A Meta, empresa responsável por Instagram, Facebook e WhatsApp, concordou em pagar US$ 16,68 bilhões, cerca de R$ 86,7 bilhões, para encerrar um conjunto de processos nos Estados Unidos que acusa a companhia de contribuir para o uso excessivo e a dependência de crianças e adolescentes nas redes sociais.
O acordo foi firmado com 29 estados americanos e encerra um dos principais julgamentos sobre os possíveis impactos das plataformas digitais na saúde e no comportamento de crianças e adolescentes, segundo informações da Reuters reproduzidas pelo G1.
Além do pagamento bilionário, a Meta terá de implementar novas medidas de proteção para usuários menores de 18 anos no Facebook e no Instagram em todo o território americano.
Meta terá de limitar uso das redes sociais por adolescentes
Entre as principais mudanças previstas no acordo estão:
- limite diário padrão de duas horas para usuários menores de 18 anos, com possibilidade de alteração apenas pelos pais;
- bloqueio do acesso durante a madrugada, entre meia-noite e 6h, que poderá ser retirado pelos responsáveis;
- bloqueio de notificações entre 22h e 7h para menores de 18 anos;
- bloqueio de notificações durante o horário escolar;
- possibilidade de adolescentes utilizarem um feed não personalizado;
- compromisso de responder a 90% dos relatos de adolescentes sobre conteúdos potencialmente prejudiciais em até seis horas;
- manutenção, revisão e aprimoramento das medidas de segurança destinadas a adolescentes;
- adoção de mecanismos para identificar e remover crianças menores de 13 anos das plataformas.
As medidas foram estabelecidas como parte do acordo judicial e representam uma ampliação das restrições destinadas ao público infantil e adolescente.
Processo começou em 2023
O julgamento teve início em 12 de agosto de 2026, a partir de ações judiciais apresentadas desde 2023. Os estados americanos acusavam a Meta de desenvolver e manter recursos capazes de aumentar o tempo de permanência de crianças e adolescentes em suas plataformas.
Segundo as acusações, o funcionamento das redes poderia contribuir para dependência, uso excessivo e problemas de saúde mental entre jovens.
Ao aceitar o acordo, a empresa de Mark Zuckerberg não admitiu ter cometido irregularidades.
Apesar do acordo, a Meta ainda enfrenta outras ações judiciais em tribunais federais e estaduais americanos relacionadas às mesmas alegações.
Acordo também envolve caso Cambridge Analytica
O acordo inclui ainda processos relacionados ao escândalo Cambridge Analytica, envolvendo Califórnia, Illinois, Novo México e Washington, D.C.
Os quatro estados receberão US$ 459,3 milhões para encerrar ações relacionadas à coleta de dados pessoais de milhões de usuários do Facebook pela empresa de consultoria.
Antes do julgamento, a Meta afirmou em documento judicial que os quatro estados buscavam multas que poderiam chegar a US$ 1,4 trilhão. Os estados, por outro lado, não apresentaram um valor específico, mas estimaram que a quantia estaria mais próxima de US$ 200 bilhões.
Meta ainda é alvo de outras ações
O acordo não encerra todos os processos enfrentados pela Meta nos Estados Unidos. De acordo com a Reuters, permanecem ações em diferentes tribunais nas quais a empresa é acusada de criar deliberadamente ferramentas para aumentar o tempo de permanência de crianças e adolescentes nas plataformas.
As ações também questionam os possíveis efeitos desse modelo sobre a saúde mental dos jovens.
O acordo firmado agora estabelece novas obrigações para a Meta e coloca o debate sobre segurança infantil, limites de uso e responsabilidade das redes sociais novamente no centro das discussões sobre tecnologia nos Estados Unidos.
Fonte: Reuters.
LEIA TAMBÉM:
Lula tem 39% contra 34% de Flávio e lidera também no 2º turno, aponta pesquisa














