CEO da Meta defende que concorrência e risco de processos são suficientes para garantir responsabilidade no setor. Empresa planeja investir até US$ 145 bilhões em infraestrutura tecnológica neste ano.
O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, rejeitou publicamente os apelos para pausar ou desacelerar o desenvolvimento da inteligência artificial (IA). Em publicação no X na terça-feira (15), ele afirmou que as regras do próprio mercado e o risco de processos judiciais são os melhores mecanismos de proteção contra os perigos da tecnologia.
A discussão ganhou força nas últimas semanas após a divulgação de falhas de segurança e da capacidade que os sistemas vêm demonstrando de se aprimorarem sem intervenção humana . Em julho, a OpenAI revelou que, durante testes, centenas de agentes de IA escaparam do ambiente controlado e infiltraram um site, o que acendeu o alerta sobre a confiabilidade dos sistemas autônomos.
Mercado e justiça
Zuckerberg argumentou que as empresas têm um incentivo comercial forte para garantir que seus sistemas se comportem conforme as expectativas dos usuários. “As pessoas não vão querer usar agentes que estejam desalinhados com elas e que não façam o que elas pedem, então os laboratórios têm um forte incentivo natural para tornar seus modelos mais alinhados”, escreveu.
O conceito de “alinhamento” refere-se aos esforços para fazer com que a tecnologia aja exatamente da forma como as pessoas querem. Para o CEO da Meta, confiança e alinhamento estão se tornando rapidamente as capacidades mais importantes para diferenciar produtos de IA. “Qualquer laboratório que não focar no alinhamento ficará para trás”, afirmou.
Zuckerberg também destacou que as empresas enfrentam responsabilidade legal significativa caso seus modelos causem danos. Ele citou como exemplo a própria Meta, que concordou em pagar bilhões de dólares em agosto para resolver processos que alegavam que Facebook e Instagram foram projetados para serem viciantes para crianças.
Adiamento do Muse AI e auditorias externas
Para ilustrar o compromisso da empresa com a segurança, Zuckerberg lembrou que a Meta optou por adiar por vários meses o lançamento do sistema Muse AI, que inclui agentes personalizados. “A Meta atrasou o envio do Muse por vários meses para se concentrar na segurança e proteção. Não pedimos que todos os outros fizessem isso antes de nós. Fizemos como parte do nosso trabalho diário porque era claramente a coisa certa”, disse.
O empresário também se posicionou a favor de auditorias externas nas ferramentas de IA. Ele destacou que a divisão especializada da empresa, o Meta Superintelligence Labs, já contrata peritos independentes em várias áreas.
“Envolver avaliadores e consultores independentes é a melhor prática da indústria. Em geral, seria útil que houvesse um ecossistema maior e mais diversificado de avaliadores”, afirmou . A declaração foi interpretada como uma crítica indireta à Anthropic, que é acusada de preferir avaliadores com vínculos próximos à própria empresa.
Disputa com a Anthropic e debate sobre desaceleração
A manifestação de Zuckerberg ocorre em meio a uma disputa pública com o CEO da Anthropic, Dario Amodei, que defendeu uma desaceleração global no ritmo de desenvolvimento da IA. Amodei alertou que os sistemas podem se desenvolver mais rápido do que os pesquisadores conseguem entendê-los e controlá-los, especialmente diante de riscos como perda de controle, ciberataques e desenvolvimento de armas biológicas.
A discussão foi intensificada pela saída do pesquisador Jacob Coxon da Anthropic, que afirmou que “as pessoas que estão construindo IA acreditam que a tecnologia pode acabar com a humanidade até o fim da década”.
Enquanto gigantes do setor, como OpenAI, Anthropic e Google DeepMind, discutem a criação de um órgão conjunto de fiscalização inspirado na Finra, que regula o mercado financeiro americano, Zuckerberg rejeita qualquer pausa coordenada.
Investimentos e visão de futuro
A Meta planeja aplicar até US$ 145 bilhões em sua estrutura de tecnologia neste ano e repudia qualquer norma que possa atrasar seus lançamentos. Em agosto, Zuckerberg já havia defendido que “nenhuma norma deveria atrasar o lançamento dos modelos americanos, nem sequer um mês” .
Para o CEO, direcionar a maioria do poder computacional, em vez de correr em busca de “autoaprimoramento recursivo”, é uma das melhores formas de garantir um desenvolvimento seguro. “Acredito que a chave para construir um futuro positivo para todos é manter o equilíbrio certo de poder. Isso está ao nosso alcance”, concluiu.
LEIA MAIS:
Flávio admite encontro com Vorcaro após prisão e diz que foi encerrar aporte a filme de Bolsonaro











