Há jornais que apenas registram os acontecimentos. Há outros que ajudam a modificar a própria história que narram. O Tribuna do Planalto pertence a essa segunda categoria.
Ao completar quarenta anos de existência, o jornal celebra muito mais do que uma longevidade empresarial. Celebra a permanência de um projeto editorial que nasceu da percepção de uma oportunidade, consolidou-se pela qualidade de seu conteúdo e atravessou profundas transformações tecnológicas sem abdicar de seus princípios.
Poucos veículos de comunicação podem afirmar que mudaram a rotina do jornalismo em seu Estado. O então Jornal da Segunda fez exatamente isso.
Em julho de 1986, quando os principais jornais goianos não circulavam às segundas-feiras, havia um vazio informativo. As grandes decisões políticas do fim de semana, os resultados esportivos, os acontecimentos municipais e estaduais permaneciam sem cobertura impressa até a terça-feira. Foi justamente essa lacuna que o empresário Sebastião Barbosa, ao lado do jornalista José Carlos Rangel, soube identificar com rara sensibilidade empreendedora.
O Jornal da Segunda nasceu para preencher esse espaço e, durante cinco anos, foi o único periódico impresso goiano a circular às segundas-feiras, tornando-se referência em análises políticas, cobertura esportiva e informação municipalista.
O que parecia apenas uma oportunidade comercial revelou-se, na verdade, uma inovação capaz de alterar o próprio mercado. Não demorou para que os tradicionais jornais diários também passassem a circular na segunda-feira. O pioneirismo havia produzido concorrência.
Mais do que conquistar leitores, o Jornal da Segunda obrigou o jornalismo goiano a rever sua dinâmica de produção de notícias.
Esse talvez seja um dos maiores legados de um veículo de comunicação: não apenas acompanhar as mudanças, mas provocá-las.
Com o passar dos anos, o periódico amadureceu. Em 2004, transformou-se em Tribuna do Planalto, ampliando sua abrangência editorial sem perder a essência construída desde a primeira edição.
A mudança de nome não significou ruptura, mas evolução. Permaneceram a vocação analítica, a cobertura política qualificada, o olhar atento sobre os municípios goianos e o compromisso permanente com a boa informação.
Ao longo dessas quatro décadas, o Tribuna do Planalto tornou-se também uma verdadeira escola de jornalismo. Suas redações acolheram profissionais que posteriormente se destacariam em diversos veículos de comunicação, assessorias públicas e privadas.
Mais do que formar jornalistas, ajudou a formar uma cultura profissional baseada na apuração responsável, no debate de ideias e no respeito ao leitor. Projetos como o tradicional Caderno Escola e os concursos de redação “Na Ponta do Lápis” transformaram o jornal em agente ativo da educação e da formação cidadã, transcendendo o papel tradicional da imprensa.
Naturalmente, nenhum veículo atravessa quatro décadas sem enfrentar adversidades. A revolução digital alterou profundamente os hábitos de consumo de informação. O jornal impresso perdeu espaço para as plataformas digitais, as redes sociais aceleraram a circulação das notícias e a velocidade passou, muitas vezes, a competir com a qualidade da apuração.
Foi justamente nesse cenário que o Tribuna do Planalto reafirmou uma de suas maiores virtudes: adaptar-se sem renunciar à sua identidade.
A nova identidade visual e a completa reformulação de sua plataforma digital, apresentadas na comemoração dos quarenta anos, representam muito mais do que uma atualização estética. Simbolizam a compreensão de que tradição e inovação não são conceitos incompatíveis. Ao contrário, um veículo respeitado consegue preservar sua história enquanto incorpora novas tecnologias para continuar relevante às novas gerações de leitores.
Muito desse percurso se confunde com a própria personalidade de seu fundador.
Sebastião Barbosa jamais construiu sua reputação apenas como empresário da comunicação. Sua marca sempre foi a serenidade. Dono de uma inteligência rara, associada a uma humildade igualmente incomum, compreendeu desde cedo que fazer jornalismo é, antes de tudo, exercer uma missão pública.
Num tempo em que opiniões frequentemente se confundem com fatos, em que a velocidade muitas vezes supera a verificação e em que a polarização tende a substituir a reflexão, permanece atual a convicção de que a credibilidade continua sendo o maior patrimônio de um jornal.
Ela não se compra.
Não se improvisa.
Não nasce de campanhas publicitárias.
É construída diariamente, reportagem após reportagem, edição após edição, ao longo de muitos anos.
É precisamente esse patrimônio que explica por que o Tribuna do Planalto permanece como uma referência para sucessivas gerações de leitores goianos.
Celebrar seus quarenta anos significa também reconhecer o valor da imprensa responsável. Em uma democracia madura, jornais não existem apenas para informar. Existem para contextualizar, questionar, fiscalizar o poder, preservar a memória coletiva e oferecer ao cidadão os elementos necessários para formar seu próprio juízo sobre os acontecimentos.
Nesse aspecto, o Tribuna do Planalto consolidou uma identidade singular: preferiu a análise ao sensacionalismo, a responsabilidade à precipitação e o compromisso com a verdade à sedução das narrativas fáceis.
Quatro décadas depois daquela primeira edição do Jornal da Segunda, Goiás continua mudando. A tecnologia continuará transformando a comunicação, novas plataformas surgirão e os hábitos de leitura certamente evoluirão.
Mas alguns valores permanecem permanentes.
A busca pela verdade.
O respeito aos fatos.
A responsabilidade com a palavra escrita.
E a convicção de que o bom jornalismo continua sendo um dos pilares fundamentais da vida democrática.
O Tribuna do Planalto chega aos quarenta anos olhando para o futuro, mas carregando consigo a experiência de quem ajudou a escrever uma parte significativa da história do jornalismo goiano.
Há jornais que apenas noticiam o tempo.
Há outros que se tornam parte dele.
O Tribuna do Planalto pertence, sem dúvida, a essa segunda categoria.
Que venham os próximos quarenta anos. Porque a história de Goiás continua sendo escrita todos os dias — e a Tribuna do Planalto ainda tem muitas páginas para contar.
Luciano de Paula Cardoso Queiroz
Advogado















