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Meta pagará US$ 16,68 bilhões em acordo sobre alegações de vício de crianças e adolescentes nas redes sociais

Dona de Instagram, Facebook e WhatsApp fechou acordo com estados dos EUA e terá de adotar novas regras para usuários menores de 18 anos


Andréia Bahia Por Andréia Bahia em 26/08/2026 - 14:42

Meta pagará US$ 16,68 bilhões em acordo sobre alegações de vício de crianças e adolescentes nas redes sociaisMeta
Meta pagará US$ 16,68 bilhões em acordo sobre alegações de vício de crianças e adolescentes nas redes sociais

A Meta, empresa responsável por Instagram, Facebook e WhatsApp, concordou em pagar US$ 16,68 bilhões, cerca de R$ 86,7 bilhões, para encerrar um conjunto de processos nos Estados Unidos que acusa a companhia de contribuir para o uso excessivo e a dependência de crianças e adolescentes nas redes sociais.

O acordo foi firmado com 29 estados americanos e encerra um dos principais julgamentos sobre os possíveis impactos das plataformas digitais na saúde e no comportamento de crianças e adolescentes, segundo informações da Reuters reproduzidas pelo G1.

Além do pagamento bilionário, a Meta terá de implementar novas medidas de proteção para usuários menores de 18 anos no Facebook e no Instagram em todo o território americano.

Meta terá de limitar uso das redes sociais por adolescentes

Entre as principais mudanças previstas no acordo estão:

  • limite diário padrão de duas horas para usuários menores de 18 anos, com possibilidade de alteração apenas pelos pais;
  • bloqueio do acesso durante a madrugada, entre meia-noite e 6h, que poderá ser retirado pelos responsáveis;
  • bloqueio de notificações entre 22h e 7h para menores de 18 anos;
  • bloqueio de notificações durante o horário escolar;
  • possibilidade de adolescentes utilizarem um feed não personalizado;
  • compromisso de responder a 90% dos relatos de adolescentes sobre conteúdos potencialmente prejudiciais em até seis horas;
  • manutenção, revisão e aprimoramento das medidas de segurança destinadas a adolescentes;
  • adoção de mecanismos para identificar e remover crianças menores de 13 anos das plataformas.

As medidas foram estabelecidas como parte do acordo judicial e representam uma ampliação das restrições destinadas ao público infantil e adolescente.

Processo começou em 2023

O julgamento teve início em 12 de agosto de 2026, a partir de ações judiciais apresentadas desde 2023. Os estados americanos acusavam a Meta de desenvolver e manter recursos capazes de aumentar o tempo de permanência de crianças e adolescentes em suas plataformas.

Segundo as acusações, o funcionamento das redes poderia contribuir para dependência, uso excessivo e problemas de saúde mental entre jovens.

Ao aceitar o acordo, a empresa de Mark Zuckerberg não admitiu ter cometido irregularidades.

Apesar do acordo, a Meta ainda enfrenta outras ações judiciais em tribunais federais e estaduais americanos relacionadas às mesmas alegações.

Acordo também envolve caso Cambridge Analytica

O acordo inclui ainda processos relacionados ao escândalo Cambridge Analytica, envolvendo Califórnia, Illinois, Novo México e Washington, D.C.

Os quatro estados receberão US$ 459,3 milhões para encerrar ações relacionadas à coleta de dados pessoais de milhões de usuários do Facebook pela empresa de consultoria.

Antes do julgamento, a Meta afirmou em documento judicial que os quatro estados buscavam multas que poderiam chegar a US$ 1,4 trilhão. Os estados, por outro lado, não apresentaram um valor específico, mas estimaram que a quantia estaria mais próxima de US$ 200 bilhões.

Meta ainda é alvo de outras ações

O acordo não encerra todos os processos enfrentados pela Meta nos Estados Unidos. De acordo com a Reuters, permanecem ações em diferentes tribunais nas quais a empresa é acusada de criar deliberadamente ferramentas para aumentar o tempo de permanência de crianças e adolescentes nas plataformas.

As ações também questionam os possíveis efeitos desse modelo sobre a saúde mental dos jovens.

O acordo firmado agora estabelece novas obrigações para a Meta e coloca o debate sobre segurança infantil, limites de uso e responsabilidade das redes sociais novamente no centro das discussões sobre tecnologia nos Estados Unidos.

Fonte: Reuters.

 

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