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Entenda a briga que tirou Macklemore da turnê de Ed Sheeran após discurso pró-Palestina

Macklemore é retirado da turnê de Ed Sheeran após pedir "Palestina Livre" em shows nos EUA; rapper afirma que donos de estádios liderados por Robert Kraft vetaram sua participação


Fábio Prado Por Fábio Prado em 15/09/2026 - 17:24

Entenda a briga que tirou Macklemore da turnê de Ed Sheeran após discurso pró-Palestina
Macklemore se apresenta no palco durante o ibis RockCorps France 2024, na Accor Arena, em 29 de maio de 2024, em Paris, França - Foto: Kristy Sparow

Rapper pediu “Palestina Livre” no palco do MetLife Stadium e teve participação vetada por donos de estádios liderados por Robert Kraft, proprietário do New England Patriots. Ed Sheeran afirma que decisão partiu dos produtores.

O rapper norte-americano Macklemore foi retirado da Loop Tour, turnê do cantor britânico Ed Sheeran, após fazer discursos de apoio à Palestina durante os shows de abertura realizados nos Estados Unidos. A informação foi confirmada pelo próprio artista em uma publicação no Instagram na segunda-feira (14).

Macklemore havia se apresentado nos dias 4 e 5 de setembro, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Durante a primeira apresentação, ele pediu que o público gritasse “Free Palestine” (“Palestina Livre”) e declarou solidariedade ao povo de Gaza e da Cisjordânia ocupada. Na sequência, o rapper apresentou a música “Hind’s Hall”, faixa de protesto que faz referência aos acampamentos pró-Palestina na Universidade Columbia, enquanto imagens da guerra em Gaza eram exibidas nos telões do estádio.

Pressão de donos de estádios e veto de Robert Kraft

Segundo Macklemore, a decisão de retirá-lo da turnê partiu de uma articulação de proprietários de estádios. O rapper afirmou que Ed Sheeran lhe contou que Robert Kraft, bilionário e dono do New England Patriots, ligou para informar que ele não seria permitido no Gillette Stadium, em Foxborough, Massachusetts, onde havia shows marcados para o final de setembro.

Macklemore também alegou que Kraft mobilizou outros donos de arenas e emitiu um ultimato: se Macklemore permanecesse na turnê, Sheeran não poderia se apresentar nos estádios gerenciados por eles. A produtora Messina Touring Group, responsável pela etapa americana, confirmou à revista Rolling Stone que foi notificada pelas casas de shows de que não permitiriam as apresentações com Macklemore na programação.

Em comunicado enviado à Al Jazeera, Robert Kraft confirmou a decisão de barrar Macklemore do Gillette Stadium. O bilionário citou o que descreveu como um “histórico mais amplo de retórica e imagética antissemita” do rapper como motivo para a proibição. “Esta decisão não é sobre diminuir o sofrimento de palestinos inocentes ou negar a qualquer pessoa o direito de advogar em nome deles”, afirmou Kraft. “Mas essa advocacia não deve vir às custas da comunidade judaica.”

Ed Sheeran diz que decisão não foi sua

Ed Sheeran se pronunciou sobre o caso na terça-feira (15), em comunicado compartilhado em suas redes sociais. O cantor britânico afirmou que a retirada de Macklemore foi uma decisão dos produtores, não sua, e que seu contrato com o rapper era com a produtora, não com ele.

Sheeran declarou estar “consternado com o conflito entre Israel e Palestina” e disse que “o sofrimento e a dor causados em ambos os lados são uma tragédia humana”. Ele afirmou ter opiniões pessoais sobre o conflito, mas que prefere não usar sua plataforma profissional para manifestações políticas, defendendo que seus shows sejam espaços de união e acolhimento.

Em janeiro de 2025, Ed Sheeran negou alegações de que teria se apresentado para soldados israelenses feridos na guerra em Gaza. O rumor surgiu a partir de uma publicação da radialista India Willoughby, que compartilhou uma reportagem do Jerusalem Post intitulada “Como Ed Sheeran trouxe alegria a soldados feridos das IDF”. O cantor classificou as alegações como “divisivas e prejudiciais” e negou o ocorrido.

Macklemore mantém posição

Em sua publicação no Instagram, Macklemore disse que não se considera vítima e que o verdadeiro sofrimento é do povo palestino. O rapper, que é amigo de Sheeran há 13 anos, afirmou que a postura “tipicamente apolítica” do britânico foi um fator importante para sua saída.

“Tomar um lado pode custar caro. Dinheiro, contratos com marcas, patrocínios, festivais, shows privados, relacionamentos e acesso. Eu perdi todas essas coisas”, escreveu. “Quando um dos lados tem as bombas e um apoio financeiro e militar ilimitado dos Estados Unidos, recusar-se a tomar um lado não significa permanecer no meio.”

O rapper também rebateu as acusações de antissemitismo e reafirmou que suas críticas são direcionadas ao governo de Israel, e não ao povo judeu. “O desejo de que todos os seres humanos sejam tratados igualmente nunca deveria ser controverso”, declarou. Macklemore tem se posicionado publicamente sobre a causa palestina de forma consistente, especialmente após a intensificação da ofensiva israelense na Faixa de Gaza.

Diversos artistas prestaram apoio a Macklemore após a decisão, incluindo o ator Javier Bardem, as cantoras Marina, Zara Larsson e Paloma Faith, a atriz Alyson Stoner e a ativista Greta Thunberg. A cantora Kehlani também manifestou solidariedade. Do outro lado, a cantora Pink publicou mensagens criticando Macklemore, e organizações pró-Israel como a Liga Antidifamação e o Israeli-American Council se manifestaram a favor da retirada do rapper da turnê.

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