O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) poderá passar por mudanças nos próximos anos e ganhar novas formas de avaliar a capacidade de escrita e compreensão dos estudantes. Entre as possibilidades em discussão pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) estão a inclusão de questões discursivas e atividades que exijam respostas escritas, além da atual redação.
A possibilidade foi apresentada pelo presidente do Inep, Manuel Palacios, durante o VI Seminário Internacional de Gestão Educacional, realizado nesta quarta-feira (26). Segundo ele, a proposta não é aumentar o número de redações do exame, mas ampliar o espaço para que o estudante demonstre, por meio da escrita, o que compreendeu e é capaz de produzir a partir dos textos apresentados na prova. “Não se trata de ter mais de uma redação. Trata-se de ter uma redação e também outros itens que o estudante responde por meio da escrita”, explicou Palacios.
Compreensão leitora
Uma das possibilidades estudadas pelo Inep é utilizar questões discursivas para avaliar a compreensão leitora. Nesse modelo, o estudante poderia receber um texto e ser solicitado a produzir um resumo, sintetizando as principais ideias apresentadas pelo autor.
Para Palacios, esse tipo de questão está entre as alternativas que podem contribuir para aperfeiçoar a avaliação das habilidades desenvolvidas pelos estudantes ao longo da educação básica. “Tenho interesse de trabalhar com a compreensão leitora, pedindo que o estudante resuma um texto que foi lido por ele, de modo a sintetizar as ideias apresentadas”, afirmou.
A proposta, no entanto, ainda está em fase de discussão. O presidente do Inep ressaltou que mudanças estruturais no Enem precisam ser planejadas com antecedência, justamente por causa do impacto que o exame exerce sobre estudantes, escolas e sistemas de ensino.
Mudanças só devem chegar a partir de 2028
Segundo Palacios, as discussões atuais sobre inovações no formato da prova não devem provocar alterações imediatas no exame. A previsão é que eventuais mudanças de maior impacto comecem a produzir efeitos a partir de 2028, podendo algumas delas ser implementadas somente em 2029.
O prazo maior, explicou, é necessário para que estudantes e escolas tenham conhecimento prévio das mudanças e possam se preparar para o novo modelo. “Nenhuma mudança pode ser introduzida sem pelo menos dois, três anos de distância da sua implementação”, afirmou.
Alterações consideradas menores, como aprimoramentos no modelo de construção dos itens, podem ocorrer de forma gradual. Já mudanças que alterem significativamente a estrutura da avaliação precisam passar por um período mais longo de discussão e preparação.
Cautela na reformulação
Palacios destacou que o Enem é uma avaliação de alcance nacional e desperta grande interesse entre os estudantes. Por isso, o Inep adota como princípio evitar mudanças repentinas no desenho da prova. “Nós temos um exame nacional que é objeto de muito interesse e dedicação por parte dos estudantes e não pode ser alterado assim, o desenho do teste, sem muita discussão e o conhecimento prévio das escolas”, afirmou.
A discussão sobre questões discursivas ocorre em um momento de transformação do próprio papel do Enem. A partir de 2026, o exame também passa a integrar o Saeb e será utilizado como instrumento de avaliação da qualidade do ensino médio.
Com isso, além de continuar como porta de entrada para o ensino superior, o Enem passa a produzir dados sobre a aprendizagem dos estudantes. A eventual inclusão de novas formas de resposta poderá ampliar esse diagnóstico, permitindo avaliar não apenas a capacidade de marcar alternativas, mas também de interpretar informações, organizar ideias e expressá-las por escrito.
As mudanças, contudo, ainda não estão definidas. O Inep deve continuar os estudos antes de anunciar qualquer alteração estrutural no formato da prova.
Leia mais:
“Queria mais tempo com meu filho”: Lito Sousa chora em vídeo














