segundas-feiras, havia um vazio informativo. As grandes decisões políticas do fim de semana, os resultados esportivos, os acontecimentos municipais e estaduais permaneciam sem cobertura impressa até a terça-feira. Foi justamente essa lacuna que o empresário Sebastião Barbosa, ao lado do jornalista José Carlos Rangel, soube identificar com rara sensibilidade empreendedora.

O Jornal da Segunda nasceu para preencher esse espaço e, durante cinco anos, foi o único periódico impresso goiano a circular às segundas-feiras, tornando-se referência em análises políticas, cobertura esportiva e informação municipalista.

O que parecia apenas uma oportunidade comercial revelou-se, na verdade, uma inovação capaz de alterar o próprio mercado. Não demorou para que os tradicionais jornais diários também passassem a circular na segunda-feira. O pioneirismo havia produzido concorrência.

Mais do que conquistar leitores, o Jornal da Segunda obrigou o jornalismo goiano a rever sua dinâmica de produção de notícias.

Esse talvez seja um dos maiores legados de um veículo de comunicação: não apenas acompanhar as mudanças, mas provocá-las.

Com o passar dos anos, o periódico amadureceu. Em 2004, transformou-se em Tribuna do Planalto, ampliando sua abrangência editorial sem perder a essência construída desde a primeira edição.

A mudança de nome não significou ruptura, mas evolução. Permaneceram a vocação analítica, a cobertura política qualificada, o olhar atento sobre os municípios goianos e o compromisso permanente com a boa informação.

Ao longo dessas quatro décadas, o Tribuna do Planalto tornou-se também uma verdadeira escola de jornalismo. Suas redações acolheram profissionais que posteriormente se destacariam em diversos veículos de comunicação, assessorias públicas e privadas.

Mais do que formar jornalistas, ajudou a formar uma cultura profissional baseada na apuração responsável, no debate de ideias e no respeito ao leitor. Projetos como o tradicional Caderno Escola e os concursos de redação “Na Ponta do Lápis” transformaram o jornal em agente ativo da educação e da formação cidadã, transcendendo o papel tradicional da imprensa.

Naturalmente, nenhum veículo atravessa quatro décadas sem enfrentar adversidades. A revolução digital alterou profundamente os hábitos de consumo de informação. O jornal impresso perdeu espaço para as plataformas digitais, as redes sociais aceleraram a circulação das notícias e a velocidade passou, muitas vezes, a competir com a qualidade da apuração.

Foi justamente nesse cenário que o Tribuna do Planalto reafirmou uma de suas maiores virtudes: adaptar-se sem renunciar à sua identidade.

A nova identidade visual e a completa reformulação de sua plataforma digital, apresentadas na comemoração dos quarenta anos, representam muito mais do que uma atualização estética. Simbolizam a compreensão de que tradição e inovação não são conceitos incompatíveis. Ao contrário, um veículo respeitado consegue preservar sua história enquanto incorpora novas tecnologias para continuar relevante às novas gerações de leitores.

Sua bênção - Tribuna do Planalto
Sebastião Barbosa, um dos fundadores do Tribuna do Planalto

Muito desse percurso se confunde com a própria personalidade de seu fundador.

Sebastião Barbosa jamais construiu sua reputação apenas como empresário da comunicação. Sua marca sempre foi a serenidade. Dono de uma inteligência rara, associada a uma humildade igualmente incomum, compreendeu desde cedo que fazer jornalismo é, antes de tudo, exercer uma missão pública.

Num tempo em que opiniões frequentemente se confundem com fatos, em que a velocidade muitas vezes supera a verificação e em que a polarização tende a substituir a reflexão, permanece atual a convicção de que a credibilidade continua sendo o maior patrimônio de um jornal.

Ela não se compra.
Não se improvisa.
Não nasce de campanhas publicitárias.
É construída diariamente, reportagem após reportagem, edição após edição, ao longo de muitos anos.

É precisamente esse patrimônio que explica por que o Tribuna do Planalto permanece como uma referência para sucessivas gerações de leitores goianos.

Celebrar seus quarenta anos significa também reconhecer o valor da imprensa responsável. Em uma democracia madura, jornais não existem apenas para informar. Existem para contextualizar, questionar, fiscalizar o poder, preservar a memória coletiva e oferecer ao cidadão os elementos necessários para formar seu próprio juízo sobre os acontecimentos.

Nesse aspecto, o Tribuna do Planalto consolidou uma identidade singular: preferiu a análise ao sensacionalismo, a responsabilidade à precipitação e o compromisso com a verdade à sedução das narrativas fáceis.

Quatro décadas depois daquela primeira edição do Jornal da Segunda, Goiás continua mudando. A tecnologia continuará transformando a comunicação, novas plataformas surgirão e os hábitos de leitura certamente evoluirão.

Mas alguns valores permanecem permanentes.
A busca pela verdade.
O respeito aos fatos.
A responsabilidade com a palavra escrita.
E a convicção de que o bom jornalismo continua sendo um dos pilares fundamentais da vida democrática.

O Tribuna do Planalto chega aos quarenta anos olhando para o futuro, mas carregando consigo a experiência de quem ajudou a escrever uma parte significativa da história do jornalismo goiano.

Há jornais que apenas noticiam o tempo.
Há outros que se tornam parte dele.

O Tribuna do Planalto pertence, sem dúvida, a essa segunda categoria.

Que venham os próximos quarenta anos. Porque a história de Goiás continua sendo escrita todos os dias — e o Tribuna do Planalto ainda tem muitas páginas para contar.

Luciano Cardoso

É advogado inscrito na OAB/GO. Membro do Instituto Goiano do Direito do Trabalho. Membro e Conselheiro Fiscal da Associação Goiana da Advocacia Trabalhista - AGATRA. Membro da Comissão de Direito Empresarial da OAB/GO. Chefe do Departamento Jurídico da Companhia de Urbanização de Goiânia - COMURG.
E-mail: [email protected].

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