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Terremoto pode ter provocado enchente que matou centenas no Nepal e no Tibete; veja o que se sabe

Tremor de magnitude 4,4 ocorreu minutos antes do desprendimento de gelo e rochas; centenas de pessoas continuam desaparecidas e não há brasileiros entre as vítimas identificadas


Por Carlos Nathan Sampaio em 26/08/2026 - 16:32

Terremoto pode ter provocado enchente que matou centenas no Nepal e no Tibete veja o que se sabe
(Imagem: Reprodução)

Uma sequência de eventos naturais transformou parte da fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, em um cenário de destruição nesta quarta-feira (26). Até a atualização mais recente, ao menos 160 mortes haviam sido confirmadas: 157 pelas autoridades nepalesas e três no território chinês. Centenas de pessoas continuam desaparecidas, mas os números ainda são preliminares e podem sofrer alterações.

O desastre começou pouco depois de um terremoto de magnitude 4,4 atingir a região do Himalaia. O tremor foi registrado aproximadamente sete minutos antes da chegada da avalanche mostrada por câmeras de segurança. A proximidade entre os dois acontecimentos levou autoridades a considerar que o terremoto pode ter desestabilizado a montanha, mas essa relação ainda não foi comprovada.

Imagens de satélite analisadas por especialistas indicam que a parte inferior de uma geleira, situada a cerca de 5,2 mil metros de altitude, desprendeu-se e caiu aproximadamente 1,2 mil metros até o fundo do vale. Durante a queda, a massa de gelo arrastou rochas, terra e sedimentos, formando uma avalanche de grandes proporções. Segundo a Reuters, o fenômeno foi classificado pelas autoridades nepalesas como uma “avalanche de gelo e rochas”.

Essa massa atingiu o rio Lhende, a cerca de 20 quilômetros da passagem de Rasuwagadhi, na fronteira entre Nepal e China. A entrada repentina de gelo, pedras e terra no curso d’água provocou uma onda carregada de lama e detritos, que avançou pelos sistemas dos rios Bhote Koshi e Trishuli.

Em um ponto mais abaixo, o nível da água teria subido até nove metros em apenas 30 minutos. A correnteza arrastou casas, veículos, árvores, pontes e instalações de usinas hidrelétricas. Vilarejos inteiros foram atingidos antes que os moradores conseguissem deixar as áreas próximas aos rios.

No Nepal, o governo informou que 484 pessoas estavam desaparecidas, entre elas 341 estrangeiros. A lista inclui cidadãos da Índia, Reino Unido, Estados Unidos, Austrália, Holanda, Malásia e África do Sul. A região faz parte da rota utilizada por turistas e peregrinos que seguem para Kailash Manasarovar, no Tibete.

No lado chinês, as autoridades contabilizavam outras 265 pessoas desaparecidas após o deslizamento atingir o porto de Gyirong. Como as listas ainda estão sendo verificadas, não é possível descartar duplicidades ou mudanças no balanço.

As operações de busca enfrentam dificuldades provocadas pela destruição das estradas, interrupção das comunicações e elevação dos rios. Helicópteros não conseguiram pousar nas áreas de Syapru Besi e Timure, duas das mais atingidas no distrito nepalês de Rasuwa. Equipes utilizam aeronaves e drones para localizar sobreviventes e avaliar os danos.

A causa exata permanece sob investigação. Além do terremoto, especialistas avaliam se as temperaturas elevadas e o derretimento acelerado da neve contribuíram para o colapso da geleira. O Nepal perdeu quase um terço de sua cobertura de gelo nas últimas três décadas, segundo dados citados pela Reuters.

O risco ainda não terminou. Um bloqueio permanece em um afluente do Bhote Koshi, represando água e aumentando a possibilidade de uma nova enchente. Moradores de áreas baixas foram orientados a procurar regiões elevadas.

Até o momento, não existem registros de brasileiros entre mortos ou desaparecidos. O Itamaraty informou que as embaixadas do Brasil em Katmandu e Pequim acompanham a situação. A informação foi divulgada pelo governo brasileiro.

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