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Motorista paga para trabalhar? Uber é processada em R$ 321 milhões

Ministério Público do Trabalho quer suspender programa de assinatura que não garante quantidade mínima de corridas aos condutores


Redação Tribuna do Planalto Por Redação Tribuna do Planalto em 26/08/2026 - 16:20

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(Imagem: Reprodução)

Pagar uma taxa antes mesmo de saber quantas corridas aparecerão no aplicativo. Essa é a dinâmica do “Passe para Motoristas”, programa da Uber que levou o Ministério Público do Trabalho (MPT) a apresentar uma ação civil pública contra a plataforma.

O órgão pede que a empresa seja condenada ao pagamento de R$ 321 milhões por danos morais coletivos. Também solicita a suspensão do programa em todo o Brasil e a devolução de tudo o que já foi pago pelos motoristas que utilizaram a modalidade.

Criado em maio de 2026, o passe substitui o desconto convencional realizado pela Uber ao final de cada viagem. O motorista paga antecipadamente e pode trabalhar sem a taxa de serviço tradicional durante um período ou até alcançar determinado valor em corridas.

Na opção por tempo, o passe vale por 24 ou 72 horas. Na modalidade por ganhos, o condutor utiliza o aplicativo sem o desconto por viagem até atingir um teto de faturamento definido pela plataforma.

O ponto questionado pelo MPT é que o pagamento não representa garantia de trabalho. Mesmo depois de comprar o passe, o motorista não tem assegurado um volume mínimo de viagens e ainda pode disputar as solicitações com profissionais que não aderiram ao programa.

Corridas futuras podem quitar dívida

A situação pode se tornar ainda mais complicada quando o condutor não tem saldo suficiente na plataforma. Conforme a ação, o valor do passe pode ser cobrado automaticamente dos rendimentos obtidos nas corridas seguintes.

Na avaliação do MPT, o modelo cria um risco de endividamento e aumenta a dependência econômica do motorista. A Procuradoria afirma que os gastos com o programa podem superar R$ 1 mil por mês.

O órgão também vê uma espécie de fidelização indireta. Depois de pagar antecipadamente, o motorista teria menos liberdade para aceitar corridas em aplicativos concorrentes, pois precisaria permanecer conectado à Uber para tentar recuperar o investimento.

A modalidade começou a funcionar em 12 cidades e, segundo o MPT, já alcançou 29 municípios. O processo tramita na 9ª Vara do Trabalho de Salvador. A Procuradoria também quer acesso ao código-fonte do algoritmo da Uber para entender como a empresa calcula preços, distribui viagens e define os repasses aos condutores.

Uber contesta acusações

A Uber refutou as conclusões do MPT e afirmou que apresentará as informações necessárias à Justiça. Segundo a empresa, o passe é opcional, está em fase de testes e funciona como alternativa comercial ao desconto feito em cada corrida.

A plataforma sustenta que o modelo pretende dar previsibilidade aos motoristas sobre quanto pagarão pelo serviço de intermediação. Também destacou que sistemas de assinatura já são oferecidos por outros aplicativos de transporte no país.

A suspensão ainda não foi determinada. Antes de decidir sobre os pedidos, o juiz responsável pelo processo optou por ouvir os argumentos da Uber.

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Redação Tribuna do Planalto

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