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Gasolina com 32% de etanol começa a valer; veja quais carros podem ter problemas e como evitar prejuízos

Nova mistura entra em vigor neste sábado (1º) em todo o país. Especialistas alertam para possíveis impactos em veículos antigos e importados, enquanto governo afirma que testes não apontaram danos aos motores


Andréia Bahia Por Andréia Bahia em 31/07/2026 - 08:45

Gasolina com 32% de etanol começa a valer; veja quais carros podem ter problemas e como evitar prejuízos
Gasolina com 32% de etanol começa a valer; veja quais carros podem ter problemas e como evitar prejuízos - Reprodução

A gasolina vendida nos postos brasileiros passa a ter, a partir deste sábado (1º), 32% de etanol anidro, contra os 30% anteriores. A mudança, aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis e ampliar o uso de biocombustíveis, mas tem gerado preocupação entre especialistas e fabricantes de veículos.

Embora o governo afirme que os testes realizados não identificaram impactos relevantes, engenheiros e representantes da indústria automotiva alertam que veículos antigos, importados ou que não são flex podem apresentar aumento no consumo, desgaste de componentes e até problemas no sistema de alimentação de combustível.

Quais carros exigem mais atenção?

Os especialistas afirmam que os veículos mais suscetíveis são:

  • carros fabricados há mais de 20 anos;
  • modelos movidos apenas a gasolina;
  • veículos importados sem tecnologia flex;
  • automóveis com sistemas de injeção eletrônica antigos ou carburados.

Nesses casos, a maior concentração de etanol pode acelerar o desgaste de mangueiras, vedações, bombas de combustível, bicos injetores e outros componentes que não foram desenvolvidos para trabalhar com esse percentual do biocombustível.

O que pode acontecer?

Entre os principais efeitos apontados pelos especialistas estão:

  • aumento do consumo de combustível;
  • dificuldade na partida, principalmente pela manhã;
  • marcha lenta irregular;
  • perda de potência;
  • falhas na aceleração;
  • corrosão de peças metálicas;
  • desgaste prematuro de mangueiras, bombas e bicos injetores.

Os sinais costumam aparecer gradualmente e devem ser avaliados por um mecânico de confiança caso persistam.

Como evitar problemas

Especialistas recomendam alguns cuidados para quem possui veículos mais antigos ou não flex:

  • manter a manutenção preventiva em dia;
  • utilizar filtros e peças homologadas pelo fabricante;
  • evitar adaptações no sistema de combustível;
  • usar estabilizadores de combustível apenas quando recomendados;
  • dirigir suavemente logo após ligar o motor;
  • observar qualquer alteração no consumo ou no funcionamento do veículo.

Também não é recomendado substituir velas, filtros ou outros componentes por modelos diferentes dos especificados pela montadora apenas por causa da nova mistura de etanol.

Governo diz que testes comprovaram segurança

O Conselho Nacional de Política Energética afirma que foram realizados testes em laboratório e em condições reais de uso, avaliando desempenho, consumo, emissões, dirigibilidade e partida a frio.

Segundo o órgão, os resultados indicaram que a gasolina com 32% de etanol apresentou comportamento semelhante ao observado nas misturas anteriores, sem danos relevantes, inclusive em veículos movidos exclusivamente a gasolina.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) também defende a medida e afirma que o setor tem capacidade para atender ao aumento da demanda, além de reduzir a importação de gasolina e ampliar o uso de combustível renovável produzido no Brasil.

Anfavea pede mais testes

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) diz ser favorável aos biocombustíveis, mas considera que qualquer aumento na mistura obrigatória deve ser precedido por um cronograma rigoroso de testes para garantir a segurança dos consumidores e a durabilidade dos motores.

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