Skip to content

Nicolás Maduro continua preso? Veja o que se sabe sobre o ex-presidente da Venezuela

Chavista está detido com a mulher em uma prisão federal de Nova York e deve ser julgado em junho de 2027; governo venezuelano reduziu as manifestações públicas pela libertação do casal


Redação Tribuna do Planalto Por Redação Tribuna do Planalto em 23/08/2026 - 08:20

Nicolás Maduro continua preso Veja o que se sabe sobre o ex-presidente da Venezuela
(Foto: Reprodução)

Nicolás Maduro continua preso nos Estados Unidos, onde responde a acusações relacionadas ao tráfico internacional de drogas e ao uso de armamentos. O ex-presidente da Venezuela está detido no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, em Nova York, ao lado da mulher, Cilia Flores.

Maduro e Cilia foram capturados por forças especiais norte-americanas durante uma operação realizada em Caracas, na madrugada de 3 de janeiro. Depois de serem levados aos Estados Unidos, os dois compareceram à Justiça e se declararam inocentes.

O processo tramita no Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York. Maduro é acusado de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e conspiração para manter armamentos. A denúncia afirma que autoridades venezuelanas teriam utilizado estruturas do Estado para proteger e facilitar o envio de drogas aos Estados Unidos. As acusações ainda não foram julgadas e devem ser tratadas, juridicamente, como alegações da Promotoria norte-americana. A denúncia está disponível no Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

O julgamento de Maduro e Cilia Flores foi marcado para 1º de junho de 2027. Até o momento, nenhum dos dois solicitou liberdade mediante pagamento de fiança. A defesa pretende questionar a legalidade da prisão, a operação realizada em Caracas e a própria competência da Justiça norte-americana para julgar Maduro. Os advogados devem alegar que ele teria imunidade por ocupar a Presidência da Venezuela quando foi capturado. As informações sobre o julgamento foram divulgadas pela Associated Press.

Maduro afirma ter sido sequestrado pelos Estados Unidos e continua se apresentando como presidente constitucional da Venezuela. O governo norte-americano deixou de reconhecê-lo como governante legítimo ainda em 2019 e o acusa de ter fraudado as eleições presidenciais de 2018 e 2024.

Venezuela reduz manifestações por Maduro

Enquanto Maduro aguarda o julgamento, seu nome perdeu espaço dentro do próprio governo venezuelano. Segundo o jornal britânico Financial Times, a gestão de Delcy Rodríguez não mencionou a libertação do ex-presidente nem de Cilia Flores durante cinco rodadas de negociações com representantes da oposição.

As reuniões ocorreram ao longo de aproximadamente duas semanas e tinham como objetivo discutir as condições necessárias para uma nova eleição presidencial. As conversas, no entanto, terminaram sem um acordo concreto sobre a realização do pleito.

Os participantes também discutiram o financiamento da recuperação do país após os terremotos de junho, que deixaram mais de 6 mil mortos, e o início de uma reforma no sistema judiciário. A libertação de Maduro não teria sido apresentada como uma exigência do governo durante os encontros. A ausência do tema nas negociações foi revelada pelo Financial Times.

A postura representa uma mudança em relação aos primeiros dias após a captura. Em janeiro, integrantes do chavismo cobravam repetidamente a libertação de Maduro e de Cilia. Delcy Rodríguez chegou a prometer publicamente que trabalharia para que os dois retornassem à Venezuela. Com o passar dos meses, porém, esses pedidos ficaram menos frequentes.

Outro sinal da mudança está na forma como Delcy passou a ser apresentada pelo aparato oficial. O Ministério da Comunicação e Informação deixou de chamá-la de “presidenta interina” e passou a utilizar apenas “presidenta”. A denominação também foi adotada pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da atual governante, pela chancelaria e por contas ligadas ao chavismo.

Delcy assumiu o comando após a captura de Maduro, inicialmente por um período de 90 dias. Apesar do fim desse prazo, ela permaneceu no cargo sem que a Assembleia Nacional declarasse oficialmente a Presidência vaga. A permanência além do período inicial foi registrada pela Associated Press.

Para analistas venezuelanos, a retirada do termo “interina” e o desaparecimento gradual dos pedidos pela libertação de Maduro indicam que setores do governo passaram a aceitar a permanência de Delcy Rodríguez. Maduro, portanto, continua preso e sem previsão de libertação, enquanto seu espaço político dentro da Venezuela parece diminuir.

Redação Tribuna do Planalto

O Tribuna do Planalto, um portal comprometido com o jornalismo sério, ágil e confiável. Aqui, você encontra análises profundas, cobertura política de bastidores, atualizações em tempo real sobre saúde, educação, economia, cultura e tudo o que impacta sua vida. Com linguagem acessível e conteúdo verificado, a Tribuna entrega informação de qualidade, sem perder a agilidade que o seu dia exige.

Pesquisa