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Novo comprimido aprovado nos EUA pode ampliar tratamento contra colesterol alto; especialista explica

Medicamento oral da Merck reduz o colesterol LDL em até 60% nos estudos clínicos e surge como alternativa aos inibidores injetáveis da PCSK9


Redação Tribuna do Planalto Por Redação Tribuna do Planalto em 23/07/2026 - 04:55

Novo comprimido aprovado nos EUA pode ampliar tratamento contra colesterol alto; especialista explica
(Foto: Reprodução)

A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos equivalente à Anvisa no Brasil, aprovou um novo medicamento comprimido oral para o tratamento do colesterol alto. Desenvolvido pela farmacêutica Merck, o enlicitide será comercializado com o nome Lipfendra e representa uma nova alternativa para pacientes que precisam reduzir os níveis de colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”, especialmente aqueles com maior risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

O medicamento atua por meio da inibição da proteína PCSK9, mecanismo já utilizado por medicamentos injetáveis disponíveis no mercado. A principal novidade é que o tratamento passa a ser oferecido em comprimidos de uso diário, o que pode facilitar a adesão dos pacientes. Segundo a Merck, o preço de tabela será de US$ 315 para 30 dias de tratamento, enquanto as opções injetáveis da mesma classe custam entre US$ 500 e US$ 600 por mês.

Nos estudos clínicos, o Lipfendra demonstrou capacidade de reduzir o colesterol LDL para níveis entre 50 e 60 mg/dL, ou até inferiores, patamar recomendado para pessoas com elevado risco cardiovascular. As diretrizes da American Heart Association (AHA) e do American College of Cardiology (ACC) orientam que pacientes de alto risco mantenham o LDL abaixo de 70 mg/dL, enquanto aqueles que já sofreram infarto ou apresentam risco muito elevado devem atingir níveis inferiores a 55 mg/dL.

De acordo com o médico nutrólogo Dr. José Israel Sanchez Robles, a aprovação representa um avanço importante para pacientes que não conseguem controlar o colesterol apenas com estatinas.

“O controle adequado do colesterol LDL continua sendo uma das medidas mais eficazes para prevenir infartos, AVCs e outras doenças cardiovasculares. Quanto maior o risco cardiovascular do paciente, mais rigorosa deve ser a meta para os níveis de LDL.”

O especialista destaca que o tratamento medicamentoso deve ser acompanhado por mudanças no estilo de vida.

“Mesmo com terapias cada vez mais modernas, uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividade física, o controle do peso e o abandono do tabagismo continuam sendo pilares indispensáveis para reduzir o risco cardiovascular.”

O medicamento foi avaliado em um estudo clínico envolvendo 2.912 participantes acompanhados durante 24 semanas. Os resultados mostraram redução de até 60% nos níveis de colesterol LDL, sem aumento significativo de efeitos adversos em comparação com o placebo. O desempenho foi semelhante ao observado com os medicamentos injetáveis da mesma classe terapêutica.

Atualmente, embora os inibidores da PCSK9 já estejam disponíveis, seu uso ainda é limitado. Entre os principais obstáculos estão o alto custo, as restrições de cobertura por planos de saúde e a necessidade de aplicações por injeção.

Para o Dr. José Israel Sanchez Robles, a versão em comprimido pode representar um avanço importante na adesão dos pacientes ao tratamento.

“Muitos pacientes abandonam ou evitam tratamentos injetáveis por questões de custo, praticidade ou receio das aplicações. Uma opção oral pode facilitar o uso contínuo e melhorar a adesão ao tratamento, fator fundamental para alcançar a redução do risco cardiovascular.”

A Merck também conduz um estudo para avaliar se o Lipfendra será capaz de reduzir infartos, AVCs e mortes por doenças cardiovasculares na mesma proporção observada com os inibidores injetáveis da PCSK9. Esses medicamentos já demonstraram reduzir em cerca de 20% a ocorrência desses eventos em pacientes considerados de alto risco.

Enquanto os resultados definitivos não são divulgados, a expectativa é de que o novo comprimido ofereça benefícios semelhantes, ampliando o acesso a uma terapia eficaz para o controle do colesterol.

“O surgimento de novas terapias amplia as possibilidades de tratamento, mas a escolha deve sempre ser individualizada e feita pelo médico, considerando o perfil clínico, o risco cardiovascular e os objetivos terapêuticos de cada paciente”, conclui o Dr. José Israel Sanchez Robles.

Redação Tribuna do Planalto

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