A impressão de que a maioria das pessoas está se sentindo fatigada não é só uma percepção. Isso é o que mostrou um relatório do Centro Nacional de Estatísticas de Saúde (NCHS), ligado aos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), que mostra que 71,5% dos adultos norte-americanos estão cansados e com fadiga em pelo menos alguns dias durante os três meses anteriores à pesquisa.
O levantamento entrevistou aproximadamente 27 mil pessoas com 18 anos ou mais em 2024. Quase três em cada quatro participantes disseram ter se sentido “muito cansados ou exaustos” em algum momento. Cerca de um em cada seis relatou fadiga frequente, classificada pelos pesquisadores como aquela presente na maioria dos dias ou diariamente.
No Brasil, segundo levantamento realizado pelo DataFolha em todas as regiões do país, 37% dos brasileiros relataram cansaço ou esgotamento mental de forma constante (sempre+frequentemente) ao longo do ano. Ou seja, 61 milhões de pessoas estavam nessa situação, o que representa quase 43%, quase metade, dos 141 milhões de adultos no Brasil.
O médico nutrólogo e intensivista Dr. José Israel Sanchez Robles explica que a fadiga não deve ser confundida com o cansaço ou a sonolência esperados após uma noite mal dormida ou um período excepcionalmente desgastante. “A fadiga é uma sensação de esgotamento físico ou mental que pode persistir mesmo após o sono ou o repouso. Quando se torna recorrente ou persistente e começa a interferir no trabalho, nos estudos ou nas atividades habituais, é importante investigar suas possíveis causas”, afirma.
As mulheres apresentaram a maior frequência do problema: 20% relataram fadiga na maioria dos dias ou todos os dias, contra 13% dos homens. O índice também foi mais elevado entre os adultos de 18 a 34 anos, chegando a 19,5%. Entre pessoas com 65 anos ou mais, a proporção caiu para 12,9%.
Segundo o Dr. José Israel, fatores hormonais e sociais podem contribuir para a maior ocorrência de fadiga observada entre as mulheres. “Alterações hormonais relacionadas ao ciclo menstrual, à gravidez, à perimenopausa e à menopausa podem influenciar a disposição e a percepção de fadiga. Ao mesmo tempo, a sobrecarga decorrente da combinação entre responsabilidades profissionais, domésticas e familiares também pode exercer um impacto importante”, avalia.
O relatório não investigou as causas individuais do cansaço, mas identificou uma associação relevante com a saúde mental. Adultos com fadiga frequente apresentaram probabilidade mais de três vezes maior de manifestar sintomas de depressão. Eles também tiveram cerca do dobro da possibilidade de relatar ansiedade ou dificuldades cognitivas, como problemas de concentração e memória.
“A relação pode ocorrer nos dois sentidos: ansiedade e depressão podem comprometer a qualidade do sono e reduzir a disposição, enquanto a fadiga prolongada pode limitar a vida social, a prática de atividade física e a produtividade, contribuindo para o agravamento do sofrimento emocional”, explica o médico.
Além do estresse e dos transtornos emocionais, a falta de energia pode estar relacionada à anemia, deficiência de nutrientes, alterações da tireóide, doenças cardíacas, infecções, apneia do sono, doenças autoimunes ou efeitos colaterais de medicamentos. Por isso, recorrer indiscriminadamente a vitaminas ou estimulantes pode mascarar o problema sem resolver sua origem.
“Não existe um suplemento universal para tratar o cansaço. Antes de iniciar a reposição de vitaminas ou minerais, ou recorrer ao uso de estimulantes, é necessário avaliar os sintomas, a alimentação, a qualidade do sono, os medicamentos em uso e, quando houver indicação clínica, solicitar exames”, orienta Dr. José Israel.
Como primeiros cuidados, o especialista recomenda observar a duração e a intensidade da fadiga, manter horários regulares de sono, adotar uma alimentação equilibrada, praticar atividade física de acordo com a condição individual e reduzir a exposição às telas antes de dormir. Atividades leves, como caminhada e alongamento, além de exercícios respiratórios, podem contribuir para o bem-estar e o relaxamento.
Ainda de acordo com o especialista, “o sinal de alerta surge quando o cansaço persiste por semanas, apresenta piora progressiva ou vem acompanhado de falta de ar, palpitações, perda de peso sem causa aparente, febre, dor no peito ou alterações importantes do humor. Nessas situações, é fundamental buscar avaliação médica. Na presença de sintomas intensos ou de início súbito, especialmente dor no peito, falta de ar importante ou desmaio, a avaliação deve ser imediata”.











