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Dino derruba sigilo de investigação sobre filme de Bolsonaro e cita Mendonça

Polícia Federal receberá conteúdo de celulares apreendidos em São Paulo; apuração envolve suspeita de desvio de emendas parlamentares


Domingos Ketelbey Por Domingos Ketelbey em 13/09/2026 - 14:15

Dino emendas
Dino derrubou sigilo sobre o filme Dark Horse (Foto: Divulgação)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino retirou, neste domingo (13), o sigilo do material apreendido pela Polícia Civil de São Paulo na investigação sobre o financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A apuração busca esclarecer se recursos de emendas parlamentares foram desviados para custear a produção.

Dino determinou que a Secretaria de Segurança Pública paulista encaminhe à Polícia Federal todo o conteúdo bruto extraído dos celulares dos investigados. Os aparelhos foram apreendidos em junho e ficaram sob responsabilidade dos órgãos estaduais para perícia.

Para fundamentar a decisão, o ministro recorreu ao entendimento adotado pelo colega André Mendonça. Em 1º de setembro, Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF com supostas conversas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e um contato atribuído ao ministro Alexandre de Moraes.

“Considero assim haver viragem jurisprudencial em curso, a qual devo me adaptar, em homenagem ao princípio da colegialidade”, escreveu Dino.

O ministro sustentou que pessoas mencionadas nos mesmos processos ou em investigações paralelas devem receber tratamento igual quando estiverem em situações equivalentes. Defendeu “ampla publicidade” para nomes, dados financeiros, movimentações de contas e conversas por WhatsApp reunidos nas apurações.

Emendas sob suspeita

A decisão ocorre três dias depois da Operação Make Up, autorizada por Dino. Na quinta-feira (10), a Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Entre os alvos estavam o deputado federal Mário Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo do filme, e a empresária Karina Gama.

A investigação envolve duas emendas de Frias, que somam R$ 2 milhões, destinadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina. A Academia Nacional de Cultura (ANC), também comandada pela empresária, está entre as entidades investigadas. A suspeita é de contratação de empresas sem comprovação dos serviços prestados, com possível direcionamento de recursos para o longa.

Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) apontaram falta de comprovação da execução de projetos sociais esportivos do ICB em Pirassununga, no interior paulista, que receberam emendas do parlamentar. A PF identificou indícios de que recursos teriam sido direcionados à produção de Dark Horse. O possível desvio permanece sob investigação.

O que dizem os investigados

Ao reagir à operação de quinta-feira, Frias negou irregularidades e chamou a ação de “cortina de fumaça”. Em vídeo publicado nas redes sociais, afirmou que as emendas eram públicas, registradas e transparentes. Também disse que colaboraria com as autoridades e reclamou da falta de acesso da defesa ao inquérito.

Karina também negou irregularidades na aplicação dos recursos, em declaração à coluna Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. Seu advogado, Ricardo Sayeg, afirmou que ela colaborava voluntariamente com as autoridades e havia entregue documentos à Polícia Federal.

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